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Araújo Leite: a rua que é uma cidade

Com suas 40 quadras, essa é a rua mais extensa de Bauru e reúne diversas histórias

06/01/19 07:00
Ana Beatriz Garcia
Ana Beatriz Garcia
Curva da quadra 40 que dá acesso à Alameda Dr. Otávio Pinheiro Brisolla

Cheia de vida, movimentada, com histórias atuais e do passado, a rua Araújo Leite, que liga o Centro ao Jardim Aeroporto, é a via mais extensa da cidade. Contando com 40 quarteirões que cortam avenidas como Duque de Caxias e Rodrigues Alves, a rua guarda lembranças de um tempo em que não se viam tantos carros por ali.

Hoje, com fluxo intenso, a rua é caminho para o Centro da cidade, conta com inúmeros estabelecimentos comerciais de diversos segmentos e é endereço de diversão com a pista de skate, de carteira assinada com o Ministério do Trabalho, de vida com a Maternidade Santa Isabel e de tranquilidade com o Bosque da Cidade.

Próximas da curva da quadra 40 que dá acesso à Alameda Dr. Otávio Pinheiro Brisolla, moram Vilte Regina de Preto Ferrari, de 76 anos e a neta Thatiana Ferrari Ceron, de 32 anos. O local, que aparentava calmo por conta da vizinhança com o aeroporto, na verdade, esconde suas particularidades. “Aqui nós ouvimos muitos acidentes, muitas batidas. É complicado entrar de carro em casa, porque poucos carros respeitam. O fluxo também é muito intenso por aqui, por serem duas mãos”, comenta dona Vilte Regina que mora na quadra 38 da Araujo Leite há mais de 30 anos.

OUTROS TEMPOS

Ana Beatriz Garcia
Douglas Leonardo Moreira aproveita para andar na pista de skate da rua Araújo Leite sempre que pode

Antes da rua ser tomada pelos carros que teimam em se chocar no local, a neta de dona Vilte, Thatiana, conta que ali era o melhor lugar para se brincar. “Eu lembro com muita saudade do tempo em que essa rua era fechada, sem saída. Eu andava de bicicleta com o meu irmão e aqui tinha muito pouco movimento”, comenta. “Lembro também que, aqui em frente de casa, tinham duas mangueiras. Muita gente vinha colher manga do pé”, recorda Thatiana.

Ela ainda mora no mesmo endereço, no fundo da casa da avó e relata o mesmo problema em relação ao fluxo de carros na região. “Gosto de morar aqui, é acessível. Mas é um caminho que vem de muitos lugares e leva para outros muitos lugares, o que deixa uma rua muito cheia. Já quase bateram no meu carro em um engavetamento, isso é bastante frequente aqui”, narra.

DIVERSÃO

Diferente da lembrança de Thatiana, mas não distante dos esportes, a rua que um dia foi caminho para que ela andasse de bicicleta, hoje, é ponto de encontro pra quem ama andar de skate. Douglas Leonardo Moreira, de 19 anos, mora no Mary Dota, mas não se importa com a distância para ir até a rua Araújo Leite, sempre que pode, para praticar o esporte. "Eu acho muito boa essa pista e aqui vem gente de todos os lugares. Venho sempre que posso e espero que uma hora tenha uma dessas no meu bairro. Enquanto isso, eu venho até aqui para andar de skate", conta.

Quem foi Araújo Leite?

Homem batalhador, João Batista de Araújo Leite foi um dos pioneiros de Bauru junto de Azarias Ferreira Leite, seu sobrinho e genro. De acordo com o jornalista e historiador Luciano Dias Pires, ele chegou na cidade em meados de 1800 e comprou muitas terras. "Foi um homem que ajudou muito na criação e expansão de Bauru e também teve vida política intensa", comenta.

As histórias que a rua guarda

Com uma casa na quadra 23 da rua Araújo Leite há 50 anos, seo Laércio Mulati, de 81 anos, comenta sobre como a rotina da rua mudou ao longo dos anos e com o crescimento da cidade. “Quando compramos a casa recém construída, tudo aqui em volta de nós era terreno vazio. A rua era calma e tinha o sentido contrário do que se tem hoje. Esse prédio aqui da frente, nem pensava em existir. Quase não tínhamos vizinhos, agora, só aqui com o prédio, são 52 apartamentos de vizinhança", comenta o aposentado.

Do quintal de sua casa, já viu muita história e muita gente passar. Viu a mudança do cenário bucólico tornando-se cosmopolita e essa é uma das coisas que mais gosta na rua em que mora. "Sempre que posso chego aqui no portão e fico observando o movimento. Isso só é possível nos dias de hoje. Morei muito tempo fora, mantivemos a casa aqui mas morei fora. Sentia falta disso, agora estou de volta e aproveito para passar um pouco da tarde no portão", relembra.

Quem também observa muito o movimento da rua é o taxista Joaquim Martins Ribeiro, de 67 anos. O ponto está do lado da Maternidade Santa Isabel, na quadra 26 da Araújo Leite, há 40 anos e seo Joaquim trabalha alí há 30. "Muita coisa já aconteceu por aqui. São muitas histórias, ainda mais por ser taxista", comenta. "Lembro de uma mulher que morava aqui na Araújo Leite e que pedia sempre para eu dar uma volta com ela, passando sempre pelo mesmo lugar. Ela não descia do carro, só ia e voltava para o ponto. Um dia, ela resolveu me contar. Com medo de estar sendo traída, fazia isso para conferir se o carro do esposo estava naquele lugar da cidade", conta aos risos.

A proximidade com a maternidade também rendeu lembranças para seo Joaquim. "Uma vez, uma grávida teve gêmeos e não tinha como ir até sua casa. Vieram até o ponto e pediram que eu ajudasse ela com os bebês e com as malas, porque ela estava debilitada da cesárea. Levei ela até a casa dela com os bebês e, hoje, eles são grandes e sempre que passam por aqui me cumprimentam", relata o taxista.

BOA VIZINHANÇA

Há apenas três meses, Marcos Boconcello, de 49 anos, também acompanha o dia a dia da rua Araújo Leite. Isso porque ele resolveu abrir uma barraquinha para vender frutas, em frente à sua casa. "A maioria das frutas são de produção da minha propriedade e algumas são compradas. A clientela está boa e a rua é um bom ponto, porque passa muita gente por aqui", comenta o pecuarista.

São melancias, abacaxis, laranjas e legumes, dos mais variados, que colorem e chamam a atenção na quadra 23 da Araújo Leite.

No outro lado calçada, Marcelo Fernandes, de 45 anos, trabalha como coordenador em uma agência de viagens. Segundo ele, a chegada da barraquinha mudou o lanche do pessoal da agência. "Vim buscar umas bananas para as meninas", diz Marcelo. "Com a barraquinha aqui na frente, ficou mais fácil para comer saudável nos intervalos. Sempre venho buscar alguma fruta com ele, para o pessoal da agência comer durante a tarde", comenta.

Outra ponta

Ana Beatriz Garcia
Seo Laércio Mulati passa as tardes no quintal de sua casa para ver o movimento da rua que conhece há 50 anos

Com uma casa na quadra 23 da rua Araújo Leite há 50 anos, Laércio Mulati, 81 anos, comenta sobre como a rotina da rua mudou ao longo dos anos e com o crescimento da cidade. "Quando compramos a casa recém-construída, tudo aqui em volta de nós era terreno vazio. A rua era calma e tinha o sentido contrário do que se tem hoje. Esse prédio aqui da frente nem pensava em existir. Quase não tínhamos vizinhos. Agora, só aqui com o prédio, são 52 apartamentos de vizinhança", comenta o aposentado.

Do quintal de sua casa, já viu muita história e muita gente passar. Viu a mudança do cenário bucólico para a efervescência de hoje, uma das coisas que mais gosta na rua em que mora. "Sempre que posso chego aqui no portão e fico observando o movimento. Isso só é possível nos dias de hoje. Morei muito tempo fora, mas mantivemos a casa aqui. Sentia falta disso, agora estou de volta e aproveito para passar um pouco da tarde no portão", relembra.

Quem também observa muito o movimento da rua é o taxista Joaquim Martins Ribeiro, 67 anos. O ponto está do lado da Maternidade Santa Isabel, na quadra 26 da Araújo Leite, há 40 anos e Joaquim trabalha ali há 30. "Muita coisa já aconteceu por aqui. São muitas histórias, ainda mais por ser taxista", comenta.

"Lembro de uma mulher que morava aqui na Araújo Leite e que pedia sempre para eu dar uma volta com ela, passando sempre pelo mesmo lugar. Ela não descia do carro, só ia e voltava para o ponto. Um dia, ela resolveu me contar. Com medo de estar sendo traída, fazia isso para conferir se o carro do esposo estava naquele lugar da cidade", conta, aos risos.

A proximidade com a maternidade também rendeu lembranças para Joaquim. "Uma vez, uma grávida teve gêmeos e não tinha como ir até sua casa. Vieram até o ponto e pediram que eu ajudasse ela com os bebês e com as malas, porque ela estava debilitada da cesárea. Levei ela até a casa dela com os bebês e, hoje, eles são grandes e sempre que passam por aqui me cumprimentam", relata o taxista.

Fluxo intenso impulsiona comércio

Rua que marcou os primórdios do comércio em Bauru (leia mais abaixo), a Araújo Leite é também é uma via conhecida por seus diversos estabelecimentos comerciais. São diversos os segmentos e os comerciantes da região aprovam a localização, principalmente, por conta do fluxo intenso de carros e pedestres.

Quem comprova isso é Dirceu Cerigatto, de 80 anos, que é proprietário de uma loja de rolamentos na quadra 10 da rua Araújo Leite. "Nós começamos em 1968, são 50 anos de história aqui na Araújo Leite. Começamos aqui na esquina, depois comprei o terreno dessa loja e estamos aqui desde 1976. O comércio mudou muito de lá pra cá, mas, sem dúvidas, aqui é bom ponto, uma boa rua para ter o ponto", diz.

Dirceu ainda destaca que o local é muito movimentado. "Aqui o fluxo é intenso, passam muitos carros todos os dias e param aqui em frente, por conta do sinaleiro. Já para estacionar é um problema, mas nós fizemos um estacionamento próprio para os nossos clientes na rua de trás, já pensando nessa dificuldade", afirma.

VISIBILIDADE

Quadras acima, no número 17, Karina Goulart de Almeida, de 36 anos, comenta que a empresa que gerencia passa pelo mesmo problema. "Tanto para nós que trabalhamos, quanto para os nossos clientes, o problema dessa rua é o estacionamento. Mas estão surgindo vários particulares ao redor, o que ajuda bastante", comenta.

Segundo ela, a empresa de essências que funciona há 17 anos na rua Araújo Leite teve crescimento também por conta da boa localização. "Nós estávamos na quadra 18 e mudamos para a esquina da 17. Foi muito bom para nós. Passam pessoas de todos os bairros por aqui e é uma visibilidade diferente porque estamos de frente para quem desce. Nossos clientes são de todas as partes de Bauru", comenta Karina.

HISTÓRIA

Quem também está no local há muitos anos é Lair Francisco Gusman Assis, de 53 anos, proprietário de uma empresa de refrigeração. "Ano que vem fazemos 30 anos. Começamos na rua bandeirantes, depois mudamos para a frente da igreja Nossa Senhora Aparecida e depois a empresa cresceu e continuamos na Araújo Leite, mas na quadra 7", comenta.

Ele ainda conta que um dos motivos de terem mudado de endereço foi justamente o fluxo da Araújo Leite. "Isso dá uma visualização bacana. A gente acaba se tornando bem conhecido por conta disso", diz. "Essa rua tem bastante história. Bauru praticamente começou na Araújo Leite, às vezes eu passo nas quadras de baixo e até penso 'nossa, foi aqui que tudo começou'. É muito bacana saber que a minha empresa está localizada nesse ponto histórico de Bauru e tão conhecido", finaliza.

Berço do comércio

Fotos: Ana Beatriz Garcia
Dirceu Cerigatto tem seu comércio na Araújo Leite há 50 anos 
Lair Francisco Gusman Assis relembra que a rua marcou o início do comércio bauruense

Rua que marcou os primórdios do comércio em Bauru (leia mais abaixo), a Araújo Leite é também é uma via conhecida por seus inúmeros estabelecimentos comerciais. São diversos os segmentos e os comerciantes da região aprovam a localização, principalmente por conta do fluxo intenso de carros e pedestres.

Quem comprova isso é Dirceu Cerigatto, 80 anos, que é proprietário de uma loja de rolamentos na quadra 10 da rua Araújo Leite. "Nós começamos em 1968. São 50 anos de história aqui na Araújo Leite. Começamos aqui na esquina, depois comprei o terreno dessa loja e estamos aqui desde 1976. O comércio mudou muito de lá para cá, mas, sem dúvidas, aqui é bom ponto, uma boa rua para ter o ponto", diz.

Dirceu ainda destaca que o local é muito movimentado. "Aqui o fluxo é intenso, passam muitos carros todos os dias e param aqui em frente, por conta do sinaleiro. Já para estacionar é um problema, mas nós fizemos um estacionamento próprio para os nossos clientes na rua de trás, já pensando nessa dificuldade", afirma.

 

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