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Presta atenção no serviço!

03/07/17 07:00
João Jabbour

Neste final de semana, um amigo, ainda jovem, cuidando do afilhado, ao lado do pai do garoto, igualmente jovem, grudou meleca (aquela gosma que é um brinquedo) no cabelo do menino e ambos não sabiam como retirar. Pediram ajuda em um grupo do qual fazem parte no whatsApp. Surgiram sugestões as mais bizarras possíveis, o que deve ter deixado os caras mais perdidos ainda. Nada para se levar tão a sério, afinal, a vida ficaria sem graça se não ocorressem cenas de traquinagem como esta.

Mas o que eu quero dizer nesta mensagem é que o bicho pega mesmo quando a coisa mal feita se dá em ambientes ou situações mais decisivas e limites. Ou seja, no trabalho, na escola, mesmo na família, em grupos de amigos e nas redes sociais. Estas últimas estão repletas de mal feitos, meias verdades, mentiras, sofismas e engodos, por parte de gente que se coloca como defensor de ideias, mas não as debate, apenas as impõe, sectariamente, com estratagemas retóricos que podem até ganhar a atenção de alguns mais distraídos.

Mas ainda não é o que eu quero dizer.

O que me leva a roubar minutos de sua atenção, como diriam os que escrevem em estilo clássico, é para atos ou argumentos incompletos (e como o mundo está cheio deles!). Eu também já os pratiquei na vida e, talvez, por descuido, ainda pratique. Atitudes para 'boi dormir' são conhecidas com várias denominações: meia-roda, meia-boca, garrancho, matado, me engana que eu gosto, mal parado, para inglês ver etc.

Em uma nação séria, este comportamento não tem espaço. Aqui, há, de sobra. Em todas as esferas, a todo instante e até mesmo por parte de gente que deveria combater a incompetência, a preguiça e a enganação.

É pra acabar com o PIB de qualquer país. E com a paciência de quem leva seus compromissos a sério. O desmazelo, quando afeta a vida alheia, é uma erva daninha. Parece que quanto mais a gente arranca, mais nasce.

Tapear o próximo é da natureza humana? A psicologia tem respostas complexas para isso que não se resumem ao maniqueísmo da luta do bem contra o mal. Mas é uma conversa longa.

O que acho que dá para sintetizar é que somos seres inquietos, buscando o prazer e lutando contra a dor permanentemente. Na batalha existencial, agredimos, amamos ou somos indiferentes ao que nos cerca.

Há um conflito egoísta instalado em nós, naturalmente, desde a gênese. Mas não precisa ser brutalmente igual até o fim. Quem consegue se conhecer e se entender a tempo, torna-se uma pessoa melhor em vida, e não apenas quando morre.

Para se emancipar emocional e racionalmente, não precisa ser rico nem pobre, feio ou bonito. Basta ter amor próprio. Quem ama a vida, vive melhor para si e para os que o cercam. E faz tudo melhor. Vive muito mais e com qualidade. Não se trata de frase de efeito, pois é fato confirmado pela ciência e pela experiência. Se quiser, também pelos longevos que conhecemos.

O filósofo pop contemporâneo Leandro Karnal disse que um amigo dele, que já bateu na casa dos 100 anos, garantiu que chegou lá com muito sexo e uísque. É... Cada um é feliz à sua moda. Os dois ingredientes citados realmente são prazerosos. E quem há de negar?!

Aliás, nada a ver com este papo, mas uma matéria no UOL mostrou anteontem que se você se irrita quando um amigo posta milhares de fotos de uma viagem de férias, saiba que não está sozinho. Um estudo feito por uma empresa britânica com mais de 2 mil turistas do Reino Unido constatou que 73% acham irritante quando imagens de férias de outras pessoas aparecem em seu feed. Mesmo que tenha milhares de curtidas em suas fotos, isso não quer dizer que as pessoas estão gostando. Curtem por educação ou amizade.

Voltando ao tema central, deixar pela metade o que se está fazendo é mais ou menos igual a quando se quer encerrar uma conversa na rede social sem se dar o trabalho de encaminhar o diálogo para o final e, abruptamente, coloca-se aquele desenho clássico do polegar para cima....

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