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Segundando

Minha cidade, minha pátria, minha mãe

15/05/17 07:00
João Jabbour

Minha pátria hoje é minha cidade. A balbúrdia ensandecida que ataca o que chamamos de País, onde quase todos, individualmente, cultivam suas próprias verdades e onde muitos querem se apropriar do que deveria ser de uso público, me faz encolher, ficar menor, por enquanto.

Fecho com minha cidade... apenas e então somente. É uma espécie de defesa e também um protesto, uma resistência. Tô rompido com o Brasil. Fecho com minha terra, minha mãe adotiva, minha Bauru, sem me esquecer da 'mamãe biológica' Bernardino de Campos. Tenho duas pátrias-mães.

Não nos encham com Brasília, Rio, São Paulo, Ilhas Cayman etc.

Bauru segue seu curso na história. Cada um de nós que aqui moramos trabalha de sol a sol, sabemos de nossas dores e delícias e não precisamos de poder central, porque ele não existe para nós. Não estou defendendo o separatismo, mas pouco me lixo para o que o Moro vai decidir em primeira instância e o Tribunal Regional Federal vai reformar em segunda, para depois cair nas mãos de Gilmar, Antonio, Celso, Marco, Ricardo, Rosa Alexandre... lá na terceira instância. Também não dou a mínima para o que Lula está encenando ou Fernando Henrique teorizando. Eles estão cuidando de suas vidas.

Aviso aos críticos: defendo a arte e a ciência da política até a morte. Só com ela atingiremos um patamar mais elevado enquanto civilização, mas hoje, segunda-feira, 15 de maio, dou um tempo.

Aliás, temos boas notícias por aqui. A maior da semana é que depois de 104 anos Bauru passa de cidade excomungada (em 1913) a berço de um bispo 'recém-nascido'. E muito bem escolhido. Padre Luiz Antonio Ricci é daqueles cidadãos que, quando se fala em capacidade, liderança, referência, inteligência, bom senso e humildade, lembramo-nos logo dele. Vai nos representar divinamente. É um tipo que deveria existir em muito maior número por aí e por aqui, mas é minoria num país de analfabetos ideológicos.

Bauru tem um prefeito querendo acertar, vereadores ansiosos em busca de um lugar ao sol, economia tentando novas vocações além do comércio, indústria e serviço (muito bons), uma elite indiferente, massa sem líderes autênticos e críveis e pessoas comuns e de bem tentando ser felizes. Mas a cidade continua travada, principalmente pela burocracia e incompetência públicas de anos passados. O novo governo diz que trabalha para que não fiquemos para trás. Figa!

Seguimos o figurino. Vez ou outra, somos notícia nacional, como na revista Veja deste final de semana, em que um empreiteiro chamado Sérgio Andrade, dono da Andrade Gutierrez, afirma que foi roubado aqui, justamente às vésperas de fazer sua delação premiada. É mole?!

O destaque desta segunda-feira é o aniversário de um bauruense de 90 anos, outro exemplo de trabalho, seriedade e vigor, que deixa muitos jovens e adultos no chinelo. Parabéns, Luciano Dias Bauru Ilustrado Pires! Parabéns também a todas as mulheres pelo dia de ontem, de hoje e de amanhã, sejam mães ou futuras mães, maior força da natureza.

No sábado, Dia da Abolição da Escravatura, mulheres negras e índias, belas, foram à rua Batista de Carvalho chamar a atenção para sua luta, que deve merecer todo nosso respeito e apoio. Força, Greice, Jupira, Nina e todas as que sofrem na pele a múltipla discriminação!

É muito bom andar pela cidade no domingo e sentir o seu acolhimento. Bauru tem essa marca. É cosmopolita, receptiva a quem chega e tem seus dilemas como outra qualquer. Bela Vista, Falcão, PVA, Estoril, Jaraguá, Cardia, Altos, Mary Dota, Gasparini, Chapadão, terra de espanto, de estudantes, de comerciantes e da medicina. Sua temperatura média é de 22,6 graus. Nem frio nem calor, clima acolhedor.

Enfim, a cidade é a moldura de um quadro em que cada pincelada é de nossa responsabilidade. Podemos conceber uma obra-prima, mas podemos fazer um garrancho. Cuidemos dela!

 

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