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Jornalismo

31/07/17 07:00
João Jabbour

Aproveito os 50 anos do JC, a serem completados amanhã, para discorrer sobre a atividade jornalística, tão presente quanto discutida no cotidiano de todos como uma das protagonistas sociais na construção dos grandes consensos que fazem avançar a história. O jornalismo tem pessoas como fonte e razão de sua existência. Natural que desperte paixões e reações divergentes. Mais do que natural, é salutar.

Jornalismo tem regras: técnica, ética e até legislação específica (Lei de Imprensa) havia até há pouco tempo. Portanto, é objetivo. Mas possui também alto grau de subjetivismo, eis que é feito por seres humanos, que se embasam nos cinco sentidos, conhecimentos gerais e formação humana para interpretar e relatar os fatos.

Imagine uma sociedade, por menor que seja, sem algum tipo de registro jornalístico. Seria como uma sala escura sem nenhuma fonte de luz. Talvez seja este o principal motivo de sua existência: lançar luz onde há escuridão, principalmente no espaço público.

Com todas as imperfeições que o jornalismo tem, melhor com ele do que sem ele. Agora falo como cidadão, não com o jornalista. Nas últimas três décadas, as notícias bem apuradas e responsavelmente editadas foram fonte límpida e cristalina para o início de muitas investigações que abalaram Bauru e a República. Basta lembrar de prefeitos, vereadores e presidentes cassados.

O jornalismo incomoda a quem não faz a coisa certa. Por isso a atividade sempre será alvo de ataques de todos os tipos. A coisa errada é razão para a existência do jornalista, que investiga e denuncia. Então, jornalismo, por essência, não é cordial. Se fosse, seria publicidade, que é muito importante, mas não é jornalismo.

Jornalismo é tão instigante que muita gente tenta se passar por jornalista, aproveitando-se, principalmente, de uma decisão de 2009 do Supremo Tribunal Federal, que extinguiu a obrigatoriedade do diploma para exercício da profissão. Mas não basta querer para ser. É preciso estudar na universidade ou ter o dom e a experiência adquiridos ao cabo e provação de muitos e muitos anos. Há grandes jornalistas que não fizeram jornalismo, mas eles passaram pelo crivo da sociedade com postura técnica e retidão de caráter.

A formidável profusão midiática que tomou conta do mundo a partir do acesso universal às tecnologias modernas gerou sensações e conclusões das mais variadas e precipitadas envolvendo a atividade jornalística. Daí surge a confusão entre informação disseminada tresloucadamente pelo universo sem regras do mundo digital e o jornalismo. São coisas bem diferentes e as pessoas cada vez mais percebem isso, felizmente.

Em Bauru, cidade privilegiada por dois cursos de jornalismo, repórteres e editores têm feito seu papel, conscientes de suas falhas, mas inabaláveis em suas virtudes e missão. Jovens e adultos trabalham incansavelmente em redações para ter conhecimento, apurar, checar, escrever e editar os fatos, seja em tempo real na internet e outros meios eletrônicos ou no papel, que relata e documenta os fatos de forma ampliada, contextualizada e, muitas vezes, interpretada no dia seguinte.

Neste contexto, a sociedade tem no JC espaços dos mais generosos da imprensa brasileira para se manifestar. A tribuna do leitor e as colunas para artigos, com várias páginas semanais, são livres à manifestação do pensamento de quem deseja falar à sociedade.

Todo o conteúdo que o JC veicula, seja dos leitores ou dos jornalistas, é balizado pelos parâmetros das leis e da ética. Opiniões ou afirmações ofensivas à honra, imagem, intimidade e privacidade de quem quer que seja não encontram espaço em nossas páginas, na plataforma impressa ou na digital.

Este é apenas um relato pessoal simplificado de nossa atividade, mas talvez oportuno pela data e a necessidade premente de filtros translúcidos em uma era de caos informativo, que tem no fake news (notícias falsas) um fenômeno nocivo à construção da democracia.

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