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Bauru
Tribuna do Leitor

Brasil, o Plano B de Cabral

Carlos R. Ticiano

"Senta que lá vem história"

E Deus criou o mundo, sem o patrocínio das "empreiteiras". Adão e Eva em parceria com a cobra inventaram o "drive-in" para se divertirem. Os políticos construíram Brasília para discretamente fazerem suas "maracutaias". E os chineses trataram de fabricar e exportar tudo o que os habitantes deste planeta viriam a utilizar na rotina do seu dia a dia.

Naquela época, os aprendizes de políticos já se digladiavam em batalhas sangrentas para tomar posse do maior número possível de países para posar de poderosos. Nesta época, Pedro Álvares Cabral, já cansado da rotina de sair todos os dias para pescar e à noite ficar bebendo nas "tabernas", resolveu se aventurar pelo "Mar Oceano" à procura do tal caminho para as Índias.

Com o incentivo do Rei Dom Manuel e uma poderosa esquadra formada de dez naus e três caravelas e uma tripulação numerosa, composta de todo tipo de homens, entre eles até "degredados", partiu Cabral do Tejo sem lenço e sem documento. Não sei se por problemas na "bússola", no traçado de rota do "GPS" ou se por falta de vento, que o próprio Vasco da Gama já o havia alertado, acabaram nos costados do que viria a ser a América do Sul.

Do lado de lá do continente, viviam os aborígenes, deste lado de cá do continente viviam os indígenas divididos em várias etnias. Comandados por caciques e morando em tabas, os índios tinham uma vida tranqüila, sem problemas de transporte, desemprego, segurança e saúde. Mas todas essas regalias estavam com os dias contados, pois depois de navegarem por muito tempo, do alto da "gávea" (cesto de observação) de uma das caravelas, alguém avistou e gritou - Terra à vista!...

O dia exato que aportaram por aqui ninguém sabe direito, pois todo mundo mexia naquela folhinha. Inicialmente, aos sinais de terra avistados, um monte (Monte Pascoal), um porto (Porto Seguro), uma ilha (Ilha de Vera Cruz), uma terra (Terra de Santa Cruz) e depois de consultarem as cartas de tarô, decidiram finalmente por Brasil. Diante do acontecido, Cabral enviou de volta a Portugal uma caravela, levando uma carta escrita pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, relatando a descoberta de uma nova terra, e em seguida, seguiu viagem com destino as Índias. Já com as caravelas ancoradas com a ajuda de "flanelinhas", pisaram em terra firme para um primeiro contato com os índios, que andavam nus e com os corpos pintados. Sem entenderem nada, acharam melhor ir com calma, e saíram distribuindo todo tipo de "quinquilharia", pois pensaram se tratar de uma "passeata" a reivindicar alguma coisa.

Não foi fácil o relacionamento com os indígenas, considerando a intenção dos portugueses de apropriarem-se de suas riquezas naturais, entre elas da árvore pau-brasil de onde se extraiam uma tinta avermelhada, do ouro e das pedras preciosas. Diante desse impasse "diplomático", foi tiro pra lá, flechada pra cá e muita gente morta e ferida. Teve até um bispo, dom Pero Fernandes Sardinha, que acabou entrando para o cardápio do dia e servido no "self-service" do restaurante do Cacique.

Teve também o caso do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera) que iludiu os índios, fingindo por fogo nas águas ao colocar aguardente em uma vasilha e atear fogo. Tudo isso para obrigar os índios a dizer onde se encontravam ouro e pedras preciosas. Toda essa riqueza, aqui retirada, era enviada a Portugal, o que deixava as "elites coloniais" revoltadas e inconformadas com a situação do Brasil em ser apenas uma Colônia Portuguesa. Diante desta situação, Dom Pedro I não teve outra escolha a não ser proclamar a "Independência do Brasil".

A partir desta data (07/09/1822), o Brasil passou a ser exatamente o que é hoje, ou seja, o país dos políticos, e não mais dos índios, dos trabalhadores, dos aposentados, dos idosos, dos jovens... Acredito que não preciso entrar em maiores detalhes para explicar como foi o nosso passado, como está sendo o nosso presente e como será, sabe Deus, o nosso futuro.

"Levanta que a chapa está esquentando"

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