Previsão do Tempo
Bauru
Segundando

Crer no amanhã

13/03/17 15:10
João Jabbour

Provavelmente, pelo fato de ser professora universitária e tendo contato com tantos alunos que se aproximam do término da faculdade é que constantemente sou abordada por jovens que, diante do inesperado, do futuro que se avisa incerto, ficam à procura de conselhos, de uma orientação sobre o que e como fazer para começar a vida profissional.

Inevitavelmente, nessas horas, lembro-me da recém-formada que também fui e de como a incerteza diante do porvir me deixava ansiosa, temerosa e, vez ou outra, até desanimada diante das portas que pareciam estar sempre trancadas, intransponíveis para mim. De fato, não é fácil começar, sobretudo quando se é jovem, inseguro e sem experiência. Em verdade, mesmo quando os cabelos branqueiam, quando os anos se avolumam sobre nossas costas, mudando não apenas nossa silhueta, mas também nossos pensamentos e convicções, continuamos suscetíveis ao medo diante do incerto.

Assim, muitas vezes, diante os pedidos de conselhos, de ajuda, busco transmitir conforto e esperança, na tentativa de demonstrar que o tempo é o Senhor de todas as coisas e que ele, mesmo diante das improbabilidades, sempre pode nos surpreender. É preciso ter coragem para enfrentar, fé para acreditar, paciência para esperar e iniciativa para começar, nem que seja uma de cada vez, a tirar as pedras que enfeitam ou atrapalham a quase totalidade dos caminhos a seguir.

Na realidade, em muitas dessas vezes, mais estou a me relembrar de tudo isso do que propriamente crente de que serei capaz de convencer o outro, porque sei, por experiência, que grande parte do viver só se aprende através da vida, por mais paradoxal que possa parecer. Feliz daquele capaz de aprender com a estrada que o outro trilhou, pois esse será um sábio. Em geral, precisamos vivenciar nossas próprias dores, amores, dissabores e vitórias para que sejamos capazes de entender que sempre haverá um novo dia para se tentar novamente. Ao menos até que nossa história nesse plano esteja sendo escrita...

Feliz ou infelizmente, nossa vida é composta de altos e baixos. Fácil, assim, ser otimista quando tudo parece estar em seus devidos lugares, quando estamos desfrutando daquilo que consideramos o essencial para vivermos. Mais complicado, por outro lado, é sermos capazes de nos mantermos equilibrados quando as coisas saem do prumo, quando nossas estruturas são balançadas. Nessas horas é que precisamos conservar a crença de que a vida transcende e que é muito mais do que alguns momentos difíceis.

Particularmente, a cada dia me exercito na missão de não me permitir o desânimo, porque a luta pela vida, mesmo tanto depois dos homens das cavernas, continua sendo diária, constante e indispensável. Viver, como alguém já disse, é fácil; difícil é conviver, já que, inevitavelmente, as pessoas estão sujeitas a nos desapontar e vice-versa. É preciso que não apostemos nossas cartas todas sobre a conduta dos outros, até porque não somos capazes de prever as reações, o caráter e as emoções de nossos semelhantes.

Desse modo, quando somos surpreendidos negativamente por pessoas com as quais convivemos é usual que isso nos traga dor e decepção, mas aprendi que não podemos medir os outros pela nossa régua, tampouco julgá-los pelos nossos valores, mas que também não podemos igualar todos as pessoas com base naqueles que nos ofenderam ou que nos causaram tristeza.

É preciso crer no amanhã. É preciso ter esperança de que tudo pode ser quando tem que ser e que mesmo a dor tem lições importantes para nos ensinar. Aprender as lições da vida faz parte do jogo, faz parte da existência humana nesse planeta. Creio que somos mais do que simples matéria e que, um dia, tudo haverá de fazer sentido, de valer a pena. No fim das contas, jovens ou nem tanto, somos todos aprendizes, todos crianças da Criação e o caminho que hoje nos é permitido ver é apenas uma trecho, uma início de algo que não somos capazes de entender.

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