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Aos 25 anos, Jardim Botânico visa conscientizar a população sobre sua função ambiental

03/02/19 07:00
Ana Beatriz Garcia
Malavolta Jr.
O Jardim Botânico recebe, em média, 70 mil visitantes por ano

Os jardins botânicos são instituições que visam a pesquisa, a conservação vegetal e a educação. Considerados museus vivos, suas coleções permitem que a sociedade conheça a biodiversidade e a importância das plantas para a vida no planeta. Mas nem sempre esse espaço natural é visto dessa maneira.

Próximo de completar 25 anos em Bauru, em março deste ano, o local que recebe, em média 70 mil visitantes por ano, visa estreitar relações com a comunidade e sensibilizar o público em relação à sua finalidade.

Locais como o gramado para piquenique, o lago, as orquídeas e a trilha são os pontos que mais chamam a atenção dos visitantes que vêm de todas as partes do Brasil e do mundo, para conhecerem o Jardim Botânico de Bauru.

Malavolta Jr.
O lago com vitórias-régias é um dos pontos mais procurados

Há 22 anos no local, o diretor do Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto afirma que o intuito da instituição é criar uma relação com a comunidade para que ela entenda o que é um Jardim Botânico. “O Jardim Botânico não é um parque urbano. Ele é um Jardim Botânico. E, para melhorar essa relação, nós inauguramos, em 2015, o Centro de Visitação que trás muita informação do nosso universo de trabalho, para as pessoas se aproximarem desse universo. O zoológico a maioria das pessoas sabe do que se trata, mas o Jardim Botânico, as pessoas não sabem de jeito nenhum”, comenta. “Nós somos quem conserva as plantas para as futuras gerações, somos um fiel depositário de espécies vegetais e, agora, com uma visão mais moderna, a gente procura conservar o que é regional e não mais o que é do mundo ou do Brasil”, reforça.

O que não impede do local também ter exemplares para fins educacionais, históricos e pela beleza cênica. “Nós temos aqui café, seringueira, pau-brasil e cacau, a gente fala, com plantas, sobre um ciclo econômico no Brasil. Nós poderíamos fazer nosso trabalho sem estar aberto ao público, mas não é essa a ideia. Nós queremos sensibilizar as pessoas”.

COMPORTAMENTO

Lugar público e de entrada gratuita, o Jardim Botânico recebe desde pessoas atentas às normas até as que não se importam com as informações descritas em placas espalhadas pelo parque. “Depois que criamos as normas, os problemas começaram a diminuir, mas, mesmo assim, existem problemas. Considero isso uma questão cultural e uma questão de educação. Quando se fala de educação, é uma questão um pouco mais complexa. A mudança de comportamento é a longo prazo, às vezes, demoram gerações. Então, dentro do possível, a gente trouxe, com esses normas, uma forma das pessoas entenderem que aqui não é um lugar para se fazer tudo que se quer”, comenta o diretor.

Por exemplo, no JB não é permitido entrar ou ingerir bebidas alcoólicas, mas, de acordo com o diretor, algumas pessoas ainda entram com bebidas escondidas em coolers. “Quando nós vemos, orientamos e as vezes adianta e as vezes não adianta. Fizemos algumas placas com as informações de proibição, mas as pessoas não gostam de ler. Existem placas indicando horários de encerramento, por exemplo, e tem quem diga que não sabe que horas que encerra”, finaliza.

Botânico dá continuidade a campanhas e se prepara para comemoração

Prefeitura Municipal/Divulgação
O sagui é um animal de vida livre que pode oferecer risco
para a população, assim como a comunidade pode infectá-lo

Com campanhas em andamento desde o último ano, os 25 anos do Jardim Botânico será comemorado em clima de trabalho e memórias. Com diversas atividades sendo realizadas, duas campanhas a longo prazo se destacam para o ano de 2019. Essa e outras conquistas da instituição também serão revisitadas em atividades em comemoração ao aniversário do Botânico.

Ainda neste mês, haverá uma exposição no Jardim Botânico que mostrará fotos desde a criação da instituição até os dias de hoje, mostrando as conquistas e os passos ao longo dos anos.

“Ainda temos o desejo muito forte de lançar um livro de fotografias que depende de patrocínio para ser viabilizado. Também queremos realizar o projeto Bastidores, que detalha os trabalhos realizados no JB. Seria aos domingos e receberíamos o público para contar sobre as particularidades, uma forma das pessoas também entenderem que o Botânico não é só um local de visitação. Além de, claro, dar continuidade a projetos importantes que tiveram início em 2018”, ressalta o diretor do Jardim Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto.

‘ELE LÁ, EU AQUI’

Uma dessas ações que permanecerão neste ano no Jardim Botânico é a campanha educativa “Eu curto sagui - Ele lá, eu aqui”. A ação, lançada em 2018, tem como objetivo orientar a população para não oferecerem alimentos aos saguis que habitam áreas naturais próximas ao ambiente urbano. Esta campanha começou no Jardim Botânico e se estenderá para outros locais onde estes animais ocorrem.

Malavolta Jr.
Existem placas explicando sobre a campanha "Eu curto sagui: ele lá, eu aqui" pelo Botânico; Distribuição de folders também faz parte da campanha

“Esse é um trabalho a longo prazo, porque envolve educação. A gente não trabalha isso só no JB, mas no Lauro de Souza Lima, no Hospital da Unesp, no Hospital da Unimed, vamos para o CTI e vamos começar fazer uma programação para atingir a todos. É uma mudança de comportamento que a gente quer”, afirma.

Os saguis existem nessa região a bastante tempo. Esses animais de vida livre passam a se aproximar de ambientes como o Jardim Botânico e vivem em grupos de 8 a 12, de acordo com o diretor do Botânico. “Em um trecho do JB, é permitido fazer piquenique e acontece essa aproximação das pessoas com os saguis. As pessoas não se contentam em ver, mas querem tirar fotos e pegá-los. Principalmente nesses últimos anos, em que vivemos esse momento pet. O grande problema é que as pessoas querem tratar animais de vida livre como animais domésticos e esquecem que eles podem nos trazer doenças. Existe o perigo da pessoa se contaminar – com um arranhão, com uma mordida – e/ou contaminar o animal”, salienta.

Segundo narra Luiz Carlos, foi por conta das pessoas alimentarem os saguis que todo um grupo de 12 saguis morreu de herpes no último ano. “Eles sofreram com a doença. É triste de ver porque é letal para eles”, afirma.

COM A COMUNIDADE

Outro projeto que continua com tudo em 2019 conta com a colaboração da comunidade. “Dentro do nosso trabalho, o que mais queremos alcançar é a relação com a população, para que ela se sinta parte e responsável pelo Jardim Botânico”, diz o diretor.

Luiz lembra que na oportunidade do Fórum para a Conservação da Mata Atlântica e do Cerrado foram discutidos os corredores ecológicos que iriam ligar os fragmentos existentes dentro das APAS. “Dentro deste contexto, nós temos um viveiro de produção de mudas. E a gente fez um outro projeto no ano passado, que chama ‘Floresta Solidária’, um projeto lindo em que as pessoas que têm um remanescente importante na sua propriedade e cedem sementes para o viveiro do Jardim Botânico. A pessoa que cede as sementes passa a ser um parceiro na preservação daquela espécie”, explica o diretor.

Luiz explica que o projeto é para marcar as matrizes, pegar as sementes e introduzi-las novamente no meio-ambiente. “E não só para recuperá-las, mas para plantar indivíduos ameaçados de extinção na região. Assim, o JB de Bauru colabora também com as metas nacionais de preservação”, diz. “Nesse projeto, já temos dois parceiros. O museu do café, em Piratininga e a Fazenda da Duratex. São locais enormes com um trabalho bastante demorado”, completa.

Na iniciativa privada, o Botânico ainda tem parceria com as empresas do projeto “Amigos da Natureza”: Agnaldo Disarz Cirurgia Plástica; Baterias Route; Baterias Tudor; Bauru Outdoor; Bauru Painéis; Cerâmica Costa Lopes; Cidade outdoor; Clinica Vigus; Compac; Constel Telecom; Copical Tintas; Criarte; Ecoart; Grupo Lwart; Guedes de Azevedo; Jaguacy Avocado; Lions Club Bauru Bela Vista; Omnigráfica; Pharmacis farmácia de manipulação; Praça Brasil salgados; Servimed; Sobra fértil; Stockmat; Thermic; Unimed Bauru; Tilibra, Primo seguros, Dona Thereza Empório e bistrô, Viverde e EPI'S online, Palamin Impressão Digital e Ictus Brindes na divulgação.

Alterações dão nova cara e acesso à trilha do Jardim Botânico

Malavolta Jr.
Trilha ganhou uma passarela que garante melhor mobilidade

Com 1080 metros, o local é o preferido das pessoas. A trilha é ambiente ideal para quem deseja ter um contato maior com a natureza. No ano passado, inclusive, ela ganhou uma roupagem nova. Com informações trazidas de forma didática, para que seja um local de educação, mesmo sem a presença do monitor, o local conta com uma passarela de acessibilidade para que cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida possam desfrutar desse contato com o Cerrado.

“Existe um lado conservacionista, que preserva a pista e não causa mais impacto na trilha. Na época de chuva era incômodo e a gente tinha que manter limpo para evitar acidentes com animais peçonhentos. E tem o lado da acessibilidade. Quando se eleva do chão, você dá segurança e permite que o cadeirante que a pessoa com mobilidade reduzida possa chegar até o início da trilha”, explica o diretor do Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto. “Ficou mais fácil agora para os trabalhos que nós realizamos com o lar Santa Luzia para cegos, eles também podem chegar até lá com tranquilidade".

COM ESTUDANTES

Jardim Botânico/Divulgação
Crianças desenharam e criaram suas expectativas em relação ao portal

O projeto de extensão universitária ‘MUDAdesign’, composto por alunos dos curso de Design, Arquitetura e Engenharias da Unesp de Bauru, integrou, de forma especial, as mudanças realizadas na trilha do Jardim Botânico no último ano. “Essa parceria com o Botânico já é de alguns anos. Auxiliamos na reelaboração da trilha, em um trabalho de acompanhamento do projeto e, na entrada, desenvolvemos um projeto participativo para o portal”, afirma o coordenador do projeto MUDAdesign, Tomás Queiroz Ferreira Barata.

O trabalho foi desenvolvido a partir de uma oficina com crianças e ganhou corpo com o projeto executivo do doutorando Gabriel Santos e da empresa Viverde. “Nós ouvimos crianças e recolhemos desenhos do que elas entendiam por um portal. A partir disso, foi desenvolvido anteprojeto do portal. Em uma segunda fase, partimos para o projeto executivo realizado por um design, pós-graduando da Unesp, especialista em construções com bambu. E quem executou a obra foi a empresa Viverde, uma associação agroecológica”, explica o professor. “Foi um projeto inusitado e com arquitetura diferenciada. Lembrando que a Unesp de Bauru é um centro de excelência no trabalho com bambu. Espero que o resultado divulgue a trilha que é belíssima”, finaliza Tomas.

PROFISSIONAIS

Algumas alterações também foram realizadas em relação às normas para fotógrafos. O diretor do Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto, destaca que as fotografias não são proibidas, só foram normatizados e credenciados um número de fotógrafos que, mediante a agendamento, podem fazer fotos no Botânico. “São permitidos apenas três fotógrafos por dia e eles não podem entrar na trilha, no jardim medicinal sensorial e nas coleções. Tínhamos casos de ensaios com bolo para crianças, era glacê nos banheiros e por toda a parte de onde faziam o ensaio. As vezes, escolas vinham visitar e os banheiros estavam tomados de pessoas se trocando para ensaios fotográficos, isso foge muito da finalidade do Jardim Botânico”, diz.

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