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Segundando

Doce setembro

11/09/17 07:00
Cinthya Nunes

Agosto se despediu de 2017 e eis que um dos meses que eu mais gosto se inicia. Setembro inaugura a minha estação do ano preferida, a primavera. Os dias de céu azul, quentes na maior parte do tempo e com temperaturas amenas ao amanhecer e ao anoitecer, costumam ser especialmente deliciosos.

Para uma pessoa que ama flores como eu, setembro confere um espetáculo à parte, com a invasão de cores, formas e aromas que captam meus sentidos e me reafirmam como admiradora e apaixonada pela natureza.

Junto com as flores surgem também as borboletas, abelhas e os pássaros que, enamorados, ensaiam seus cantos de amor. O sabiá laranjeira, boêmio morador das redondezas, não se intimida e seduz sua amada desde as primeiras horas da madrugada, aproveitando-se do silêncio para se fazer ouvir.

Gosto de andar pelas ruas que, cobertas pelas folhas e flores dos ipês brancos, amarelos e cor-de-rosa, esnobam o cinza da cidade grande. Difícil, creio eu, até para os menos sensíveis a tais espectáculos, deixar de notar que as cores das flores suplantam, de longe, qualquer construção humana.

Setembro também tem feriado, o qual me faz recordar muita coisa de minha infância, quando a família toda, repleta de crianças, reunia-se para risadas, sessão de filmes e principalmente muita comilança. Era tempo de esperar os tios que chegavam de longe trazendo novidades, brinquedos e saudades.

Recordo-me ainda dos desfiles que, criança, participei na escola, no dia 07 de setembro. Certa feita, doida para tocar na fanfarra, fui colocada para tocar caixa, sem receber qualquer instrução, contudo. Como coordenação motora é algo que não domino, a coisa toda foi um desastre até que alguém, compadecido, teve a bondade de me entregar um bumbo e, em um esforço imenso de memorização e marcação de tempo, dei conta de, por fim, poder desfilar na fanfarra, toda vestida a caráter.

Em outras oportunidades, desfilei marchando, toda preocupada em não perder o compasso e trocar a perna direita pela esquerda. Sem exageros, isso requeria de mim uma concentração extra. A despeito disso, era muito bom poder participar dos ensaios, da preparação da vestimenta e de desfilar pelas ruas, repletos da emoção de fazer parte de algo patriótico.

Muitos anos depois disso e, na faculdade, foi a vez de outro acontecimento marcar a minha vida. O mês de setembro e a estação dos enamorados também mudou o curso da minha histórica, eis que me trouxe a companhia daquele que dá outro significado aos meus dias, que me transformou em par e que, mesmo imperfeito, é o personagem central da minha história de amor. Ao lado dele já serão vinte e cinco setembros e isso é mais da metade da minha vida.

O mês de número nove também é aquele em que olhamos para traz e percebemos que o ano já transcorreu em sua maior parte e que, se for para realizar projetos previstos em janeiro, nas intenções de mês de ano, é hora de correr. Ao menos é assim que eu percebo o tempo que se divide em anos.

Em muitos setembros, quando tinha mais tempo livre, iniciava os meus artesanatos de Natal, confeccionado Noéis, presépios, bonecos de neve e toda sorte de enfeites natalinos. Até mesmo os biscoitos de Natal eu iniciava a produção de testes a partir de setembro. Para esse ano, nesse sentido, infelizmente, ficarei feliz se conseguir comprar os presentes a tempo.

Seja como for, embora cada dia de nossa vida seja único, incapaz de se fazer repetir, o mês de setembro tem o poder de me deixar mais leve, mais atenta ao que acontece fora de mim, fora da minha casa, ao mundo que se renova nas folhas que brotam e no sol que volta a esquentar os dias frios e chuvosos dos meus agostos.

Para esse setembro espero tão somente a paz dos dias que vão se tornando mais longos e luminosos e que novas e boas lembranças possam se somar a tantas outras primaveras de minha vida. Para mim, inclusive, faz todo sentido parabenizar alguém por mais uma primavera, pela benção de viver mais um setembro de cores, sabores e sons.

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