Previsão do Tempo
Bauru
Geral

Pós-Graduação: menos aulas e mais pesquisas

É o que ocorre, principalmente, nos cursos de mestrado e doutorado acadêmicos, cuja ideia é trazer inovações que impactem na vida das pessoas

11/10/17 07:00
Cinthia Milanez
Fotos: Samantha Ciuffa/JC Imagens
Diretor da Faac, Marcelo Carbone: “Inovar é desenvolver pesquisas que colaborem para melhorar a vida das pessoas”
Guilherme Janson, da FOB/USP, diz que as aulas formais devem diminuir cada vez mais nos cursos de mestrado e doutorado acadêmicos
Divulgação/USC
Sandra de Oliveira Saes, da USC: “Cabe à universidade proporcionar ambientes para que o aluno possa desenvolver sua pesquisa”

Melhorar a ergonomia das cadeiras de rodas é apenas um dos diversos projetos do Programa de Pós-Graduação em Design da Unesp, em Bauru. Com menos aula e mais pesquisa, os cursos de mestrado e doutorado acadêmicos pretendem trazer inovações como esta, que impactam na vida das pessoas.

Essa é a tendência da pós geral, conforme avalia o diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), da Unesp de Bauru, Marcelo Carbone. Segundo ele, a inovação está na diminuição do número de aulas e em trazer impacto social, através da pesquisa de caráter criativo.

"O grande tema do momento é a inovação do ensino. Porém, inovar não é investir em Ensino a Distância (EaD), que também é uma ferramenta importante. Inovar é desenvolver pesquisas que colaborem diretamente para melhorar a vida das pessoas", reitera.

Presidente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Odontológicas Aplicadas da FOB/USP, Guilherme Janson diz que a tendência é de que as aulas formais sejam reduzidas nos cursos de mestrado e doutorado acadêmicos. "O aluno fica encarregado de apresentar seminários e desenvolver sua pesquisa fora da sala de aula".

Além disso, outra tendência é internacionalizar a pesquisa, ou seja, recomenda-se que os artigos, dissertações e teses sejam escritos também em inglês, para que o mundo tenha acesso aos trabalhos acadêmicos desenvolvidos aqui. Diante disso, cursar o idioma é exigência para se tornar pesquisador.

Pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Universidade do Sagrado Coração (USC), Sandra de Oliveira Saes confirma a tendência de oferecer um menor número de créditos durante os cursos de mestrado e doutorado acadêmicos. "Cabe à universidade, agora, proporcionar ambientes para que o aluno possa desenvolver a sua pesquisa, com resultados mais rápidos e que tragam retorno para a sociedade", pontua.

Sandra defende, ainda, que a pesquisa brasileira é financiada pelos órgãos públicos federais, através dos impostos, e nada mais justo que dê retorno à comunidade que a sustenta.

MERCADO DE TRABALHO

Diretor da Faac, Marcelo Carbone Carneiro explica que os cursos de mestrado e doutorado acadêmicos são, essencialmente, voltados à pesquisa. Já as especializações e os mestrados profissionais são direcionados ao mercado de trabalho.

Já a pró-reitora da USC, Sandra de Oliveira Saes, percebe uma mudança: o mercado de trabalho passou a exigir profissionais altamente qualificados e os cursos de mestrado e doutorado acadêmicos aparecem como um diferencial. "Algumas empresas estão em busca de profissionais qualificados para desenvolver pesquisas internas", justifica.

Exemplo disso é a parceria entre a Escola Politécnica da USP e a Embraer. "Antes, esses profissionais faziam mestrado e doutorado para se dedicar à docência. Hoje, atendem a demanda das grandes empresas", completa Sandra.

E Bauru tem condições de formar profissionais para o mercado ou a academia, já que possui 35.522 estudantes de graduação, 3.242 alunos de especialização, 865 mestrandos e 497 doutorandos, segundo o levantamento do Departamento de Relações do Trabalho, Emprego e Turismo, vinculado à prefeitura (veja quadro acima). A pesquisa foi desenvolvida junto a 18 universidades da cidade, em 2015.

Continuo estudando?

Dar ou não sequência aos estudos após a formatura da graduação é uma dúvida bastante comum entre os universitários. Para o gestor da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Flávio de Toledo, um curso terminado não significa que o estudo pode parar. "O estudo deve permanecer, deve evoluir. Não seguir, hoje, uma pós-graduação é como guardar uma planta dentro do armário. O conhecimento é algo que plantamos, fazemos nascer, começa a crescer e deve ser contínuo, permanente. Parar de estudar é bloquear um processo de evolução: o conhecimento morre, definha em pouco tempo", opina.​

Malavolta Jr.
Alecssandra Otsuka, da Focus, defende que saber falar outra língua deixou de ser “luxo”
Bruna Dias
Bruna Lara, da Wizard, diz que outros idiomas devem ser ensinados já na infância

Inglês se tornou requisito básico

Tanto para conseguir uma boa colocação no mercado de trabalho quanto para se tornar um pesquisador acadêmico, o inglês é requisito básico. O ideal é que o idioma comece a ser estudado ainda na infância, como observa a coordenadora pedagógica da Wizard, em Bauru, Bruna Cantanti Lara.

Segundo ela, as crianças conseguem absorver o conhecimento mais facilmente. Porém, nunca é tarde para aprender. É possível, sim, ser fluente em inglês com qualquer idade. "Inclusive, cada unidade da Wizard tem um perfil diferente e, por isso, não tem como determinar uma média de idade", frisa.

Já a diretora pedagógica da Focus Idiomas Bauru, Alecssandra Otsuka, defende que saber falar outra língua deixou de ser apenas "artigo de luxo" e virou necessidade. "O inglês, por exemplo, está presente em boa parte do nosso dia - em rótulos de produtos e marcas que usamos; músicas, filmes ou seriados que gostamos; e aplicativos que baixamos em nosso celular. Isso sem falar no mercado de trabalho, que exige mais capacitação de seus profissionais a cada dia que passa", argumenta.

Ainda de acordo com Alecssandra, se o adulto estiver começando do "zero" e não tiver nenhum conhecimento prévio, estima-se que vá demorar de 400 a 500 horas até conseguir estabelecer conversas e entender muito bem o que está ouvindo.

E para facilitar a vida dos estudantes, a tecnologia é usada e abusada. "Nós temos a Wizpen, por exemplo, que é uma caneta que fala. Ela auxilia o aluno a trabalhar sua pronúncia e audição", explica Bruna Cantanti Lara.

Divulgação/Wizard
A Wizpen é uma caneta que fala, auxiliando os alunos na pronúncia e na audição

Pós e mercado

Divulgação
Claudio Garbi, da Faag, acredita que pós é diferencial no mercado

Atualmente, o mercado de trabalho está extremamente seletivo e a pós-graduação se coloca como um diferencial. "Em retomada, o mercado em breve terá grandes oportunidades. Todos entendem que pessoas temos, mas profissionais preparados não. A pós-graduação entra exatamente neste ponto, refinando e requintando os conhecimentos e atuação dos profissionais", destaca Claudio Augusto Garbi , coordenador de Pós-Graduação da Faculdade de Agudos (Faag).

Mesma visão de Marcia Regina Vazooler, mantenedora da faculdade. "Antes, tínhamos cursos de pós-graduação tradicionais, como os MBAs em gestão empresarial, finanças e marketing. Hoje, as empresas buscam profissionais com formação específica e surgem cursos de pós como engenharia clínica, geoprocessamento, design de som, entre outros", ressalta.

Ainda segunda ela, nos últimos 10 anos, muita coisa mudou, tanto em relação ao perfil dos alunos de especialização quanto ao perfil dos alunos de mestrado e doutorado. "Com a internacionalização da educação, os programas de mestrado e doutorado ficaram mais acessíveis para os profissionais que já possuem uma especialização. Mestrado e o doutorado são só mais um passo para a carreira acadêmica. Nas avaliações do Ministério da Educação, as notas são atribuídas às instituições de ensino em razão da formação acadêmica de seus coordenadores e professores", complementa Vazzoler.

Já Garbi acredita na mudança do próprio mercado influenciando a pós-graduação. "O que mudou é que o mercado está buscando pessoas com conhecimento específico e embutido, uma vez que os desafios são muito grandes e a competitividade cada vez maior", conclui.

De olho nos concursos

Malavolta Jr./JC Imagens
Segundo Ferraz, a maioria daqueles que fazem o curso preparatório só têm o Ensino Médio

Há quem opte por prestar concursos públicos ao terminar o Ensino Médio ou a universidade. Sócio-proprietário e fundador da Ferraz Concursos, o professor Ferraz alega que a maioria daqueles que procuram pela escola concluiu o Ensino Médio e já trabalha, mas sonha com salários maiores, sem cursar a faculdade. “E o aluno que trabalha durante o dia e estuda à noite é o que consegue passar, porque se esforça e sabe o que quer”, observa.

Ler matéria completa
Mais notícias em Geral
As mais compartilhadas no Face
Recomendado
voltar ao topo