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Carnaval 2018 em discussão

Formas de fortalecimento e otimização da Folia de Momo em Bauru pautaram reunião realizada semana passada; sambista Leci Brandão participou

10/10/17 07:00
Ana Beatriz Garcia
Fotos: Ana Beatriz Garcia
Osmar Costa, vice-presidente da “Rosas de Ouro”, avalia que as escolas precisam criar alternativas sempre de olho no futuro
Fonseca diz que escolas devem se fortalecer ao longo ano
Leci Brandão: é preciso pensar o Carnaval além do desfile

Membros de escolas e de blocos carnavalescos se reuniram na tarde da última sexta-feira (6) com representantes do poder público e da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp, no Auditório do Departamento de Educação da universidade, para discutir o fortalecimento e otimização do Carnaval de Bauru.

Além de secretários municipais, integrantes do NeoCriativa - grupo de estudos da Faac voltado à economia criativa e arranjos produtivos da cidade -, e do diretor da Faac Bauru, Marcelo Carbone, o evento contou com os depoimentos de Osmar Costa, vice-presidente do GRCES "Rosas de Ouro" e membro da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, e de uma das mais importantes intérpretes de samba do País, Leci Brandão (PCdoB), deputada estadual, cantora e compositora brasileira.

"Buscamos a conscientização da necessidade de uma organização do Carnaval de Bauru. Tudo isso, levando em consideração as dificuldades que os municípios do Interior estão tendo para manter essa festa em suas cidades", afirma o secretário municipal de Cultura, Luiz Antônio Fernandes Fonseca.

Segundo o secretário, em 2017, mais de 90 cidades abandonaram o Carnaval por falta de recursos. "As agremiações têm que se fortalecer enquanto escolas e blocos, fazendo um trabalho diferente de organização e de imagem na busca de outros apoios, além da prefeitura, é claro. Ano que vem está garantido, mas a tendência futura é de que não haja essa dependência do poder público, pois estamos há três anos em queda de arrecadação. Caso haja uma queda mais brusca, o nosso Carnaval fica em risco", explica Fonseca.

Ainda de acordo com o secretário, para otimizar a realização do Carnaval de Bauru, o primeiro passo é a organização e o planejamento de ações que trarão melhorias para o evento.  "Para esse Carnaval, temos sete escolas e 11 blocos inscritos. Este ano, com uma diferença: todos deveriam estar legalizados perante à Justiça. Muitos estavam sem CNPJ e correram para resolver isso. Esse já é um avanço. Nós temos que engrandecer o trabalho que eles realizam, fazer que a renda permaneça em Bauru e gerar novas frentes de renda e de trabalho. Tudo durante um ano e não dois meses", comenta o secretário.

Para apresentar uma visão estratégica sobre a realidade das escolas de samba da capital, Osmar Costa, vice-presidente da "Rosas de Ouro" e membro da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, compartilhou o case de sucesso da escola.

"O ideal para as escolas é que elas sejam autossustentáveis, que criem alternativas para agrupar suas comunidades, ter um processo de funcionamento nos 365 dias do ano, não focar somente no dia do desfile, mas promover ações sociais e de inclusão. Essas são estratégias para se criar raízes fortes para não ser massacrado no futuro", comenta Osmar Costa.

INCENTIVO

A deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), membro da Comissão de Educação e Cultura, também vem estruturando na Assembleia Legislativa uma frente parlamentar em defesa da cultura do carnaval e falou sobre a importância da iniciativa.

"Esse encontro é muito importante. Toda vez que se coloca a universidade dentro de um contexto para fortalecer culturalmente a cidade, é muito positivo. Acredito que Bauru terá um outro tipo de reflexão e de consciência em relação a fazer um Carnaval além do desfile, dar outras contribuições", frisa Leci Brandão.

A cantora compartilhou com as agremiações as histórias que vivenciou no Carnaval e falou sobre a representação cultural dessa festa. A deputada ainda ressaltou que o Carnaval pode ser feito de forma criativa e não só como uma questão mercadológica, destacando a importância do envolvimento da comunidade.

Ações

Representando a Pró Reitoria de Extensão da Unesp, o também coordenador do NeoCriativa, professor Juarez Tadeu de Paula Xavier, comenta que o auxílio da universidade às escolas e blocos para melhorias no Carnaval já começou. "Nossa perspectiva é tentar juntar o que estamos discutindo no campo da economia criativa, em especial o que chamamos de arranjos produtivos subalternos, com a questão concreta que é o território do samba de Bauru por meio de materiais de TCC e projetos de extensão que já foram realizados e estão à disposição das agremiações", afirma Juarez. As ações seriam, ainda segundo o professor, realizadas em três momentos: no de levantamento de dados e indicadores sobre o Carnaval visando um planejamento estratégico para o conjunto de escolas da cidade; na formação de corpo de jurados e de pessoas envolvidas na cadeia criativa com cursos gratuitos; e colocando à disposição os veículos de comunicação e de projetos de extensão da universidade para promoção das escolas.

"Desde quando estou em Bauru, em 2011, é a primeira vez que eu vejo se discutir o Carnaval com esse tempo de antecedência. Eu trabalho com a hipótese de que isso já cria um elemento de sensibilização, primeira fase para o engajamento. Acredito que já será possível sentir mudanças no próximo Carnaval", ressalta o professor.

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