Previsão do Tempo
Bauru
Política

Audiência discute os grandes geradores de lixo hoje à tarde

Reunião pública, às 14 horas, na Câmara, debate o pagamento da conta, que atualmente é dividida entre os bauruenses

28/09/17 07:00
Malavolta Jr.
A audiência pública de hoje, a exemplo das sessões ordinárias, deverá despertar muita atenção

A legislação nacional de resíduos sólidos aponta, desde 2010, que os grandes geradores de lixo devem custear a destinação correta do material que produzem em  suas atividades. Mas em Bauru quem paga essa conta são todos os consumidores comuns. A adequação da regra depende da vontade política do prefeito. Entretanto, a medida que tornaria justa a política de cobrança do que sobra do lixo gerado por cada um - pessoas e empresas (rejeito) - não interessa à Emdurb, que perderia a receita do serviço exatamente dos maiores clientes. Esta situação vai a debate nesta quinta-feira (28), às 14 horas, em audiência pública no plenário da Câmara Municipal de Bauru.

O encontro, aberto aos interessados, pretende discutir a adequação de Bauru à Política Nacional de Resíduos Sólidos. O autor do pedido de debate é o presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PDT), em conjunto com Coronel Meira (PSB), com apoio dos demais vereadores. "Temos de pôr esse tema na pauta. O grande gerador de lixo, conforme a norma federal, tem de responder pelo destino do que produz. Mas para isso em Bauru a prefeitura tem de discutir a nova regra. Queremos discutir essa política e as faixas de produção de lixo, comparando com outras cidades, para regulamentar quem são e quais são os grandes geradores para nossa situação. Não dá para fugir do debate, é política ambiental a ser definida", aborda Bussola.  

Por isso, estão convidados a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (Emdurb) o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Comdema), além de integrantes da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda (Sedecon) e o escritório regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

A ideia de Bussola é iniciar o debate público antes de protocolar projeto de lei que torna os grandes geradores responsáveis por seus resíduos. Atualmente, a administração municipal coleta e garante a destinação tanto do lixo doméstico quanto de empresas que geram considerável volume de materiais orgânicos e recicláveis. Na proposta defendida pelo presidente da Câmara, essas empresas passarão a contratar diretamente esses serviços. A definição de grandes geradores depende ainda de regulamentação pelo Poder Executivo.

VOLUME

O JC consultou empresas especializadas no setor que atuam na cidade. A estimativa é de que o setor privado responda por 600 toneladas mensais hoje do segmento. Em municípios de porte médio como Bauru a legislação fixa como grande gerador aquele que produz pelo menos 100 litros/dia de rejeito, o equivalente a um saco grande de lixo. O maior volume local é do comércio, com ênfase para o setor de alimentação na geração de restos orgânicos. 

Há, conforme a consulta, muita perda por descarte ou destinação irregular de resíduos, sobretudo de alimentos. Outro inconveniente é que, como a Emdurb recolhe tudo o que é depositado para coleta nas calçadas (porque a empresa municipal é remunerado pelo serviço por tonelada), diversos estabelecimentos não cumprem as regras de separação. A mudança na legislação, assim, tiraria do bolso dos bauruenses o pagamento embutido no pacote dos serviços faturados pela Emdurb junto à Prefeitura. De outro lado, com o grande gerador tendo de contratar e pagar pelo que gera de lixo, a experiência mostra que ele passará a se interessar em realizar a triagem e reciclagem corretas.

Ou seja, responsabilizar cada gerador teria a função de justiça na distribuição do custo, ampliando a antecipação da melhora na cultura de não jogar tudo fora e reciclar. Assim, o serviço melhoraria se e quando a lei mexer no bolso do empresário que gera resíduo.

Nos locais onde a política é organizada, a reciclagem funciona e o recolhimento é feito em containeres, com padronização e menor risco de materiais entupirem as redes/bocas de lobo por irregularidade na disposição nos dias de coleta.    

Empresa se adianta

Aceituno Jr
Ivan: 80% do lixo encaminhados para reciclar

A experiência do gerador responder pela separação e destino final adequado do que produz de resíduo já chegou a estabelecimentos de Bauru. O Bauru Shopping, por exemplo, há mais de 10 anos pratica o que determina a política nacional de resíduos.

"Estamos preparados e dentro dos parâmetros há muito tempo. Nossa contribuição aqui é no caminho da responsabilidade social e ambiental. Temos uma área de triagem que diminui muito o que é descarte e empresas previamente cadastradas compram esse material para reciclagem conosco. Nós precisamos de retirada rotineira, três vezes por semana. E o modelo de contratação direta nos permite personificar a retirada do material", aborda o gerente geral do Bauru Shopping, Ivan Mouta. 

O papelão tem um sistema de separação em área específica. "As latinhas o cliente deposita já em recipiente próprio. As que chegam junto com o lixo orgânico significam apenas 20% do que não é reciclável. Ou seja, aproveitamos 80% do lixo gerado. Além do descarte adequado e de gerar receita, esse sistema reduz o custo com o pagamento pelo lixo final que geramos. O funcionamento dessa cadeia de ações reduz o lixo final", explica. O Bauru Shopping produz 45 toneladas mensais de lixo levado por uma empresa privada contratada (Estre).    

Ler matéria completa
Mais notícias em Política
As mais compartilhadas no Face
Recomendado
voltar ao topo