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10 'nós' no trânsito de Bauru

O JC nos Bairros visitou alguns pontos da cidade que geram confusão ou "jeitinho" por parte de motoristas. Apesar de não terem problemas técnicos, dão um nó na cabeça de quem passa por eles, causando até acidentes

20/01/19 07:00
Ana Beatriz Garcia
Fotos: Ana Beatriz Garcia
Rua Capitão João Antônio ganha trecho de mão única apenas na quadra 11
Carro faz conversão proibida na esquina da avenida Cruzeiro do Sul com a rua Aureliano Cardia

Com uma frota atual de cerca de 280 mil veículos, Bauru possui vários pontos um tanto quanto confusos no trânsito. Esses locais se transformam em verdadeiros 'nós' causados por motoristas, por falta de conhecimento na regulação de trânsito ou por traçados incomuns nas vias. Não se trata exatamente de uma crítica à intervenção do poder público nesses locais, embora a autarquia responsável pelo trânsito, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), não tenha respondido aos questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.

Além de dar um nó na cabeça dos motoristas, determinados pontos podem, de forma mais séria, culminar em acidentes. Sendo assim, o JC nos Bairros desta semana listou 10 exemplos na cidade e conversou com os protagonistas do trânsito, os motoristas.

Rotatória nas ruas Antônio Francisco Lisboa com a rua Antenor de Almeida
Cruzamento perigoso na avenida Orlando Ranieri
Encontro das ruas Vereador Antônio Ferreira de Menezes com Bernardino de Campos
Motoristas são obrigados a entrar à esquerda em quadra de mão única na rua Doutor Gonzaga Machado

Como é o caso da rua Antônio Alves que, ao longo da maior parte de suas 35 quadras, segue no sentido preferencial da via, exceto no cruzamento com a rua Amadeu Sangiovani, na Vila Universitária, quando a rua conta com a sinalização de "Pare" nem sempre respeitada pelos motoristas. Assim, o cruzamento já foi palco de acidentes e muitas reclamações.

Já na rotatória que liga as ruas Antônio Francisco Lisboa com a Antenor de Almeida, próximo ao Makro, no Jardim Contorno, existe a sinalização de "Pare" para os quatro sentidos que culminam na rotatória. Os motoristas que passam pelo local não sabem de quem é a preferencial e não há sinalização para isso. Um motorista que mora na região e trafega pelo local diariamente disse que "vale o bom senso".

ÚNICA OU DUPLA?

Nos casos seguintes, a estranheza é causada por conta do sentido da via. A rua Capitão João Antônio, por exemplo, segue como mão única e torna-se mão dupla apenas na quadra 11, no Alto Higienópolis. Isso ocorre inversamente com a rua Doutor Gonzaga Machado, no Jardim Marambá. Essa é uma rua que tem mão dupla em sua extensão, quando torna-se mão única na quadra 6.

Nos dois casos, mesmo com a sinalização, motoristas relatam a confusão, principalmente, em relação às pessoas que não moram na cidade e, por imprudência ou distração, acabam por não respeitar a mudança de mão.

CONVERSÃO PROIBIDA

Bastou a reportagem chegar à esquina da avenida Cruzeiro do Sul com a rua Aureliano Cardia para flagrar uma conversão proibida à esquerda. Mais alguns minutos e mais alguns exemplos de motoristas que cruzam a avenida para entrar na rua Aureliano Cardia.

Na avenida Orlando Ranieri com a rua Doutor Gonzaga Machado, apesar de permitido, existe uma conversão perigosa no cruzamento da avenida para entrar na rua Doutor Gonzaga Machado. Já que os motoristas relatam que cruzar a avenida, além de perigoso, ainda causa lentidão no fluxo da avenida.

Já na avenida Rodrigues Alves, na quadra 23, em frente à Central De Polícia Judiciária (CPJ), motoristas fazem um retorno, agora proibido, para acessarem a outra pista da avenida. O mesmo ocorre na rua Rubens Arruda, em frente ao Pronto-Socorro Central. Ali, é de costume que motoristas façam o retorno no meio da rua, para seguirem para o sentido oposto da rua Rubens Arruda.

Os últimos dois exemplos também são confusões causadas por imprudência dos motoristas ao avançarem as sinalizações de "Pare". No cruzamento da Campos Salles com a rua Carlos de Campos , há o encontro de dois sentidos para entrar na rua Carlos de Campos. Ali, muitos motoristas avançam o "Pare", causando batidas. Na rua Vereador Antônio Ferreira de Menezes com rua Bernardino de Campos, ocorre o mesmo.

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Fotos: Ana Beatriz Garcia
Encontro das ruas Campos Salles com Carlos de Campos, em frente ao posto de combustíveis
Ronaldo Martins e sua filha Rubia Martins sempre veem motoristas fazendo ‘retorno’ na rua Rubens Arruda
Ronaldo Gomes Moraes está no mesmo ponto de táxi há 20 anos e já viu muitas conversões proibidas no cruzamento da avenida Rodrigues Alves com a rua Gustavo Maciel
Osmar Francez é taxista há 35 anos e avalia negativamente o motorista bauruense
Quioshi Goto/JC Imagens
Exemplo de acidente na rua Antonio Alves com a rua Amadeu Sangiovani: veículo subia a rua Antonio Alves e colidiu com outro carro, que veio a capotar

Taxista há 35 anos, Osmar Francez, de 82 anos, já viu de tudo no trânsito de Bauru. Assim como ele, todos os dias, os motoristas da cidade se deparam com situações adversas no tráfego. Quem está perto de alguns “nós” do trânsito também relata que o som de buzinas e freadas são constantes no local.

Para seo Osmar, que dirige todos os dias, o principal problema do trânsito são mesmo os motoristas. “As pessoas dirigem muito mal. Não respeitam o sinal, o ‘Pare’ e não dão seta, parece que nem tem no carro”, brinca o taxista.

Ainda segundo ele, a cidade não é tão difícil para se dirigir, mas alguns pontos, realmente, ficam confusos. “Aí vale o bom senso, a gente tenta não atrapalhar o trânsito e dá os sinais, mas tem que não respeite mesmo”, aponta.

Em outro ponto, na rua Gustavo Maciel, o taxista Ronaldo Gomes Moraes, de 58 anos, comenta que sempre vê motoristas realizando conversões em cruzamentos proibidos. “Estou a 20 anos nesse ponto. Já vi muita gente fazendo conversão errada, principalmente motociclistas, por toda a cidade e aqui na Gustavo Maciel com a Rodrigues, já tiveram até acidentes”, afirma.

De acordo com ele, algumas dessas infrações poderiam ser inibidas com maior fiscalização. “Não sei se é um questão só das pessoas dirigirem mal, ou se é uma questão de falta de atenção ou fiscalização. Antes, anos atrás, tinha mais fiscalização no trânsito do Centro, então era mais difícil ver esse tipo de coisa na cidade. Os motoristas tinham mais medo de fazer coisa errada”, relembra.

ACIDENTES

Na esquina da rua Antônio Alves com a rua Amadeu Sangiovani, a empresária Ana Claudia Fernandes de Souza, de 45 anos, relata que, praticamente todos os dias, escuta buzinas e freadas na esquina de sua loja de roupas fitness e biquínis. “Aqui, nesse cruzamento, sempre tem confusão de carros. É muito comum. Já aconteceram acidentes, em um deles, o carro capotou e quase entrou na minha loja”, relata Ana.

Quem também acompanha essas confusões no trânsito, diariamente, é a frentista Naiara Moraes, de 28 anos, que trabalha, há 3 anos, em um posto de combustíveis na esquina da rua Campos Salles com a rua Carlos de Campos. “Aqui sempre passam reto no ‘Pare’ e, as vezes, acabam quase batendo. Eu nunca vi nenhum acidente, mas sei que é possível acontecer, já que o pessoal não respeita mesmo”, comenta.

RETORNO?

Estacionado em frente ao Pronto-Socorro Central, o trailer de lanche de Ronaldo Martins, de 46 anos, por pouco, consegue se "safar" de arranhões, todos os dias. "O trailer da minha vizinha já foi arranhado várias vezes por carros que viram aqui no meio da rua. Já acertaram a minha moto também, mas nesses 5 anos que estou aqui, já vi muita gente fazendo o 'retorno'. Todos os dias tem", conta.

O retorno a que Ronaldo se refere é a volta na rua Rubens Arruda, que alguns motoristas executam, para acessar o outro sentido da rua. "Eles saem da Duque de Caxias, entram na Rubens Arruda e viram em frente o trailer. Sempre escutamos buzinadas de quem está vindo pelo outro sentido da rua", finaliza.

Excesso de sinalização também pode confundir, diz especialista

O doutor em engenharia de transportes Archimedes Raia Junior destaca a importância de uma sinalização viária bem executada

Ana Beatriz Garcia
Após avançar o 'Pare' na rua Antonio Alves, veículo é flagrado freando antes de colidir com outro carro, nesta semana
Samantha Ciuffa
Archimedes Raia Junior, doutor em Engenharia de Transportes, fala sobre a sinalização em Bauru

Para que haja fluidez no tráfego, determinadas questões são de extrema importância em uma cidade. Apontada como uma das principais necessidades de um plano de tráfego, a sinalização viária não deve se exceder, de acordo com o engenheiro, especialista em segurança viária, doutor em Engenharia de Transportes e professor associado da UFSCar Archimedes Raia Junior. Em relação aos pontos que o JC nos Bairros apresentou, em muitos casos, a sinalização em si não é o problema, mas a leitura delas sim (leia mais abaixo).

Dentro da engenharia de tráfego, o projeto de sinalização é algo de muitíssima importância e nem sempre levada em consideração, segundo Archimedes. “Você tem um plano de circulação, que são os movimentos que os veículos podem fazer, onde podem estacionar, as velocidades e por aí vai. Esse projeto de sinalização deve ser muito bem pensado para que ele não tenha nem informações a mais, nem a menos. A gente observa que, muitas vezes, esse problema ocorre, o que acaba por confundir o motorista e os usuários do sistema ”, explica.

Em relação a Bauru, o especialista acredita que o órgão gestor da cidade tem uma predisposição em fazer bem, mas acha que isso não acontece. “Vejo que existe excesso de sinalização, por vezes. A Emdurb fez a demarcação amarela em cruzamentos, por exemplo, a intenção é boa, mas isso às vezes ajuda a saturar a sinalização, acaba por confundir. Além de ser caro – porque a sinalização viária tem alto custo – ainda penso que não ajuda muito. Acredito que isso deveria se restringir a alguns lugares onde você tem dificuldade de operação devido a este estacionamento, mas não de uma forma disseminada como é feita hoje”, analisa.

ESCOAMENTO

Como bem se sabe, não apenas a sinalização é responsável por pontos de acidentes e trombadas, mas, principalmente, a imprudência e falta de conhecimento de quem está atrás do volante.

Como no caso do cruzamento da rua Araújo Leite com a Amadeu Sangiovani, o especialista concorda com o ‘Pare’ sinalizado na via e explica que, em caso de cruzamentos que são vias de importância, próximas entre si, é necessário escolher uma para que seja a preferencial. “Neste caso, essa é uma opção para escoar os veículos que saem da Araújo Leite em direção à Getúlio Vargas, então, acho que este não é um caso ruim”, examina.

Nesta semana, a reportagem esteve no ponto e flagrou, em poucos minutos, um carro que avançou a sinalização de 'Pare' e teve de frear bruscamente para não colidir com o veículo que seguia pela rua Amadeu Sangiovani.

Archimedes ainda levanta um outro ponto da cidade que, em sua opinião, não teve uma escolha de preferencial adequada. “A rua Rubens Arruda foi trabalhada para ser uma preferencial para ajudar no escoamento no sentido Norte-Sul, ela tem um pavimento bom para isso. Mas ela perde a preferencial na rua Capitão Gomes Duarte, que tem bem menos fluxo que ela. Acho que, neste caso, não é a melhor solução”, afirma. “Há um tempo atrás, pensava-se assim: vou dar mais segurança em uma via fazendo algumas interrupções no fluxo de tráfego e isso é algo que eu vejo como superado, porque acaba confundindo o motorista. Cada caso precisa ser muito bem pensado para que não atrapalhe o trânsito que já está tão complicado”, finaliza.

 

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