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Polícia esclarece fogo no Caic

Autores possuem entre 11 e 17 anos e acenderam fogueira; responsáveis por arrombamento são irmãos de 14 e 18 anos

12/10/17 07:00
Tisa Moraes
Divulgação
Dois alunos e dois ex-alunos estão entre as pessoas identificadas como autoras do incêndio

Uma criança de 11 anos e sete adolescentes entre 12 e 18 anos, todos sem passagens pela polícia, foram os responsáveis pelos atos de vandalismo registrados em 30 de setembro, na Escola Estadual Professora Marta Aparecida Hjertquist Barbosa (Caic), no Nova Esperança. Ainda que tenham ocorrido na mesma noite, o arrombamento e o incêndio que destruiu parte da unidade foram provocados em circunstâncias distintas, por alunos, ex-alunos e estudantes de outras escolas que invadiram o prédio durante o fim de semana em busca de diversão.

Foi esta a conclusão a que chegou o Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Bauru, após uma semana e meia de apurações, que descartaram a ação de traficantes de drogas no caso - hipótese considerada inicialmente. Na manhã de ontem, quatro equipes do departamento detiveram os oito suspeitos, além de um informante, em suas residências.

Acompanhados dos pais, eles foram levados à Central de Polícia Judiciária (CPJ) para prestar depoimentos e, embora alguns não tenham confessado, a participação deles nas ocorrências é dada como certa. Todos, contudo, permanecem preliminarmente em liberdade, por se tratarem de atos infracionais de menor potencial ofensivo.

"A medida socioeducativa a ser aplicada aos que têm entre 12 e 17 anos será definida pela Vara da Infância e Juventude e poderá ser de uma advertência à apreensão. Já à criança de 11 anos não cabe qualquer punição", esclarece o coordenador do SIG, delegado Richard Serrano.

Ele explica que as primeiras pistas concretas sobre o caso vieram por meio do disque-denúncia da Polícia Civil, que trouxe a informação sobre o envolvimento de dois adolescentes, não estudantes do Caic. Na última sexta-feira, novas evidências se juntaram ao quebra-cabeça, quando um adolescente de 16 anos, ex-aluno da escola, foi detido com 100 porções de maconha na mesma região onde fica a unidade.

"Ele acabou contando com riqueza de detalhes como o incêndio ocorreu. Embora tenha dito não ter presenciado a ação, ao final, após todos os depoimentos colhidos, sua participação acabou ficando comprovada", pontua Serrano.

O INCÊNDIO

Na segunda-feira, um aluno do Caic, de 11 anos, forneceu novos dados aos policiais, que estiveram na escola também para ouvir funcionários e a diretoria. "Ele contou que é comum a garotada entrar na unidade todos os finais de semana para jogar bola, namorar e beber, até por não haver vigilância no local. Por volta das 22h do dia 30, ele estava com um grupo que decidiu fazer uma fogueira com galhos e folhas de árvore secas, mas as chamas se alastraram, atingindo um toldo de fibra de vidro e, em seguida, janelas e portas de madeirite", detalha.

Diante da dimensão do incêndio, que avançou sobre seis salas de aula e dois banheiros, eles decidiram fugir e não chamaram ajuda. Desta ocorrência, o SIG apurou que participaram, além da criança de 11 anos, outro aluno de 12 anos, dois ex-alunos de 15 e 16 anos (este último detido com maconha na última sexta-feira) e dois estudantes de outras escolas, de 15 e 17 anos.

Arrombamento

Durante os depoimentos prestados nessa quarta-feira (11) na CPJ, um dos jovens detidos forneceu a identidade dos dois adolescentes descritos preliminarmente ainda no início das investigações, no disque-denúncia da Polícia Civil. Eles são dois irmãos, de 14 e 18 anos, que se envolveram no arrombamento e furto de alimentos da escola.

"O mais novo nos contou que eles foram ao Caic para jogar bola e, como moravam longe e estavam cansados, decidiram arrombar a porta da cozinha para comer e tomar um suco antes de voltar para casa a pé. Eles dizem ter ido embora antes mesmo de o grupo que provocou o incêndio chegar. Da mesma forma, o grupo que fez a fogueira não chegou a ver a porta arrombada", descreve o delegado Richard Serrano, salientando que duas horas teriam transcorrido entre uma ocorrência e outra.

De acordo com ele, o irmão mais velho responderá a inquérito por furto qualificado e por corrupção de menor, por ter levado o mais novo a praticar o ato ilícito.

Reforma 

Por meio de nota, a Diretoria Regional de Ensino (DRE) de Bauru informou que as aulas foram retomadas no Caic no dia 5 e que as reposições dos dias perdidos já estão sendo feitas aos sábados. Sobre os alunos da unidade envolvidos no incêndio, a DRE esclarece que reunirá o conselho de escola - órgão formado por pais, alunos, comunidade, professores e funcionários - para discutir as medidas a serem adotadas de acordo com o regimento, além de pedir auxílio ao Conselho Tutelar.

Entre os reparos a serem realizados após o incêndio e obra que já estava prevista, os investimentos devem chegar a cerca de R$ 490 mil. A DRE não informou, contudo, se, dentro deste orçamento, estão previstas a instalação de novas câmeras para reforçar a segurança da escola.

Segundo informações prestadas pela diretoria da escola à Polícia Civil, o Caic está sem vigia há dois anos e conta, hoje, somente com quatro pontos de monitoramento distribuídos na sala direção, secretaria, biblioteca e sala de informática.

Governador aposta em mediadores para reforçar segurança nas escolas

Em evento na região, na manhã dessa quarta-feira (11), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou ser possível reforçar a segurança das unidades escolares com vigilantes e câmeras de monitoramento, porém, a principal aposta do governo é a formação de mediadores, que são profissionais da própria unidade (como professores) que podem atuar na solução de conflitos internos e melhorar o diálogo com a comunidade.

"Estamos trabalhando para aumentar os mediadores principalmente em escolas maiores. Hoje, já são 3,8 mil mediadores e vamos ter mais de 5 mil ao todo, em breve. Em relação à vigilância, a gente coloca câmaras de vídeo onde for possível", disse.

Na próxima segunda-feira, os vereadores de Bauru votarão, em sessão ordinária da Câmara Municipal, Moção de Apelo ao governador e ao secretário de Estado da Educação para que ampliem o videomonitoramento no Caic. A moção é de autoria da Comissão de Educação e Assistência Social.

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