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Marcante como clube no passado, CSU tem vertente assistencial hoje

Histórico, o Centro Social Urbano do Jardim Bela Vista foi, por muito tempo, ponto de encontro de famílias; atualmente reconfigurada, unidade atende aos idosos e crianças encaminhados pelo Centro de Referência em Assistência Social (Cras) 9 de Julho e ainda tem seu futuro incerto

17/09/17 07:00
Marcele Tonelli
Samantha Ciuffa
Aberto à comunidade no passado, CSU é gerido, atualmente, pela Sebes e atende cerca de 200 pessoas no espaço

Histórico, o Centro Social Urbano (CSU) do Jardim Bela Vista foi, por muito tempo, um espaço de lazer, arte e educação aberto à comunidade. Inaugurada na década de 80 pelo governo do Estado, a unidade tinha status de clube e recebia centenas de pessoas e famílias todos os dias da semana, oferecendo cursos variados como crochê, tricô, pinturas, futebol, natação, ginástica artística, artes marciais, entre outros.

Há cerca de 15 anos, contudo, os rumos do CSU mudaram. Muita gente pensa, inclusive, que o local está inativo, mas não é verdade.

Atualmente, a unidade possui finalidade assistencial e atende apenas crianças e idosos por meio de demanda dirigida pelo Centro de Referência em Assistência Social 9 de Julho (Cras 9 de Julho). Atividades lúdicas e esportivas fazem parte da rotina.

A única ação aberta à população em geral é a do projeto "Mulheres que Brilham", um curso de defesa pessoal comandando pelo professor de artes marciais e autodefesa Carlos Adalberto Murça (leia mais na próxima página).

'SOBREVIDA'

Localizado a uma quadra da favela São Manoel, o espaço possui terreno com extensão total de mais de um quarteirão, mas mais da metade de sua capacidade encontra-se desativada e abandonada.

O poder público alega que a atual situação ocorre porque a unidade vive fase de transição de gestão. Até o ano passado, o local era gerido pelo Estado, que deu aval de transferência para a Prefeitura de Bauru, atual mantenedora do espaço por meio da Sebes.

Desde então, o futuro é incerto. A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) chegou a solicitar o local para implantação da sede da pasta, no início deste ano, mas até agora nada ocorreu (leia mais nas próximas páginas).

A "sobrevida" do CSU depende, hoje, das atividades de dois projetos do Serviço de Convivência e de Fortalecimento Vínculos da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).

O trabalho com o público infantil, em parceria com a Fundação Toledo (Fundato), atende 100 crianças no contraturno escolar, de 6 a 14 anos. E o outro projeto, voltado à terceira idade, realizado apenas pela Sebes, atende 60 idosos.

As crianças são, geralmente oriundas de regiões periféricas do Bela Vista, Santa Edwirges, Nova Esperança, Jaraguá, Parque Roosevelt, São Manoel, Fortunato Rocha Lima, entre outras.

Sobre os frequentadores que tiveram como porta de entrada a solicitação via Cras 9 de Julho há especificações.

"As crianças recebem almoço e café, da tarde ou da manhã, dependendo do turno. Aqui, participam de judô, futsal, handebol, dança e de atividades intergeracionais com os idosos", detalha Cássia Tosim, assistente social e responsável pelo projeto com os pequenos.

Responsável pelos idosos, a psicóloga Daniele Stevanato conta que, além de dinâmicas, uma série de atividades como aulas de dança e ginástica beneficiam a terceira idade que frequenta o local.

"Trabalhamos a questão da autoestima, da qualidade de vida, da autonomia e da convivência com outros idosos". E há até fila de espera.

Inauguração e reinauguração

Samantha Ciuffa
Luana Carmona Pedrozo se diverte no playground do CSU e sonha em ser modelo um dia

O terreno onde está instalado o CSU pertence à prefeitura e o prédio foi construído pelo Estado, inaugurado em 1 de maio de 1980, pelo ex-governador Paulo Maluf e o ex-prefeito Osvaldo Sbeghen. Desde então, a gestão sempre foi compartilhada entre o município e o Estado, que pagava as contas de água e luz e a vigilância do espaço. Em 2000, o local chegou a ser reformado e reinaugurado, na gestão do ex-prefeito Nilson Costa.

No último ano, o Estado iniciou a transferência da responsabilidade definitiva do prédio ao município. Apesar de nada ter sido formalizado no papel, a prefeitura diz que ela é a atual responsável tanto pelas contas quanto pela manutenção do prédio.

Vidas transformadas pelo CSU

Alguns vizinhos do Centro Social Urbano do Jd. Bela Vista ainda olham para o local ainda com a expectativa de que um dia ele volte a funcionar com sua plena capacidade. Mas enquanto isso não acontece, as dezenas de vidas que passam por lá todos os anos e são transformadas pelas ações já são suficientes para demonstrar a importância que existe em manter o local vivo.

Dimas Kauan da Silva, de 11 anos, por exemplo, não troca por nada os amigos e o aprendizado que tem levado consigo a cada novo ano letivo na unidade. Há cinco anos, ele frequenta o espaço, que já foi "casa" de dois outros irmãos mais velhos e que ainda acolhe outros três irmãos dele.

"Eu adoro aqui, porque consigo me desenvolver mais, não me vejo fazendo outra coisa à tarde. Se estivesse em casa, acho que estaria sozinho e assistindo TV ou brincando pela rua" comenta.

Assim como ele, Luana Carmona Pedrozo, 11 anos, acredita que seu desenvolvimento vai além no CSU. "Eu quero ser modelo um dia, preciso estudar para chegar lá", projeta a garota.

XÔ SEDENTARISMO

Há cinco anos frequentando as atividades da tarde no local, Neide Martines, 80 anos, diz sentir-se cmais jovem.

"Aqui é como voltar nos tempos de escola. Fiz muitas amigas, conversamos a tarde toda, me faz muito bem. Em casa, eu ficaria o dia todo sozinha", afirma a idosa, que participava de uma dinâmica na qual teria que escrever em uma folha nas costas das colegas as características de cada uma.

Aos 89 anos e em plena atividade, Julita Martins completou dois anos de CSU e não pretende parar. "Eu moro sozinha e não consigo andar muito. Aqui, o pessoal me ajuda", pontua.

Mais nova das três, Elza Zorzetto, de 76 anos, diz que é sempre uma alegria a hora de ir para o CSU. "Eu almoço e já venho para cá. Antes, eu não tinha nada para fazer em casa, era sempre triste, meu marido e meus sogros faleceram. Aqui, tenho amizades e mil motivos para sorrir o dia todo", fecha questão a idosa com um belo sorriso no rosto.

Mulheres que brilham: um drible no sedentarismo

Alguns vizinhos do Centro Social Urbano do Jd. Bela Vista ainda olham para o local com a expectativa de que, um dia, volte a funcionar com sua plena capacidade. Mas, enquanto isso não acontece, as dezenas de vidas que passam por lá todos os anos e são transformadas pelas ações já são suficientes para demonstrar a importância que existe em manter o local vivo.

Dimas Kauan da Silva, de 11 anos, por exemplo, não troca por nada os amigos e o aprendizado que tem levado consigo a cada novo ano letivo na unidade.

Há cinco anos, frequenta o espaço, que já foi "casa" de dois outros irmãos mais velhos e que ainda acolhe outros três irmãos dele.

"Eu adoro aqui, porque consigo me desenvolver mais, não me vejo fazendo outra coisa à tarde. Se estivesse em casa, acho que estaria sozinho e assistindo TV ou brincando pela rua" comenta.

Assim como ele, Luana Carmona Pedrozo, 11 anos, acredita que seu desenvolvimento vai além no CSU. "Eu quero ser modelo um dia, preciso estudar para chegar lá", projeta a garota.

VITALIDADE

Há cinco anos frequentando as atividades da tarde no local, Neide Martines, 80 anos, diz sentir-se cmais jovem.

"Aqui é como voltar nos tempos de escola. Fiz muitas amigas, conversamos a tarde toda, me faz muito bem. Em casa, eu ficaria o dia todo sozinha", afirma a idosa, que participava de uma dinâmica na qual teria que escrever em uma folha nas costas das colegas as características de cada uma.

Aos 89 anos e em plena atividade, Julita Martins completou dois anos de CSU e não pretende parar. "Eu moro sozinha e não consigo andar muito. Aqui, o pessoal me ajuda", pontua.

Mais nova das três, Elza Zorzetto, de 76 anos, diz que é sempre uma alegria a hora de ir para o CSU.

"Eu almoço e já venho para cá. Antes, eu não tinha nada para fazer em casa, era sempre triste, meu marido e meus sogros faleceram. Aqui, tenho amizades e mil motivos para sorrir o dia todo", fecha questão a idosa com um belo sorriso no rosto.

'Bons tempos'

Maria de Oliveira, 37 anos, mora a quatro quadras do CSU e há 35 anos na região do bairro Gerson França, onde a unidade fica instalada. Ela acompanhou a inauguração da unidade e era uma das frequentadoras mais assíduas do espaço. Saudosa, ela lembra que na década de 80 seu filho conheceu o que era piscina e aprendeu a nadar lá. Enquanto ela frequentava vários cursos, além de natação, inclusive de crochê e pintura em tecido. "Fiz muita amizade lá, era muito gostoso. As tardes tinham outro sabor, mas, infelizmente, tudo foi acabando", lembra Maria, mostrando os trabalhos em tecido que guarda da época com carinho.

Unidade vive incertezas em seu futuro

As fotos desta reportagem transcendem o que texto a seguir é capaz de dizer. Por meio delas, é possível ter ideia do que se transformou parte do Centro Social Urbano do Bela Vista, 37 anos após sua inauguração. Por mais que a Sebes se esforce mantendo dois projetos no local, a verba da pasta não é suficiente para cuidar da área toda e de todos os dispositivos esportivos que a unidade possui. A saída pensada pelo poder municipal para tentar solucionar o problema está na gestão compartilhada entre Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Turismo (Semel), mas ainda não há definições sobre o assunto.

DESATIVADOS

A área da piscina, por exemplo, que por anos foi uma das mais requisitadas no "clube" da vizinhança do Jardim Gerson França, acumulava água de chuva e mato alto, quando foi visitada pelo JC nesta semana.

Por meio de nota, a Sebes informou ter solicitado ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) a retirada da água empossada. A pasta informou ainda que não pretende reativar a piscina.

Também ponto de encontro de gerações no passado, o campo de futebol, localizado aos fundos do CSU, está abandonado e sofre com efeitos do vandalismo e intempéries. Os muros e grades ao redor do estádio estão com trechos em ruínas e as brechas abrem espaço para invasões e ao uso e tráfico de drogas no local.

Fotos: Malavolta Jr.
A piscina, que por anos foi uma das mais requisitadas no CSU, segue desativada e sem projeto para voltar a funcionar

Há alguns anos, o espaço tem sido mantido fechado pelo ajudante geral do CSU Gilberto Rossato, 55 anos. "O pessoal da Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) capina tudo, mas os muros e as grades estão em ruínas e a população acaba jogando lixo aqui", comenta. Ele e a agente social da unidade Aparecida Maria Marques, 60 anos, se revezam na fiscalização dos arredores do estádio no interior do CSU. "Já encontrei pino de droga vazio, seringa e outras tranqueiras. Limpo tudo por causa das crianças", comenta Gilberto.

"Dá uma tristeza. Mesmo com vigia à noite acontece de vândalos entrarem. O pessoal que frequentava aqui antigamente acha que o lugar está abandonado", acrescenta Aparecida.

PARA OUTROS FINS

A quadra cimentada, que há anos não vê uma pintura e reparos, é utilizada, de vez em quando, por frequentadores do espaço, para outros fins, que não o esporte. As atividades de esporte dos projetos mantidos no local junto à Sebes, inclusive, foram transferidas para a quadra Azulão, vizinha do CSU, por causa da péssima condição do dispositivo.

"Não temos verba para manter tudo, mas irei conversar com o prefeito e o secretário da Semel para definir o que podemos fazer para recuperar e revitalizar esses espaços", afirma José Carlos Fernandes (Carlão), titular da Sebes.

Para ele, a melhor saída para o espaço seria a gestão compartilhada, o que possibilitaria a união de verbas e de recursos humanos para a manutenção do local.

INTERESSE

Luiz Francisco Faustini (Garrincha), titular da Semel, reforça o interesse da pasta em assumir o local, mas afirma que não há condições disso acontecer enquanto houver andamento normal dos projetos da Sebes por lá.

"Queremos levar a sede da Semel para lá no ano que vem, mas precisaríamos construir outras salas para continuar abrigando os projetos da Sebes. Ainda não dá para dizer o que faremos de fato, estamos em tratativas com o prefeito", finaliza Garrincha.

Época de ouro

As fotos desta reportagem transcendem o que texto a seguir é capaz de dizer. Por meio delas, é possível ter ideia do que se transformou parte do Centro Social Urbano do Bela Vista, 37 anos após sua inauguração. Por mais que a Sebes se esforce mantendo dois projetos no local, a verba da pasta não é suficiente para cuidar da área toda e de todos os dispositivos esportivos que a unidade possui. A saída pensada pelo poder municipal para tentar solucionar o problema está na gestão compartilhada entre Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Turismo (Semel), mas ainda não há definições sobre o assunto.

DESATIVADOS

A área da piscina, por exemplo, que por anos foi uma das mais requisitadas no "clube" da vizinhança do Jardim Gerson França, acumulava água de chuva e mato alto, quando foi visitada pelo JC nesta semana.

Por meio de nota, a Sebes informou ter solicitado ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) a retirada da água empossada. A pasta informou ainda que não pretende reativar a piscina.

Também ponto de encontro de gerações no passado, o campo de futebol, localizado aos fundos do CSU, está abandonado e sofre com efeitos do vandalismo e intempéries. Os muros e grades ao redor do estádio estão com trechos em ruínas e as brechas abrem espaço para invasões e ao uso e tráfico de drogas no local.

Há alguns anos, o espaço tem sido mantido fechado pelo ajudante geral do CSU Gilberto Rossato, 55 anos. "O pessoal da Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) capina tudo, mas os muros e as grades estão em ruínas e a população acaba jogando lixo aqui", comenta. Ele e a agente social da unidade Aparecida Maria Marques, 60 anos, se revezam na fiscalização dos arredores do estádio no interior do CSU. "Já encontrei pino de droga vazio, seringa e outras tranqueiras. Limpo tudo por causa das crianças", comenta Gilberto.

"Dá uma tristeza. Mesmo com vigia à noite acontece de vândalos entrarem. O pessoal que frequentava aqui antigamente acha que o lugar está abandonado", acrescenta Aparecida.

PARA OUTROS FINS

A quadra cimentada, que há anos não vê uma pintura e reparos, é utilizada, de vez em quando, por frequentadores do espaço, para outros fins, que não o esporte. As atividades de esporte dos projetos mantidos no local junto à Sebes, inclusive, foram transferidas para a quadra Azulão, vizinha do CSU, por causa da péssima condição do dispositivo.

"Não temos verba para manter tudo, mas irei conversar com o prefeito e o secretário da Semel para definir o que podemos fazer para recuperar e revitalizar esses espaços", afirma José Carlos Fernandes (Carlão), titular da Sebes.

Para ele, a melhor saída para o espaço seria a gestão compartilhada, o que possibilitaria a união de verbas e de recursos humanos para a manutenção do local.

INTERESSE

Luiz Francisco Faustini (Garrincha), titular da Semel, reforça o interesse da pasta em assumir o local, mas afirma que não há condições disso acontecer enquanto houver andamento normal dos projetos da Sebes por lá.

"Queremos levar a sede da Semel para lá no ano que vem, mas precisaríamos construir outras salas para continuar abrigando os projetos da Sebes. Ainda não dá para dizer o que faremos de fato, estamos em tratativas com o prefeito", finaliza Garrincha.

SERVIÇO

O CSU fica na

rua Rui Barbosa, 17-51,

Jardim Bela Vista.

Telefones são (14) 3212-1838

e (14) 3212-7959.

 

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