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Diálogos terríveis

18/09/17 07:00
João Jabbour

Outra conversa via whatsApp, ainda não explorada pela imprensa de influência nacional, vazou ontem nos círculos do 'puder' em Brasília e causou indignação imediata, principalmente entre aqueles que estão acostumados a participar das relações cordiais entre os três poderes, em corredores de palácios e nos jantares do Lago Sul.

A mensagem, ainda sob rigorosa apuração e análise, uma vez que foi pouco compreendida no cerrado brasiliense, tem um dos trechos que diz o seguinte: - Bom dia, família!!! Domingão. Vamos dar umas voltas de bicicleta, que tal?

A estranhíssima proposta provocou as mais diversas interpretações em quem leu. Alguns políticos ouvidos pela reportagem a entenderam com uma espécie de diálogo em metáforas para esconder mais um delito iminente, daqueles graúdos. A palavra 'família' foi imediatamente associada à máfia. 'Domingão' deveria ser o apelido do laranja que transporta a propina, de nome Domingos, e, mais instigante ainda: descobriram uma nova forma de driblar a polícia, fazendo o transporte das malas de dinheiro em bikes. É a hipótese mais forte até agora entre nossas ilibadas autoridades federais.

Mas outros a viram como uma forma de despistar a polícia, uma vez que, associada à resposta que veio a seguir, poderia revelar uma tentativa de esconder algo ainda mais grave. - Bom dia. Não poderei, tenho confissão com padre Cesar, às 10h, na Catedral.

Quem seria este 'padre Cesar'. É ligado a que partido? Qual esquema? Que quadrilha? 'Confissão' seria uma delação? Ou os preparativos para tal? Catedral é a denominação de um ponto de encontro secreto?

Enfim, dúvidas fervilharam após a divulgação do enigmático diálogo e mobilizaram assessores, contatos, advogados de bancas famosas, rede nacional do presidente da República, todos em busca de respostas e desmentidos diante de um possível novo escândalo nacional...

Essa tem sido uma das cenas mais bizarras da República de Deodoro nos últimos anos. Fulano gravando sicrano para se safar, negociar, delatar, chantagear, escapar da cadeia e ainda dizer por aí que está contribuindo com a moralidade.

O breve diálogo transcrito acima é de uns primos meus que moram na Capital Federal. Era aquilo mesmo que estava escrito. O restante é a ficção que imaginei para os dias atuais. Tratava-se de um simples passeio de bicicleta pelas planas e largas vias de Brasília. Isso existe por lá. Praticado pela enorme maioria (redundante) da população que só quer viver em paz.

Lá quanto cá, as coisas ainda estão confusas. Soube, inclusive, na última semana, que em Bauru andaram gravando, secretamente, conversas privadas durante a campanha eleitoral de 2016. Coisa chata e babaca demais se não fosse tão grave. Acabou o tempo interessante da dedução sobre o que os interlocutores estariam pensando, suprimiu-se o convencimento, o agir com naturalidade, decretou-se o fim da surpresa, da aleatoriedade da existência. Mecanizou-se a vida.

Muita gente só quer levar vantagem. E viver mesquinhamente com algumas migalhas que possa obter de sua 'esperteza' egoísta, furtiva, frívola, individualista, dissimulada, arrogante e prepotente. Isso, sim, é pobreza indigna. A outra, de quem trabalha, é digna demais!

Por isso, cresce o grupo de pessoas sensatas que quer resistir e mudar esse estado de coisas. Cidadãos e cidadãs que procuram algo útil para fazer ao invés de roubar os sonhos de um mundo mais justo, bisbilhotar a vida alheia e interferir para que o outro se dane e a vantagem recaia sobre si.

O lado saudável da vida é infinitamente maior, rico e eterno.

Como na última semana, por exemplo, quando Derico Sciotti (aquele do Programa do Jô), Isaac Camargo, Denise Amaral e Paulinho Laranjeira subiram ao palco do Templo para cantar poesias da música brasileira. Lamento não ter estado lá. Vi pelo Facebook. Não perderei a próxima.

 

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