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Uma noite no Greb

09/10/17 07:00
Joo Jabbour

No último sábado, como no anterior, a música me transportou a uma época dourada de minha juventude, décadas de 70 e 80, quando ouvíamos canções de vários estilos, entre eles o sertanejo romântico, sobre o qual estou falando agora. Os responsáveis por mais esta viagem no túnel do tempo foram o Grêmio Recreativo Energético de Bauru (Greb) e a dupla Matão & Mathias, que fez um show empolgante com duas horas e meia de duração.

Há ocasiões em que uma conjugação de fatores torna o momento especial demais, encantador. Não conhecia o Greb, na Vila Falcão, bem ao lado do ginásio Panela de Pressão e do estádio do Noroeste, o Alfredão. Sempre quis ver como é este clube originariamente fundado por funcionários da Cesp e agora formado por famílias de outros setores do mundo do trabalho bauruense.

Fiquei embevecido com a calorosa receptividade. Ao entrar, vi que a diretoria trabalha incansavelmente durante os eventos e se integra às demais equipes em uma sincronia impecável. Para se ter uma ideia, o presidente José Colombo estava na mesa dos vales, o diretor Nelson Kobayashi fotografava tudo e ajudava a quem o solicitava e o coordenador sertanejo Tony Gonzales cuidava do palco e dos bastidores do show com zelo, mas pronto para qualquer outra tarefa.

Tudo feito com uma simplicidade e uma cumplicidade que, pelo pouco tempo que observei, são, sem dúvida, segredos deste bem cuidado e harmônico clube, que recebe a todos de braços abertos em seus eventos.

Os funcionários/colaboradores trabalham com o sorriso no rosto o tempo todo, até o final. Exemplo disso é a garçonete Maria Aparecida Nogueira, simpatia em pessoa, gentil, atenciosa e divertida. Enfim, uma comunidade feliz e muito bem resolvida com seu jeito respeitoso e singelo de se divertir ao som de clássicos sertanejos, sem se preocupar em demonstrar nem ostentar nada, absolutamente nada, a não ser a alegria de viver em paz e harmonia em uma comunidade de ambiente familiar e fraternal.

Não por acaso o Greb tem a fama de ter a melhor seresta de Bauru.

Portanto, não só a música da noite, mas também aquele povo de modos simples e de espírito elevado transportou-me a um tempo mais terno e suave, quando não se competia para ver quem podia mais nem se patrulhava a vida alheia tanto quanto hoje.

No palco, um capítulo à parte. Para quem não sabe, Mathias é um dos ícones da música caipira brasileira, fama que obteve principalmente quando formou dupla com Matogrosso, nos anos 70, 80 e um pedaço dos 90. Eles eram chamados de 'a dupla mais romântica do Brasil', alcunha conquistada a partir de sucessos como 'Tentei te esquecer', 'A boate azul', 'Pedaço de minha vida', '24 horas de amor', 'De igual pra igual', entre outros, todos, obviamente, cantados no palco do Greb, para delírio dos fãs.

Mas a vida dá voltas e Matogrosso, que sempre vem a Barra Bonita, onde tem negócios, hoje canta com outro Mathias. E este Mathias do Greb, o original, forma dupla afinadíssima com Matão, músico bom com a garganta e com viola.

Como já disse, cantaram, generosamente, por duas e meia, porque sabiam que estavam ali não apenas para fazer um show, daqueles burocráticos, mas para interagir, despertar emoções, fazer chorar e sorrir, provocar sensações que só com a música se consegue.

Bauru tem uma história longa de grandes e ótimos clubes sociais. BTC, Luso e Nipo, os mais conhecidos, também formam belas comunidades de associados, assim como outro que é vizinho do Greb, o Fortaleza, ambos, por sinal, motivos de bela reportagem de Dulce Kernbeis no caderno JC nos Bairros de ontem. Se o Greb começou com eletricitários, o Fortaleza foi formado por operários e segue firme e forte. Vida longa a eles!

 

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