Previsão do Tempo
Bauru
Segundando

Segredos do tempo

25/09/17 07:00
Joo Jabbour

O tempo é o marcador dos fatos da vida. Acho que esta definição, simplificada, mas objetiva, ajuda nesta prosa. Em tese, tudo evolui com o passar dos dias e noites. Para melhor ou para pior. Não há nada estático no universo. Aliás, outra definição de tempo de que gosto é: “O tempo é o espaço em movimento”. Enquanto você lê, o papel do jornal está amarelando, suas células envelhecendo, seu computador está esgotando o HD, a luz acesa no cômodo onde está agora suga energia que precisa ser renovada e, o que é bom, você nunca mais será o mesmo após cada instante.

Gosto deste último aspecto. Talvez seja um mecanismo de defesa contra a perda do viço e vigor físico acreditar que o tempo estraga a aparência mas, por outro lado, nos faz mais belos por dentro. E, mesmo assim, isso ainda é muito relativo. Podemos pensar que estamos aprendendo com a vida e isso, de fato, não estar ocorrendo.

Mas tentar ser uma pessoa melhor para si e para os outros deve ser consenso, pelo menos à luz da razão e do bom senso. Ninguém deve sair dizendo por aí que é contra aprimorar nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. Embora muita, mas muita, gente não ligue bulhufas para isso. Vive todo dia como se o relógio da existência estivesse quebrado e, consequentemente, parado.

Certamente, não estamos em vida para outra coisa a não ser buscar incessantemente superar o que nos torna imperfeitos demais. Embora isso cause dores e náuseas quando tentamos para valer. Quem ou o que criou a espécie humana não deve tê-lo feito para que fosse uma competição, tipo reality show. Mas fizemos da existência humana algo parecido, lamentavelmente. Tanto que até inspira a ficção, que neste caso imita a vida.

Não sei, até agora, o que nos faz competir com quem está ao lado. Prefiro acreditar que até certo momento da jornada humana foi necessário ao homem usar a violência contra o homem e contra os animais por uma questão de sobrevivência. Mas depois veio a ciência e a tecnologia, que deveriam ter dispensado tal necessidade de o homem ser lobo do homem. Não tem sido assim.

Talvez eu tenha uma visão muito poliânica de tudo isso e não enxergue o tamanho da encrenca que é juntar bilhões de pessoas em uma mesma arca (Terra) e achar que todos serão gentis, generosos e harmoniosos com todos. Que todos se contentarão em, no máximo, ter o mesmo que todos têm.

Vejamos o que recomendam algumas correntes da filosofia, forma mais elevada de pensar que o homem criou. Cuidado: o que vem a seguir é apenas síntese parcial e interpretativa de vastíssimas, maravilhosas e complexas obras sobre o sentido da vida.

Platão diz: “Estude mais e mais e deixe a caverna de sua ignorância”.

Aristóteles ensina: “Seja bom (como indivíduo) e logicamente virtuoso naquilo que é sua aptidão”.

O Teísmo prega: “Faça a vontade de Deus”

O Hedonismo afirma que o prazer nunca faz mal.

O Estoicismo advoga uma vida lógica e racional, sem deixar que as paixões afetem nossas decisões.

Kant entende que devemos agir com o senso de dever, sempre.

O Niilismo diz para fazermos qualquer coisa, porque a vida não tem sentido religioso, político nem social.

O Liberalismo preza a liberdade.

O Socialismo, a igualdade.

O Pragmatismo nos pede para fazer o bem para o maior número de pessoas.

O Positivismo indica o experimento científico como o melhor caminho para que façamos a coisa certa.

Estes fragmentos da filosofia são apenas provoca- ções para tentar fazer provas sobre aquilo que tenho percebido em míseros 56 anos: não sabemos quase nada do tanto o que já se concluiu sobre a arte de viver. Passamos a maior parte do tempo apenas sobrevivendo e, quando temos algum prazer material ou espiritual, achamos que a vida é muito boa e legal.

Muito pouco, em minha parca visão.

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