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Passarelas exigem coragem e equilíbrio

Perigosas, algumas passagens de pedestre sobre rios e córregos construídas para interligar bairros de Bauru estão em estado precário de conservação

23/09/17 07:00
Tisa Moraes
Fotos: Samantha Ciuffa
Eurides depende de passagem precária para sair do Jd. Europa em direção à Affonso José Aiello
Passagem entre vilas Independência e Santa Clara está cedendo
Estrutura metálica sobre o Rio Bauru está corroída

É com uma boa dose de coragem e equilíbrio que muitos pedestres encurtam distâncias em Bauru. Perigosas, algumas passarelas sobre rios e córregos construídas para interligar bairros estão em estado precário de conservação, ameaçando a vida de quem se arrisca na travessia.

Um dos casos mais graves é o da passagem que divide a região das vilas Independência e Santa Clara, nas proximidades da indústria de alimentos Sina, antiga Sambra. Segundo a Defesa Civil, o trecho foi interditado há duas semanas, mas, na última quinta-feira, o JC flagrou a movimentação de pedestres no local.

Moradora da Vila Giunta, a jardineira Sara Xavier Santos atravessa todos os dias a passarela, que - em meio ao mato alto, mau cheiro, lixo e entulho - está literalmente desmoronando. "Normalmente, passo por aqui só com o meu marido, porque tenho medo", diz, acrescentando que, devido à má conservação de uma outra pinguela próxima, prefere ir de um lado a outro por dentro do córrego Água do Sobrado.

Já em relação aos moradores da Vila Santa Clara, as principais penalizadas são as crianças da Escola Estadual Professor Henrique Bertolucci, na região da Independência, a cerca de 300 metros da passagem. Sem o atalho, ela precisam andar quase 2 quilômetros pelo viaduto Antônio Eufrásio de Toledo ou pela Comendador José da Silva Martha.

Construída para interligar o Jardim Europa à avenida Affonso José Aiello, a passarela existente na quadra 9 da rua Lázaro Rodrigues também corre risco de desabar. Devido à erosão existente no local, parte da rua de terra que dava acesso a um dos lados da passagem desbarrancou, tornando a travessia ainda mais perigosa.

"Os moradores colocaram um pedaço de madeira para conseguir chegar na ponte, mas a proteção de metal está solta, balança se a gente, que tem mais dificuldade, apoiar para não correr o risco de cair", conta a dona de casa Eurides Roque Pereira, 69 anos, que vez ou outra precisa passar pelo trecho para chegar à Vila Aviação. "Tem muito trabalhador, inclusive meu marido, que faz este caminho todo dia. É muito perigoso", lamenta.

CORROSÃO

Cravada em meio ao cenário de desenvolvimento urbano, a passarela existente na altura da quadra 8 da Nuno de Assis, sobre o Rio Bauru, para interligar o Centro ao Bela Vista aparenta estar em excelente estado, se comparadas às demais. Mas basta um olhar um pouco mais atento para perceber que a estrutura metálica do equipamento está sendo corroída pela ação do tempo.

Moradora do Jardim Bela Vista, a revendedora Natália Ribeiro, 29 anos, conta que já viu a passagem em condições piores em um passado não tão distante. Mesmo assim, ela revela receio em fazer o trajeto. "A gente sente a madeira um pouco solta, mas ainda prefiro ir por aqui. Para quem anda a pé, fica longe se for desviar".

O trânsito de pedestres no local é bastante intenso. Para alento de Natália e das centenas de moradores que utilizam o trecho, a Secretaria de Obras prevê recuperar a estrutura dentro de, no máximo, um mês. "O serviço, em si, é relativamente simples, mas temos de analisar como será feito o acesso a esta estrutura, que está sobre o rio", aponta o titular da pasta, Ricardo Olivatto.

Demanda urgente

Segundo a Defesa Civil, o ideal é que a recuperação das passarelas em estado mais crítico seja feita antes do início da temporada de chuvas, em dezembro. "Algumas delas são muito importantes para os moradores e, com a chuvas mais frequentes, até mesmo a passagem sobre o Rio Bauru pode ser derrubada", alerta o coordenador do órgão, Sidnei Rodrigues.

Segundo o secretário de Obras, Ricardo Olivatto, além de recuperar a passarela da Nuno de Assis, a pasta também estuda melhorar o acesso do Jardim Europa à avenida Affonso José Aiello ainda neste ano. Orçadas em aproximadamente R$ 350 mil, as obras contemplariam implantação de galerias e uma nova passagem, que também comportaria o trânsito de veículos.

"A ideia é fazer algo semelhante ao que foi feito no acesso às Chácaras Bauruenses. Se nenhuma outra prioridade surgir, teremos condições, dentro do planejamento orçamentário para este ano", pontua. Já em relação à estrutura que interliga as vilas Independência e Santa Clara, Olivatto afirma que enviará técnicos para ver as condições do local e adotar as medidas cabíveis.

SERVIÇO

Reclamações sobre passarelas degradadas podem ser feitas no Poupatempo, que fica na rua Inconfidência, 4-50, no Centro, ou na Secretaria de Obras, pelo (14) 3235-1111.

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