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Cortes de água crescem 65% neste ano

DAE ‘fechou o cerco’ e intensificou a interrupção do abastecimento, reduzindo o número de inadimplentes no primeiro semestre de 2017

13/09/17 07:00
Marcus Liborio
Éder Azevedo/JC Imagens
Número de devedores que ficaram com as torneiras secas cresceu, mas DAE diz que há trabalho social para garantir retorno da água

De janeiro a junho deste ano, 2.621 imóveis de Bauru, entre casas e estabelecimentos comerciais, tiveram o abastecimento de água cortado por falta de pagamento. O número é 65,25% maior que os 1.586 cortes efetuados no mesmo período de 2016, segundo levantamento divulgado pelo DAE, que vem "fechando o cerco" contra os devedores na cidade.

Os reflexos da medida têm surtido efeito, aponta o presidente da autarquia, Eric Fabris. Em janeiro, 45% das contas emitidas deixaram de ser pagas até a data do vencimento. Em junho, o percentual caiu para 34%, uma redução de 11%. O número representa 45.500 munícipes inadimplentes, de um total de 134 mil clientes contabilizados atualmente na cidade.

"Para se ter uma ideia, do total de contas que não foram pagas dentro do prazo no mês de janeiro (45%), restaram apenas 2% em aberto", enumera Fabris, ressaltando que a ação para reduzir o volume de devedores se resume em não deixar exceder a tolerância de três meses de inadimplência para realizar a interrupção no abastecimento.

"Muitas vezes, esse prazo expirava e não havia o corte. Tomamos, então, uma decisão administrativa, pois, quando assumi a autarquia, me informaram que não havia muito foco nos cortes de água. E deixando de cortar, você estará arcando com um prejuízo que reflete no bolso dos munícipes que quitam as suas contas em dia", critica Fabris.

Ele destaca ainda que a intensificação dos cortes favoreceu o balanço orçamentário da autarquia, que registrou percentual positivo de 3,74% na receita prevista para o período de janeiro a julho deste ano e redução de 27,75% na despesa prevista.

DESAFIO

Fabris pondera, entretanto, que a inadimplência em residenciais do Minha Casa Minha Vida (MCMV) segue sendo um desafio da autarquia. Como não há medição individualizada do consumo de água, a conta total é rateada igualitariamente pelos apartamentos. Neste caso, a despesa deveria ser suportada pela taxa condominial, o que nem sempre ocorre.

"As unidades do MCMV em Bauru somam dívida de mais de R$ 400 mil, referentes a uma média de 40% do total de clientes devedores. A situação está na Justiça", frisa, ressaltando que a autarquia estuda uma forma de individualizar as medições nesses residenciais.

50 PARCELAS OU MAIS

O atraso no pagamento das contas de água em Bauru gera multa de 2% aplicados sobre o valor total do consumo mensal mais juros de 0,5% ao mês. Vale destacar que a intensificação dos cortes ocorreu num período de crise econômica, mas Fabris confirma que há um trabalho social para evitar que o devedor fique sem o recurso natural essencial para sua sobrevivência.

"Quando a pessoa alega não ter condições de fazer o pagamento, ela é encaminhada para o serviço assistencial do município e tentamos negociar a dívida, que, em alguns casos, pode ser parcelada em 50 meses ou mais", discrimina o presidente da autarquia.

É o caso de uma moradora da Vila Dutra. "Atrasei umas contas e tive a água cortada. Meu companheiro fez uma ligação clandestina, mas o DAE identificou a irregularidade. Agora, estou negociando a dívida para pagar em várias prestações, mas por conta da violação, há uma taxa de R$ 400,00 para religar", conta a mulher, que não quis se identificar.

Na casa, que está há três meses sem o abastecimento, moram ela e dois filhos. "Um vizinho fez um procedimento com uma mangueira e, desde então, só tenho acesso à água pela caixa", relata.

Cerca de 10% dos cortes acabam violados, diz presidente do DAE​

Em média, 10% dos cortes de água em Bauru sofrem algum tipo de violação, o chamado "gato", segundo o presidente do DAE, Eric Fabris. Entre as estratégias para burlar a interrupção do abastecimento, está a utilização de canos ou mangueiras conectados à rede principal para religar o serviço.

Procedimentos

Fabris explica que a primeira interrupção ocorre após três meses de atraso do pagamento da fatura. "Inicialmente, há o corte no hidrômetro. O lacre azul é substituído por um interruptor de fluxo. Depois desse procedimento, se for identificada nova ligação clandestina, partimos para outros meios de cortes", detalha.

No segundo procedimento, um outro aparato de interrupção de fluxo é colocado antes do cavalete. Se os "gatos" persistirem, corta-se o abastecimento através de equipamento instalado na calçada. A última alternativa é quando a interrupção ocorre direto no ramal da rede.

Hidrômetros 

O DAE ainda avalia qual foi o real impacto no consumo de água após concluir o projeto piloto da troca de 1.300 hidrômetros no Núcleo Gasparini, que tinham mais de 20 anos de uso. Bauru possui, hoje, mais de 45 mil equipamentos nessa situação, que devem ser substituídos nos próximos meses, diz Fabris.

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