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Amigos

19/06/17 07:00
João Jabbour

Separar algumas horas da vida para estar com amigos é uma das mais aprazíveis experiências ao longo da árdua caminhada da existência. Seja em casa, no botequim, na rua, no clube ou no trabalho (nas horas certas), ser e estar com amigos alivia a alma, porque não há contraindicação.

Uma roda de amigos dispensa a sisudez das formalidades, o compromisso de agradar o tempo todo, de ser quem não se é, não precisa de etiqueta, terno e gravata nem mesmo aquela moral relativa que, muitas vezes, é tirana demais nas relações humanas.

Ontem, 11h, nos reunimos para assistir ao jogo do Corinthians, no Bar do Tatu e na área de casa. No dia anterior, em nosso grupo do whatsApp, alguém disse que havia um forte boato de que eu faria minha simples e singela especialidade culinária, o bolinho do João Careca, uma vez que moro em frente ao ponto de encontro. Senti-me na prazerosa obrigação de confirmar a notícia. Não era mais boato nem fake...

Aí entra outra coisa que dá prazer: preparar um prato ou guloseima para um grupo próximo, seja familiar ou de parceiros, como se convencionou chamar os amigos. O ritual que antecede a hora da degustação também pode ser curtido. Gosto muito. E sei que você que está lendo também aprecia receber e doar um pouco de suas habilidades em prol da boa convivência.

Acordei cedo ontem, dia lindo, e fui ao açougue, padaria, quitanda e supermercado. Na padaria, lotada, pedi 10 pães amanhecidos, ingrediente indispensável no bolinho. Notei que muitas pessoas me olharam com ar de piedade. "Coitado, não tá dando nem pra comprar o pão fresco do dia mais...".

A crise, de fato, é assustadora, mas não queria que pensassem que eu quebrei. Então, imediatamente, em questão de segundos, justifiquei para a balconista: "Meu bolinho só aceita pão amanhecido... É uma receita antiga..." Alívio geral na plateia... E para mim também.

Depois, no açougue, um quilo de coxão mole moído. Afinal, de duro, já basta o dia a dia. E amigos merecem toda maciez que pudermos proporcionar. Na quitanda, o cheiro-verde, para dar sabor e aroma ao recheio. De quebra, pego uma bandeja de caqui, pois a safra está chegando ao fim. Não há fruta mais doce... E tem antioxidantes.

No supermercado, encontro todos os demais ingredientes e ainda o que vou usar no começo da semana. E também o que não vou usar. Quem inventou o supermercado devia ser um psicólogo comportamental de mão cheia. Você entra pensando em três produtos e sai com quinze no carrinho. Se for até lá com fome, então...

As mulheres podem pensar que num grupo de amigos homens não ficamos fazendo fofocas. Engano. Fazemos sim! A diferença é que são fofocas construtivas... (Rsrsrsrs)

Coincidentemente (ou não), ontem, sem conversarmos, enquanto eu rabiscava estas palavras, meu amigo Arnaldo Ribeiro enviava um pensamento. Um trecho dizia o seguinte: "...amigo que é amigo mesmo pode ter outros amigos, porque não exige exclusividade..."

Amigo, pode-se ficar sem vê-lo durante décadas que o afeto e respeito se mantêm intactos. Amigo não fala somente o que você quer ouvir, mas o que corresponde à verdade. Amigo não é apenas aquele que te consola nas horas amargas, mas o que fica feliz com o seu sucesso.

E há tabus sobre a amizade: um homem e uma mulher podem ser amigos sem que, em algum momento, a relação resvale em momentos de sedução e sexualidade? Amizade entre gêneros opostos ou diversos é algo recente no mundo. Pergunta sem resposta conclusiva.

Ainda ontem, no JC, uma matéria mostrou que a amizade desenvolve a empatia e nos faz entender melhor o outro, reduzindo nosso egoísmo e egocentrismo. Desenvolver em boa direção nossas relações interpessoais ajuda no equilíbrio do ser e na longevidade.

O filósofo grego Aristóteles já havia percebido o valor da amizade há dois milhares e meio de anos: "Amigos significam a mesma alma habitando dois corpos..."

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