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Tribuna do Leitor

Japoneses em nosso painel multicultural

José Marta Filho - engenheiro e doutor pela Unesp

Dia 18 de junho se comemora a Imigração Japonesa no Brasil iniciada no início do século XX. Hoje, o Brasil abriga cerca de 1,5 milhão de nikkeis (japoneses e seus descendentes). Em 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru aportou em São Paulo, trazendo 781 famílias, a maioria formada por camponeses de regiões do norte e sul do Japão, que vieram trabalhar nas fazendas de café do oeste do estado de São Paulo.

Enfrentaram muitas dificuldades - língua diferente, os costumes, a religião, clima e a alimentação -, venceram e muitas optaram por permanecer no Brasil. De 1939 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, a imigração japonesa foi proibida porque o Brasil entrou no conflito ao lado dos aliados, declarando guerra à Alemanha, Itália e Japão. Depois disso, as leis contrárias à imigração japonesas foram canceladas e o fluxo de imigrantes para o Brasil voltou a crescer e hoje o Brasil é o país com a maior quantidade de japoneses fora do Japão.

Na década de 70, a cidade paulista de Novo Horizonte recebeu algumas famílias japonesas que foramram plantar batatas em terras que, até então, eram desvalorizadas. Alguns moradores antigos da cidade acharam a empreitada estranha. Outros brincavam com a expressão popular "mandar plantar batatas", usada para dizer a alguém que vá encher a paciência de outra pessoa. E, surpreendentemente, o projeto deu certo. Os japoneses trouxeram, junto com a vontade de trabalhar, muita técnica, embasada em conhecimentos científicos de Engenharia Agronômica.

Foi um período especial para a cidade de Novo Horizonte pois a arte, costumes, língua, crenças e conhecimentos desse povo se aproximaram da população. Juntos com descendentes de alemães, árabes, brasileiros, espanhóis, italianos, espanhóis, portugueses, e muitos outros povos, os japoneses contribuíram para a formação de uma amostra do lindo painel multicultural chamado Brasil. Nos anos seguintes verificou-se um aumento grande de nikkeis - 1ª geração (isseis, imigrantes); 2ª geração (nisseis, filhos); 3ª geração (sanseis, netos); 4ª geração (yonseis, bisnetos) - que foram plantar batatas em Novo Horizonte. Pronto. De novo a inquietação de alguns moradores. Diziam: antes pensávamos que os japoneses podiam ser bobos porque escolheram vir plantar batatas em terras fracas de Novo Horizonte; agora que deu certo, demonstram que não são estrategistas pois chamam seus patrícios para cá e dividem o que deveria ser só deles.

Parece que esse assunto chegou até um japonês do grupo, dos mais antigos na cidade, e ele disse: "uma árvore frondosa e imensa, como uma figueira, se quebra e cai com o vento e chuva forte, mas um bambu permanece em pé porque tem a humildade de se curvar na hora da tempestade e um ajuda o outro para se levantar. A figueira enfrenta o vento sozinha e acaba sucumbindo. Assim nós plantadores de batatas, sozinhos somos fracos, não teríamos com quem dividir alguns custeios de implantação de tecnologias e orientações de técnicos; precisaríamos descartar pequenos volumes da produção, por inviabilidade de transporte, mas juntando um pouco de cada um a carga fica completa. Enfim, em todos os sentidos, unidos somos fortes. "

Neste dia 18 de junho abraçamos nossos imigrantes japoneses que, como os plantadores de batatas que passaram por Novo Horizonte, nos ensinam belas lições de gestão participativa: o que parece fraco é forte; curvar-se, mas sem quebrar; ser profundamente enraizado, mas ainda flexível; estar sempre pronto, comprometer-se com o crescimento dos outros e reerguer-se depois da tempestade. Tudo com muitos nós, como nos bambus que não cultivam eu em suas moitas.

 

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