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A semana que passou...

03/04/17 15:05
João Jabbour

De tudo o que aconteceu de mais preocupante na pouco preocupante política brasileira nos últimos dias, as críticas do senador Renan Calheiros ao governo federal, do qual faz parte e ajudou a fundar, é a que mais me preocupa. Escrevo repetindo palavras neste curto período verbal porque a política nacional é redundante demais, além de outros tantos predicados que possui. Preocupante! Embora não haja nada de novo, a não ser o mais da mesma preocupação.

Se Renan já está pulando do barco, é porque o governo Michel Temer não deve estar com o futuro promissor. Ou já está em gestação outra realidade que os políticos nacionais passam os dias elaborando, em nome de sua eterna sobrevivência. O País? Este espera. Esperou até agora, 517 anos depois...

Acusa-se Renan de tudo, mas uma coisa é inegável: ele é competente demais na arte da política tradicional, essa mesma que afundou o País. Se está de saída do governo Temer, é motivo para nos preocuparmos. Ele tem informações, tirocínio e sabe, como poucos, a arte de se manter no banquete do Estado. Aguardemos.

Ontem, lendo o comentário de um amigo antigo e indignado que mora em Brasília, deparei-me com uma síntese de Brasil que, apesar de reducionista, quase me põe a nocaute: "Democracia é o sistema em que o povo vive pagando a conta da roubalheira dos políticos, através do aumento de impostos e, em troca, pode votar a cada dois anos".

Devemos insistir? Há outro caminho? Vamos seguir assim? Eu aqui e você aí? Não sei...

Antes de morrer, o escritor José Saramago fez observações interessantes sobre a democracia: "Tudo se discute neste mundo, menos uma única coisa: a democracia. Ela está aí, como se fosse uma espécie de santa no altar, de quem já não se espera milagres, mas que está aí como referência. E não se repara que a democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada. Porque o poder do cidadão, o poder de cada um de nós, limita-se, na esfera política, a tirar um governo de que não se gosta e a pôr outro de que talvez venha a gostar. Nada mais. Mas as grandes decisões são tomadas em uma outra grande esfera e todos sabemos qual é. As grandes organizações financeiras internacionais, os FMIs, a Organização Mundial do Comércio, os bancos mundiais. Nenhum desses organismos é democrático. E, portanto, como falar em democracia se aqueles que efetivamente governam o mundo não são eleitos democraticamente pelo povo? Quem é que escolhe os representantes dos países nessas organizações? Os respectivos povos? Não! Onde está então a democracia?"

Um aviso aos 'filósofos de rede social': ao reproduzir este pensamento de Saramago, não estou fazendo a defesa de um regime autoritário ou coisa parecida nem da volta dos militares, até porque isso já aconteceu e não resolveu nada. Nem ele estava, certamente.

Na semana que passou também li a declaração de um procurador da Lava-Jato, que disse: 'Se vierem à tona todas as revelações das delações premiadas, o Brasil para'. Como assim, para? Já não parou? O que vem depois da quebra? A miséria absoluta, o caos? Por que o caos, Mauricio Lima Verde?

Outra notícia que lemos nos últimos dias e que, igualmente, preocupa: manifestantes tocaram fogo no Parlamento do Paraguai, em represália a um arranjo dos políticos em favor da reeleição, que não havia. Nada muito diferente do que estão armando por aqui com a lei que vai autorizar a tal lista fechada.

Aliás, para o leitor que não sabe do que se trata essa excrescência, lista fechada é uma forma de ser eleito mesmo não sendo escolhido diretamente pelo eleitor. Mais ou menos assim: você vota no partido, que tem uma lista de deputados que os caciques montam. O partido será votado e os primeiros da lista são os eleitos. Adivinha quem vai encabeçar a 'lista mágica'? Não precisaria, mas vou resumir: os denunciados por caixa 2 e corrupção. Simples assim.

O que fazer? 'Sabia' quando era jovem.

Agora não sei mais...

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