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20/03/17 15:10
João Jabbour

A operação da Polícia Federal denominada 'Carne Fraca', com prisões em frigoríficos e no Ministério da Agricultura, na última sexta-feira, gerou o furor da semana, a catarse diária em cada um de nós, que nos indignamos com a roubalheira dos políticos e grandes empresários. Como se o problema estivesse só lá nas altas esferas da vida, quase em outro planeta, longe de nós, que não fazemos absolutamente nada de errado...

A constatação de que comemos carne contaminada foi um prato cheio para os 'facebookquianos' e nós que vivemos dando pitacos na vida local e nacional. Zarcillo e João Pedro escreveram sobre este fato ontem, no JC, e não seria eu a não escrever, após 3 semanas de ausência por ter comido carne estragada e passado mal quando ia fazer as crônicas...

Não vou falar indignado sobre as notícias político/policiais porque já passamos dessa fase. Fiquemos com os '...É assim mesmo...', '...esse país não tem jeito...', '...isso vem desde o Descobrimento...' etc.

Me chamou a atenção mesmo não a desonestidade dos frigoríficos e do segundo escalão do Ministério da Agricultura, que era muito fácil de supor, mas a criatividade e o senso de humor imediatamente presentes em cada canto do País quando uma tragédia social é revelada. Tenho enorme curiosidade para saber de onde vem tanta inspiração para fazer piada da própria desgraça. É vocação nacional. Made in Brazil. Inigualável!

Não há espaço para mais revelações, há? Estamos revirando nossas entranhas há três anos (Lava Jato fez aniversário na última semana), remetendo o país ao ventre que o pariu na forma de exploração, sem ética, sem dó nem piedade. Somos 517 anos de um prato mal cozido, insosso e requentado de tempos em tempos, já que o assunto é carne.

Perdão pelo mau humor, mas... Essa indignação explica, em verdade, um pouco do porquê de não escrever nada há três semanas. Perdi a vontade. Esse país não inspira nada sério. Só piada. Como escrever crônicas se o cotidiano não tem graça nenhuma? Graça de desgraça?

De fato, a carne é fraca, ZB e JP. A carne do cérebro dos empresários, funcionários públicos e políticos desonestos que arrebentam com um local chamado país, onde, imaginam, possam viver bem, ostentar, ser reconhecidos, fazer palestras, aparecer na coluna social, ser admirados pelos vizinhos, despertar inveja, cobiça... E ainda criar filhos como se nada estivesse acontecendo.

A carne é ruim... Por isso, fico com a receita de melancia na grelha da Bela Gil. Eis os ingredientes: de melancia cortada em fatias de 2 centímetros de espessura, azeite a gosto, sal a gosto, pimenta do reino a gosto. Modo de preparo: bezunte a melancia com azeite e polvilhe um pouco de sal e pimenta. Coloque na grelha quente por três a cinco minutos de cada lado. Brincadeira?

A minha colega jornalista Maria América tem uma ideia melhor: comer isopor. 'É leve, composto de 97% de ar e apenas 03% de química!'. Bem mais saudável, Maria, sem dúvida!

Fiquei profundamente comovido quando vi na página do Facebook do Thiago Artioli Azevedo sua autocrítica: 'Venho pedir desculpas à Itaipava, Brahma, Skol, Antártica e também a cachaça, pinga, vodka e tequila por todas as vezes que as culpei de ter passado mal após os churrascos. Agora eu sei que a culpa sempre foi da carne...'

E o Antonio Pedroso Jr., lá de Sorocaba, cidade desenvolvida e centro médico por excelência, prático e rápido, orientou: 'Pesquisei no Google e vi que tem ácido ascórbico na carne, tem papelão no frango, tem mercúrio no peixe, tem agrotóxicos nas verduras, tem coliformes fecais na água mineral, tem soda cáustica no leite e tem milho na cerveja. De todas as opções, a mais saudável é o milho.'

Foi então que parei de escrever este arranjo e fui ao Bar do Tatu tomar uma cerveja...

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