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Tropicalismo é o tema escolhido para marcar a 33ª Feira do Livro de Brasília

17/06/17 08:00
Luciano Nascimento/ABr

Com a promessa de aproximar escritores locais e o grande público foi aberta nessa sexta-feira (16) a 33ª Feira do Livro de Brasília. O evento, realizado na área externa do Shopping Pátio Brasil, um dos mais antigos da cidade, acontece este ano em meio a um cenário de escassez de recursos, mas de muita disposição dos realizadores.

Com o custo orçado em R$ 250 mil reais, a feira que vai até o dia 25 de junho reúne uma média de 90 estandes e cerca de 50 expositores de livrarias e editoras de várias partes do país. Com o tema de Inclusão e Cidadania, além da venda de livros, a feira terá espaço para realização de debates, conversa com autores, homenagens, leitura de poemas e saraus.

O poeta e jornalista Luiz Turiba, um dos curadores da feira, disse que a realização do evento só foi possível porque os organizadores adotaram um “tom tropicalista”. “Imagine fazer uma feira do livro em um país em crise, de muita dificuldades. Então, fico numa alegria vendo as pessoas andando pelos corredores, passeando e comprando. É realmente um ato heroico de resistência cultural”, afirmou Turiba.

Este ano, a feira faz homenagem aos escritores João Almino, Gustavo Dourado e ao livreiro Ivan da Silva, conhecido como Ivan Presença, em razão do papel de destaque que sua livraria Presença tem para a cultura no Distrito Federal. Os três foram homenageados com o a entrega do trofeu Quixotinho na abertura oficial da feira no fim da tarde desta sexta-feira.

Nascido no Rio Grane do Norte e radicado em Brasília, Almino foi eleito em março para a cadeira 22 da Academia Brasileira de Letras (ABL), em substituição a Ivo Pitanguy, que morreu em agosto do ano passado.

João Almino é autor de seis romances, bem recebidos pela crítica e com histórias ambientadas em Brasília. Entre eles, As Cinco Estações do Amor (2001), vencedor do Prêmio Casa de Las Americas de 2003, e Cidade Livre (2010), finalista dos prêmios Jabuti e Portugal-Telecom. “Se, de um lado, dei algo na minha literatura à Brasília, recebi muito mais da cidade. Sua ideia, seu projeto puderam me inspirar como escritor.”

Almino que lança em outubro o romance Entre facas, algodão, em que o Distrito Federal volta a aparecer como cenário, afirmou que o início de sua jornada no muindo literário ocorreu na feira do livro e na Livraria Presença. “Meu primeiro romance foi lançado na feira do livro e o 2º na Livraria Presença, que teve papel fundamental para muitos escritores daqui.”

A opinião foi reforçada pelo poeta e cordelista Gustavo Dourado, para quem o evento propicia uma espécie de vitrine para as produções locais. “É um evento em que a abordagem também gira em função de valorizar a literatura brasiliense, a literatura produzida no Distrito Federal.”

O escritor, com vasta produção em literatura de cordel e que também é presidente da Academia Taguatinguense de Letras, aproveitou a oportunidade e informou que a academia lancará amanhã uma antologia com autores locais.

“Estamos lançando a primeira antologia da academia, com 145 autores locais, dos 12 aos 70 anos. Temos ainda poemas inéditos de Carlos Drummond de Andrade, do Mario Quintana, do Décio Pignatari, do Renato Russo”, disse Dourado.

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