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Agronegócio sustenta alta do PIB no País, mas não tem contrapartida

Depois de dois anos no vermelho, índice cresceu no 1º trimestre, puxado pelo setor, que critica a estagnação das condições para empréstimos oferecidas pelo governo federal

06/06/17 07:00
Tisa Moraes
Malavolta Jr.
Arnaldo Jardim: “Governo precisa imediatamente repensar sobre as taxas de juros do Plano Safra”

Depois de dois anos seguidos de encolhimento da economia, o Produto Interno Bruto (PIB) - soma de todos os bens e serviços que o País produziu - cresceu nos primeiros três meses de 2017. Conforme o IBGE divulgou, a alta foi de 1% em relação ao 4.º trimestre de 2016, já descontados os efeitos sazonais.

E a agropecuária foi a principal responsável por sustentar a retomada do crescimento econômico, por ter registrado aumento do PIB de 13,4% no período, impulsionado por safras recordes de grãos. Apesar de ter garantido o resultado positivo, o setor se frustrou com os subsídios oferecidos pelo governo federal para fomentar a produção no campo.

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, criticou a redução de apenas 1% da taxa de juros do Plano Safra 2017/2018 para as linhas de crédito da agricultura empresarial. Para o titular da pasta, a diminuição deveria, ao menos, ser proporcional à queda da Selic, mantendo o diferencial em relação à taxa de inflação.

"No ano passado, a taxa Selic era de 14,25%. Não há como ignorar que atualmente esteja em 10,25% e pode ainda diminuir. A inflação era de 6,5%, com a previsão de chegar a 4,2% e tendência declinante para 2018. O governo precisa imediatamente repensar sobre isso", observa.

Para a agricultura familiar, a notícia foi ainda pior, já que a Presidência da República manteve o mesmo índice de juros praticado na safra passada, de 2,5%, para a produção de arroz, feijão, mandioca, leite, alho, tomate, cebola, batata, abacaxi, banana, açaí, laranja e olerícolas. A taxa é o mesma para investimentos em irrigação, armazenagem e práticas sustentáveis de manejo do solo e da água e tecnologias de energia renovável, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

ESTAGNAÇÃO

Ao todo, serão destinados, a partir de julho, R$ 30 bilhões para crédito a agricultores familiares dentro do Plano Safra 2017/2018. Trata-se do mesmo valor liberado no ano passado, ainda no governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

Diretor-tesoureiro da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado de São Paulo (Fetaesp), Elias David de Souza também criticou a estagnação do montante reservado para as linhas de crédito. "Acreditamos que vai faltar recurso. E, como o custo de produção tende a aumentar, a oferta de taxa de juros menor ajudaria os produtores a equilibrar suas contas", lamenta.

Condições climáticas

Já o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, avalia que a taxa de juros praticada é menos importante para a produtividade do que, por exemplo, as condições climáticas. "Diante de uma chuvarada, o peso do juro de um financiamento desaparece no final. É claro que, quanto mais baixa a taxa, melhor, mas o importante é a capacidade de comercialização, seja para o mercado interno ou externo, além do clima", argumenta.

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