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Paróquias nas periferias da cidade de Bauru

Inseridas em bairros de maior vulnerabilidade social, igrejas desenvolvem trabalhos para a comunidade e são ponto de referência na promoção humana

18/06/17 07:00
Aline Mendes
Malavolta Jr.
Padre Rodrigo Pereira Sena mostra a farmácia comunitária da Paróquia Nossa Senhora da Assunção: "Às vezes, não há medicamento no posto de saúde e a população não sabe a quem recorrer, por isso procura a igreja"

Através de suas paróquias e capelas, congregações religiosas e trabalhos pastorais, a Igreja Católica está presente em todo território do município. Em comum, além da fé, o olhar voltado à questão social, seja na vizinhança ou em locais mais distantes.

Essa atuação pode variar bastante, de acordo com a realidade dos bairros que cada uma abrange. Como o assunto é amplo, a reportagem optou por conversar com representantes de algumas paróquias e que nasceram e se engajaram nas periferias, procurando fazer a diferença à sua volta.

"A Igreja deve estar atenta às necessidades específicas da região onde vive e ser ponto de referência na solidariedade para católicos ou não. Aqui há maior proximidade com os moradores, que sabem do trabalho social e nos procuram. Principalmente nas periferias, a Igreja deve ser um sinal de esperança", aponta o padre Rodrigo Pereira Sena, da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, no Jardim Ouro Verde.

Mesmo em processo de construção e com arrecadação menor que a de comunidades em regiões mais favorecidas socialmente, a Assunção une esforços de paroquianos, voluntários e parceiros para distribuir alimentos, oferecer aulas de balé, capoeira e violão, manter uma farmácia comunitária e acupuntura, organizar bazares e eventos beneficentes. Veja abaixo mais detalhes.

Além das demandas mais urgentes de alimentação, a paróquia tenta oferecer o que a sociedade não tem dado à região, principalmente aos mais jovens, seja em termos de lazer, esportes ou cursos. "É importante a criança ter sonhos e atividades além da escola, isso ajuda a expandir os horizontes", afirma.

PARA TODOS

A juventude está entre as principais preocupações da comunidade, dentro e fora do ambiente paroquial. "Vários jovens buscam a igreja, confessam risco de envolvimento com drogas e começam a participar das nossas atividades, mas muitos param... É difícil conquistar nessa fase", lamenta padre Rodrigo.

Porém, não impossível. O Grupo de Jovens Ágape da Paróquia insiste em convidar outros jovens na vizinhança e em escolas para seus encontros semanais (domingo das 17h às 19h ), ações sociais e eventos festivos.

A comunidade também tem investido nas crianças e na união das religiões. "O grupo de balé, por exemplo, fez uma apresentação que lotou a igreja com pessoas de várias denominações. Os projetos sociais nos aproximam", comemora o sacerdote.

O que chama a atenção dele na população paroquial é o perfil solidário e a fé em dias melhores. "Há pessoas com boas condições, mas grande parte tem o básico para sobreviver. Mesmo assim, ajudam e colocam a mão na massa; são muito trabalhadores e otimistas. Em comunidade vamos construindo juntos uma realidade melhor e as pessoas veem que é possível", avalia.

Serviço

Paróquia Nossa Senhora da Assunção: rua José Bueno de Camargo Sobrinho, 5-25, Jardim Ouro Verde. Fone: (14) 3236-6192.

Serviços oferecidos na comunidade

Fotos: Helo HT/Divulgação
Capoeira
Sopa solidária

* Sopão solidário: a sopa distribuída quarta-feira, às 19h, a mais de 200 pessoas, é feita pelas monjas concepcionistas franciscanas do Mosteiro Imaculada Conceição e São José, em Piratininga. Voluntários do mosteiro e da paróquia ajudam no preparo e na distribuição.

* Farmácia comunitária: aberta quinta-feira, das 8h às 11h, recebe doações de remédios, fraldas, cadeira de rodas, muletas e outros aparatos para cuidados de saúde. Os medicamentos são distribuídos através de receita e de um controle feito pela paróquia.

* Pastoral social: arrecada alimentos, monta cestas básicas, faz visitas e doa a 25 famílias cadastradas do bairro. Outras necessidades, de gás a leite para crianças com intolerância a lactose, também são atendidas.

* Curso de capoeira: terça e quinta, das 20h às 21h30, para crianças a partir de 6 anos, jovens e adultos. Gratuito.

* Aula de balé: sábado, das 8h às 11h. Gratuito.

* Bazar da Assunção: recebe doações de roupas, eletrodomésticos, móveis e outros itens, que são vendidos a cada dois meses. O que sobra é doado ao bazar de outra comunidade.

* Aula de violão: sábado à tarde, por taxa simbólica.

* Acupuntura: sábado de manhã, na capela Jesus Trabalhador (Jardim Solange), por taxa simbólica.

Projeto Caná conquistou o Ferradura Mirim

Com um olhar diferenciado sobre educação e ação social, associação formada por religiosos e leigos marianistas mantém trabalho que é referência no bairro

Fotos: Malavolta Jr
Parte das crianças que participam do Projeto Caná com os educadores Fulvia Negri Goulart Garcia, Domingos Fuentes Salgado e Bianca Rodrigues: educação participativa e formação cidadã
Educadora Mayara Imbriani Lopes conduz brincadeira com crianças no pátio
Entre as atividades pedagógicas, lazer com jogos no computador

Há cerca de 30 anos, praticamente junto com a ocupação do bairro Ferradura Mirim, nasceu a Associação Caná, formada pelos religiosos da Companhia de Maria e pela Família Marianista, leigos que compartilham do mesmo modo de viver a fé.

De lá para cá, essa associação de católicos abraçou várias demandas da região, mas focou no trabalho com crianças e adolescentes, atendidos pelo Projeto Caná. O local, que tem convênio com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), recebe 200 alunos entre 3 e 15 anos, de segunda a sexta, com turmas de manhã e à tarde; no sábado, são 150 estudantes (que participam ou não das atividades durante a semana).

"Aqui é lugar para a criança ser criança, não só brincar, mas estar com os outros, ser feliz, receber cuidado e respeito, ter noções de higiene e boa alimentação, além de fazer uma série de atividades artísticas, culturais e sociais, com esportes, dança, balé, circo, música e artesanato", lista o irmão Domingos Fuentes Salgado, diretor do projeto.

"Temos jogos, vídeos, biblioteca... Tudo que contribua com o bom desenvolvimento de crianças e adolescentes em termos de corpo, alma, mente, sociabilidade... Não é luxo, faz bem, eles gostam e têm direito", destaca o religioso.

Na visão dele, o assistencialismo não ajuda ninguém e, para desenvolver a pessoa e o País, é preciso mudar as mentalidades. "Aqui também eles aprendem a ser cidadãos que não resolvem os conflitos com violência e que buscam melhores condições de vida para si, sua família e seu bairro. Formar cidadão é dar acesso; sem igualdade não há cidadania e nem paz".

EDUCAÇÃO PARTICIPATIVA

No Projeto Caná, os 15 funcionários e a diretoria, formada por voluntários, também levantam a mão e pedem licença para falar com os alunos.

"Aqui eles têm oportunidade de falar e de resolver seus problemas, de propor ações e melhorias. Dominar quem é menor na força, maturidade e até na altura é fácil, educar é outra coisa. Não temos sempre a última palavra", avalia o irmão Domingos.

"Desde que o educador ou adulto mude de comportamento, eles mudam também; do contrário, o resultado é indisciplina e falta de educação".

Esse modelo diferenciado de educação favorece a autoestima e as reuniões com os familiares focam na evolução dos alunos. "Precisamos mostrar desde cedo que eles são capazes e aos pais o que de melhor seus filhos podem fazer. Serem valorizados aqui ajuda na valorização lá fora".

As famílias também são chamadas a se engajar. "Oferecemos palestras que falam desde como educar melhor até sobre reciclagem de lixo. Esse é um assunto recorrente aqui, porque é um problema do bairro. Essa semana saímos com as crianças para fazer panfletagem sobre a importância de manter a limpeza nas ruas", lembrou Fúlvia Negri Goulart Garcia, coordenadora pedagógica do Projeto Caná.

IDENTIDADE

Aliás, a realidade do bairro é muito presente nas conversas com os alunos. Não por acaso a temática trabalhada ao longo desse ano nas diversas atividades pedagógicas é a identidade, tanto pessoal quanto social.

"Os alunos trazem muitas demandas, compartilham problemas e até o preconceito que sofrem por morarem no Ferradura Mirim. Por isso trabalhamos com ações para melhorar a vida no bairro e mostrar que eles não precisam ir embora daqui. Eles podem ser cidadãos capazes de mudar esse cenário", acredita Fúlvia.

"É um local marginalizado, associado a coisas ruins, o que é uma generalização. Muitas coisas boas acontecem aqui. O preconceito faz essas pessoas terem um olhar negativo sobre si, elas se diminuem e custam ganhar confiança para mudarem suas vidas", pondera irmão Domingos.

Por isso o Projeto também trabalha questões de espiritualidade. "É uma parte importante da vida, ajuda a crescer e reforça bons valores, desde que não seja excludente. Não fazemos catequese e nenhuma denominação se sente ofendida", avisa o religioso.

Serviço

Projeto Caná: rua Paulo Kinoshita, 4-40. Fone: (14) 3203-5241.

Paróquia no Geisel quer zelar pelo bairro

Aline Mendes
Padre Everaldo deseja ampliar ação social e implantar projeto que cuide do bairro

Quando chega à Paróquia Imaculada Conceição, no núcleo Presidente Geisel, a informação de que algum morador do bairro tem uma necessidade urgente, a comunidade se mobiliza rapidamente para tentar ajudar.

A principal demanda é por alimento. "Nossa dimensão social distribui cestas básicas a 34 famílias cadastradas. Há também cestas avulsas entregues a moradores que precisam esporadicamente, até de paróquias vizinhas. Também emprestamos cadeiras de banho, muletas e camas hospitalares, entregamos muitas fraldas geriátricas e cedemos o espaço para atividades sociais com idosos", conta o padre Everaldo Junior Rambaldi.

Além de ampliar a ação social, que conta também com bazar, uma das metas é envolver a comunidade em um projeto de conscientização sobre a importância de zelar pelo bairro. "A ideia partiu de moradores e estamos amadurecendo para implantar. Há muito entulho, lixo e até móveis descartados pelas ruas e terrenos, o que pode se tornar um problema de saúde pública", conclui.

Serviço

Paróquia Imaculada Conceição: rua Cyrênio Ferraz de Aguiar, 3-104, Geisel. Fone: (14) 3203-3447.

Comunidades se voltam aos mais jovens

Congregação religiosa e paróquias São Paulo e Santa Luzia unem esforços para ação social em diversos bairros, priorizando gestantes, crianças e adolescentes

Resgatar a dignidade do ser humano: esse é o ponto de partida da missão abraçada pela Fraternidade Santo Inácio de Antioquia, que em Bauru está à frente das Paróquias São Paulo e Santa Luzia, nos bairros de mesmo nome.

Dessa forma, os freis inacianos ficam atentos às necessidades das regiões em que atuam e, para atender a uma delas, há 8 anos inauguraram a creche Nossa Senhora do Desterro, na Vila São Paulo. O local recebe 60 crianças de 1 ano e 8 meses a 5 anos e 11 meses.

"Entre tantas demandas do bairro, a necessidade da creche chamou a atenção pela grande quantidade de crianças na rua e de pais procurando onde deixá-las", lembra frei Alfredo Francisco de Souza, presidente da entidade e responsável pelas duas paróquias.

Para ser mantida, a creche tem convênio com a Prefeitura, recebe recursos do Fundo Diocesano de Solidariedade, conta com o apoio do Rotary Clube Bauru Aeroporto desde o início e uma rede de colaboradores em datas como Páscoa, Dia das Crianças, Natal, etc. No dia a dia, são oito funcionários e seis voluntários diretos, membros da diretoria.

"A maioria das crianças vêm de famílias evangélicas. É bonito, porque a ação social independe da religião. Por outro lado, é preocupante, porque outras denominações ainda não despertaram para as necessidades de seus membros e do bairro em si", pondera.

'OLHAR DA ESPERANÇA'

A Paróquia São Paulo Apóstolo também possui um projeto social que vem crescendo na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, na Pousada da Esperança II. Além de oferecer capoeira, artesanato e aulas de dança para crianças e jovens, desenvolve um trabalho amplo com gestantes.

"O Projeto Olhar da Esperança atua em uma realidade difícil de bairro, em que o índice do uso de drogas é alto. É ilusão achar que basta o que estamos fazendo, mas levar em consideração as necessidades da população e unir forças é importante para auxiliar as pessoas nas dimensões física, psíquica e espiritual", avalia frei Alfredo.

Por isso, a paróquia abre suas portas para ações da Prefeitura e de entidades, em áreas como saúde, esporte e atividades culturais. E incentiva o voluntariado por parte de paroquianos e moradores dos bairros. "A adesão é natural, as pessoas participam e se comprometem de verdade. Não há zona de conforto, pois suas vidas são desafiadas o tempo todo. O que percebemos é a sede de oportunidades e propostas. Ver a força e a vontade delas de crescer é gratificante".

No último sábado do mês, ao meio-dia, a paróquia ainda oferece a Sopa Solidária. "Sabemos que não vai resolver o problema, mas é um suporte na alimentação das famílias", comenta o religioso.

Serviço

Paróquia São Paulo Apóstolo: rua Alberto Delmasso, 4-215, Pousada da Esperança I (região da Vila São Paulo).

Comunidades se voltam aos mais jovens

Congregação religiosa e paróquias São Paulo e Santa Luzia unem esforços para ação social em diversos bairros, priorizando gestantes, crianças e adolescentes

Aline Mendes
No refeitório, frei Alfredo e parte das crianças que frequentam a creche Nossa Senhora do Desterro

Resgatar a dignidade do ser humano: esse é o ponto de partida da missão abraçada pela Fraternidade Santo Inácio de Antioquia, que em Bauru está à frente das Paróquias São Paulo e Santa Luzia, nos bairros de mesmo nome.

Dessa forma, os freis inacianos ficam atentos às necessidades das regiões em que atuam e, para atender a uma delas, há 8 anos inauguraram a creche Nossa Senhora do Desterro, na Vila São Paulo. O local recebe 60 crianças de 1 ano e 8 meses a 5 anos e 11 meses.

"Entre tantas demandas do bairro, a necessidade da creche chamou a atenção pela grande quantidade de crianças na rua e de pais procurando onde deixá-las", lembra frei Alfredo Francisco de Souza, presidente da entidade e responsável pelas duas paróquias.

Para ser mantida, a creche tem convênio com a Prefeitura, recebe recursos do Fundo Diocesano de Solidariedade, conta com o apoio do Rotary Clube Bauru Aeroporto desde o início e uma rede de colaboradores em datas como Páscoa, Dia das Crianças, Natal, etc. No dia a dia, são oito funcionários e seis voluntários diretos, membros da diretoria.

"A maioria das crianças vêm de famílias evangélicas. É bonito, porque a ação social independe da religião. Por outro lado, é preocupante, porque outras denominações ainda não despertaram para as necessidades de seus membros e do bairro em si", pondera.

'OLHAR DA ESPERANÇA'

A Paróquia São Paulo Apóstolo também possui um projeto social que vem crescendo na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, na Pousada da Esperança II. Além de oferecer capoeira, artesanato e aulas de dança para crianças e jovens, desenvolve um trabalho amplo com gestantes.

"O Projeto Olhar da Esperança atua em uma realidade difícil de bairro, em que o índice do uso de drogas é alto. É ilusão achar que basta o que estamos fazendo, mas levar em consideração as necessidades da população e unir forças é importante para auxiliar as pessoas nas dimensões física, psíquica e espiritual", avalia frei Alfredo.

Por isso, a paróquia abre suas portas para ações da Prefeitura e de entidades, em áreas como saúde, esporte e atividades culturais. E incentiva o voluntariado por parte de paroquianos e moradores dos bairros. "A adesão é natural, as pessoas participam e se comprometem de verdade. Não há zona de conforto, pois suas vidas são desafiadas o tempo todo. O que percebemos é a sede de oportunidades e propostas. Ver a força e a vontade delas de crescer é gratificante".

No último sábado do mês, ao meio-dia, a paróquia ainda oferece a Sopa Solidária. "Sabemos que não vai resolver o problema, mas é um suporte na alimentação das famílias", comenta o religioso.

Serviço

Paróquia São Paulo Apóstolo: rua Alberto Delmasso, 4-215, Pousada da Esperança I (região da Vila São Paulo).

Pastoral da Criança

Divulgação
Celebração da vida na paróquia São Paulo

Outro trabalho importantíssimo na Paróquia São Paulo Apóstolo, que abraça os bairros na região da Vila São Paulo, é a Pastoral da Criança, presente nessa comunidade há 25 anos. Hoje, ela conta com 12 agentes, responsáveis por acompanhar 20 crianças.

Além das visitas, todo mês é realizada a celebração da vida e a pesagem dos pequenos na matriz paroquial, momento em que há também orientação aos familiares com palestras e recreação infantil. "É um trabalho lindo. Muitos dos jovens e adultos atuantes em nossa paróquia um dia foram atendidos por essa pastoral e comprovam que ela faz a diferença na vida das pessoas", afirma o vigário paroquial, frei Luciano da Silva Barbosa.

"Eu mesmo fui uma criança desnutrida, que tomou a multimistura da Pastoral, na minha cidade de origem, São Paulo. Desde que iniciei a vida vocacional em Bauru atuo como voluntário e acabo de ser nomeado assessor espiritual da Pastoral da Criança em nível diocesano. Estou muito honrado, feliz e grato", relata.

Da Vila Santa Luzia ao Jardim Flórida: serviços variados

Fotos: Sônia Neri/Divulgação
Coral formado por crianças do Jardim Flórida
Coral formado por crianças do Jardim Flórida; à esquerda, frei Alfredo ao lado delas; à direita, Matilde Silveira e Patrícia de Souza Damasceno

Em sintonia com as necessidades da população, a Paróquia Santa Luzia já realizou de cursos para geração de renda a aulas de zumba. Na ação implantada mais recentemente, a Pastoral da Saúde montou um grupo de apoio psicológico.

"Duas psicólogas voluntárias realizam terapia em grupo. É para todos os públicos, mas quem procura são as mulheres para falar de emoções e refletir. Nesse contato, já foram revelados casos de baixa autoestima, agressão, abandono e depressão. O aspecto psicológico é imprescindível para avançar nas questões sociais", ressalta o pároco, frei Alfredo Francisco de Souza.

"Em um contexto social difícil, elas são as principais responsáveis pela casa e pelos filhos. Muitas cuidam sozinhas de crianças com deficiência ou problemas de saúde. O que para nós parece impossível fazer, elas dão um jeito". Em breve, a paróquia deseja implantar a Pastoral do Idoso, a orientação vocacional para jovens e retomar o trabalho voluntário em que uma advogada conversava com moradores sobre direitos e serviços públicos.

"Temos que estar aptos para recebermos as queixas e desabafos e não lavar as mãos, mostrar que as pessoas não estão sozinhas e que existem possibilidades de resolução para os problemas. As comunidades paroquiais nas periferias têm muito a contribuir nesse sentido", reforça o religioso.

FRAGILIDADE SOCIAL

Além da distribuição de cestas básicas a famílias cadastradas e visitadas pela Pastoral da Solidariedade, a Paróquia Santa Luzia desenvolve um trabalho específico no Jardim Flórida

"É uma região de maior fragilidade social, com muitos problemas como crianças fora da escola, gravidez na adolescência e uso de drogas. Também casos de abuso infantil, violência e abandono. É preciso mostrar às autoridades responsáveis que essas pessoas existem e precisam de ajuda", preocupa-se frei Alfredo.

Lá, a Igreja tem investido nas crianças com catequese, alimentação, atividades lúdicas e sociais. "Muitos vão pelo lanche que oferecemos e isso é positivo, porque a gente lança a semente e vai envolvendo as famílias". E conclui: "Evangelizar é muito mais do que levar religião ou trazer pessoas para Deus, é se importar com a realidade em que elas vivem e ajudar a torná-la melhor, como Jesus fazia. E assim ser a presença de Deus para elas".

SERVIÇO

Paróquia Santa Luzia: rua Emílio Viegas, 4-57, Vila Santa Luiza. Fone: (14) 3239-3045.

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