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Mas que dia feliz...

14/08/17 07:00
Joo Jabbour

Ontem de manhã, finalmente, deu gosto passear pelo Facebook. Ao menos por algumas horas, saíram os boquirrotos, os donos da verdade e os difamadores da vida alheia e entraram pais e filhos - milhares deles. Duas palavras das mais fortes de nosso idioma unificaram as mensagens: amor incondicional.

Foi bonito de ser ver.

Inspirado nas postagens enfileiradas em forma de saudações, pus-me a um breve devaneio: imaginei uma multidão de pais e filhos tomando as ruas e praças de mãos dadas não apenas para reafirmar seus compromissos em comum, mas também para defender as causas mais nobres da civilização. Seria batizado de 'paisaço', que poderia ser chamado também de 'paísaço' (acento no i), como há o 'mamaço', o 'abraço', o 'panelaço', entre outros movimentos sociais.

Não vi depois, mas à tarde é bem provável que o ego exacerbado e o ressentimento tenham novamente dominado aquele espaço virtual, misturando-se a poucos, mas resistentes, lampejos de bom debate, de exercício do razoável, nesta que é a rede social mais usada no Brasil.

Meu Dia dos Pais começou na véspera. Sábado à noite, fomos ao clássico Templo Bar e Restaurante (desde 1985, um templo da gastronomia), de Fernando e Sônia. Lá, eu, Fá e Bella (Lívia está viajando) pudemos sentir a paixão e o talento de Fernando com a vida gourmet, um pai que há 35 anos está na cozinha preparando uma iguaria que representa Bauru com muita classe, sabor e charme - o rocambrócolis.

O festejado sanduíche bauru é nosso símbolo em forma de lanche. O rocambrócolis deveria ser reconhecido como nosso estandarte em forma de prato. Quer receber bem um convidado de fora? Leve ao Templo e apresente esta receita do Fernando.

Mas o que mais me chamou a atenção no Templo, em razão da data festiva, foi rever Lucas, filho de Fernando e Sônia, agora um homem de barba, pronto para assumir a condução da casa, quando for a hora. E foi muito bom ser atendido pelos atenciosos 'meninos' Israel, Luiz, Ailson e Sérgio, há muitos anos também 'filhos' desta bela família.

O tempo passa, mas o Templo fica.

Assim como vai ficando também o legado de trabalho da Dona Tereza do Pastel (Tokuhara.Oká) e seus muitos 'filhos', que pude ver trabalhando com devoção, ontem, na feira da Gustavo Maciel. Em nome da Mitsue, parabéns pelo exemplo maravilhoso de vocês todos! Desde 1974 eles preparam os pastéis e coxinhas que fazem o domingo começar muito saboroso, logo ali, na primeira quadra da feira.

Retornando ao Facebook, vou registrar dois textos postados ontem para simbolizar o amálgama de ouro entre pais e filhos. Como cronista coruja, peço licença para reproduzir o que disse minha filha Lívia sobre nós: "Somos ele. Na personalidade, na empatia, no perfeccionismo, na persistência, no equilíbrio, nas palhaçadas com os mais próximos, na seriedade sempre que necessário, no querer bem, nas trapalhadas, vez ou outra, no amor pela área de humanas, nos traços do rosto. Somos hoje e para sempre, orgulho e gratidão".

Este outro é do sempre inspirado professor e pai Sinuhe: "Há 21 e 16 anos, não tenho mais nome, não sou quem eu era, sou quem eles me cognominaram! Há 21 e 16 anos, tento ser o que eles me propuseram, ser o ser que eles esperam e, quiçá, venerem...".

E aqui vai uma definição vigorosa sobre a missão de ser pai que recebi ontem de manhã da maestrina Sonia Berriel, escrito por José Saramago: "Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem..."

Ser pai não é um fenômeno biológico, como é a maternidade. E isso nos confunde um pouco. Talvez, ser pai seja uma construção ao longo de toda a vida em comum com os filhos. Entre erros e acertos, um exercício ora democrático, às vezes autoritário. Muito de provedor, mas certamente de educador. Quiçá uma relação racional, temperada com muito amor.

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