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De onde vem essa criatividade?

24/07/17 07:00
João Jabbour

Vivemos reclamando dos políticos e de nós mesmos. É esporte nacional. Mais popular que o futebol. O mantra geral é: 'Político é corrupto e o povo é alienado'. Mas vamos virar o lado desse disco de vinil social. Há alguns predicados em nós. E aquele a que me refiro, especificamente, é a criatividade com pitadas de ironia, sarcasmo e descontração de que somos capazes. O deboche que fazemos de nossa miserável condição humana. A famosa 'gozação', também conhecida como zueira, zombaria, caçoada e que, vez ou outra, escapa ao controle e vira bullying.

Após um fato ou um ato anormal se tornar público, seja uma gafe, um exagero ou exibicionismo, dependendo de seu grau de bizarrice ou absurdo, vira meme e se espalha em altíssima velocidade na Internet. O senso de humor do brasileiro é incrivelmente do tamanho do País. Imagine se fosse assim também com o senso de cidadania, patriotismo e ética social... Seríamos a maior potência mundial! Mas estes recebem doses bem menores de nossa energia criativa.

Voltando ao terreno do humor, alguns memes são, de fato, muito engraçados. Não sou de rir à-toa, mas um que vi no final de semana tirou-me da sisudez. Trata-se de um vídeo ao estilo ostentação que o cantor Eduardo Costa postou com a namorada. Ele, com o celular na mão em forma de selfie, pergunta repetidamente a ela, encostada em uma BMW novinha: Quem deu esse carrão pra você, amorzão? UOL fez uma matéria sobre isso. (https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2017/07/21/eduardo-costa-vira-piada-na-web-apos-video-de-carrao-com-namorada.htm). Imagina o que veio a seguir. Assista, faça control C control V neste link e assista. Não vai mudar nada na sua vida nem na do País, mas ajuda a espairecer e, se quiser, a refletir sobre este fenômeno bem nacional.

Sempre tive a curiosidade de saber como surgem as piadas e quem as inventa. Ninguém sabe a resposta. Nem Ari Toledo. Mas muitas delas devem começar do acaso, de uma cena hilária, engraçada, tonta, irrelevante, mas que ativam nossos neurônios do sarcasmo. Embora a piada clássica seja uma ficção, ela sempre guarda relação com a vida real.

Mesmo no ambiente em que vivemos surgem os 'micromemes', quando alguém dá uma bola fora. Na semana que passou, um amigo sugeriu que antes das relações sexuais faz exercícios abdominais ao lado da cama, peladão. Ele falou a sério, no meio de uma conversa sobre os devaneios da imaginação humana. Não deu outra. A piada 'viralizou' no grupo de amigos mais chegados.

Se há algo em que prestamos a atenção é nos atos e tragédias alheias. Nunca fomos tão atentos. Alguém faz, fala ou escreve algo e pronto: transformamo-nos em analistas e damos nossa opinião/interpretação/crítica. Isso já ficou chato demais, a não ser quando o comentário é criativamente bem-humorado ou feito com a mais acurada racionalidade e com bom senso.

Leia este comentário/troça que acabei de ver em um grupo de WhatsApp: "A partir de hoje, quem for flagrado no bafômetro, dirigindo sob efeito de álcool, automaticamente terá que explicar como conseguiu ter dinheiro para comprar gasolina e cerveja ao mesmo tempo". Em tempo real com os fatos mais recentes. Alguém sacou, em algum lugar do Brasil. Quem foi?

"É o conjunto de atividades exercidas pelo cérebro na busca de padrões que provoquem a identificação perceptual de novos objetos que, mesmo usando "pedaços" de estruturas perceptuais antigas, apresentem uma peculiar ressonância, caracterizadora do 'novo valioso', digno de atenção." Esta é uma definição geral para criatividade e pode ser aplicada ao senso de humor.

"A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original". Eis uma bela definição de Albert Einstein que se encaixa nesse nosso papo despretensioso.

Podemos concluir, por óbvio, que a criatividade é coisa de gente inteligente. Meus amigos mais criativos são os mais admirados. E, às vezes, odiados, por instantes...

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