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Bauru
Tribuna do Leitor

Em construção

Rafaela Rosa - jornalista e escritora

Somos obras que ainda não estão concluídas. Somos os tijolos que ainda estão sendo colocados aos poucos. Entre os desenhos, somos aqueles que ainda não conseguiram chegar a um formato específico. Nosso bordado está ao avesso e por isso não compreendemos onde está o começo, qual o sentido do meio e se haverá um final feliz. Dentre os vícios, o que mais nos persegue é a necessidade da aceitação. Ser aceito na família, no emprego, entre os amigos. Sofremos ao imaginar que o amor não será correspondido.

Achamos estranho o fato de alguém não nos ligar ou agir como se não se importasse conosco. Em alguns casos, poucos e raros se importam realmente. Reclamamos do que já foi, nos tornamos perturbados pelo que há de vir. Queremos ser reconhecidos em um mundo onde a disputa por mais curtidas em uma foto é muito mais forte do que a união para acabar com a fome. Perdemos, erramos, voltamos a perder, seguimos errando, até que um dia, depois de tanto sofrer descobrimos que as melhores vitórias são aquelas que vivemos em silêncio. Há uma dose de paz no pijama e nas meias, na casa limpa e na solidão.

Não, você não precisa usar roupas de marca ou perfumes importados. Tu és livre para ficar com os pés no chão e deitar na grama para aliviar as dores das costas. Os outros não são obrigados a tratarem você com educação ou carinho. Cada pessoa oferece aquilo que carrega na alma. Mesmo que uns exalem ódio, existem os que transbordam amor por onde passam e florescem. Não tente entender o significado agora, mas reforce o pensamento ao lembrar que ponte de acesso não é e nunca será ponto de chegada.

Você nasceu com asas e sofre por tentar fazer parte daqueles que possuem raízes. Deixe livre, deixa seguir. Tudo o que você ama, necessita de liberdade. Se não voltar é porque você nunca teve, mas se te reencontrar é porque você conquistou. "Se o mundo inteiro fosse cego, quantos iriam te amar?". Somos obras em construção, observe o desenho, ainda dá tempo de mudar o que você julga irreversível. No final, você será encontrado por aquilo que tanto procura. Até lá, continue acreditando em sonhos e explique para as crianças que toda decepção é um livramento. "Você nunca perde, ou ganha ou aprende". Segue o baile!

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