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Adeus a Zé do Rancho, ícone sertanejo

Música raiz perde um de seus nomes de referência, avô de Sandy e Júnior, mestre da viola e do violão

17/02/15 07:00
João Pedro Feza
Reprodução/TV Cultura
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Caçulinha, Sérgio Reis, Inezita Barroso e Zé do Rancho na TV Cultura
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Zé do Rancho com Sandy em 2010

Coautor de “Abre a porta, Mariquinha”, João Izidoro Pereira, o Zé do Rancho, teve a alegria de ver sua despretensiosa composição impulsionar a carreira dos então candidatos a astros infantis Sandy e Júnior, seus netos.

No domingo (15) à tarde, Zé do Rancho saiu de cena: morreu aos 87 anos de insuficiência cardíaca. Deixou cinco filhos (inclusive Noely, mulher de Xororó e mãe de Sandy e Júnior), além de cinco netos e três bisnetos. Velório e cremação ocorreram ontem, no cemitério Jardim da Paz, em Rio Preto, cidade onde vivia.

Compositor de mais de 180 músicas, Zé do Rancho também se destacou como instrumentista com amplo domínio de viola, violão e cavaquinho.

Em 2008, com incentivo de Xororó, lançou CD e DVD “Zé do Rancho – Entre Parentes e Amigos” (que teve participações de Chitãozinho & Xororó, Sérgio Reis, Sandy, As Galvão, Júnior e Zé do Pinho – com quem formou dupla de sucesso até 1980 em seis LPs e algumas gravações cultuadas do universo sertanejo, como “Meu Sítio, Meu Paraíso”). Nascida em Bauru, Maria Vieira da Silva (Mariazinha) também aparece nas gravações.

Mãe de Noely, ela foi casada com Zé do Rancho, com quem também cantou até integrar o Duo Glacial nos anos 70. Até um samba surge no repertório da obra comemorativa (“Noites Cariocas”).

O CD e o DVD são apenas o desfecho fonográfico de uma carreira longa e produtiva iniciada há sete décadas. Zé do Rancho chegou, inclusive, a ser guitarrista da orquestra Nelson, de Tupã – e também compôs para Milionário e Zé Rico e Belmonte e Amaraí.

Repercute

Pelo Instagram, Sandy escreveu: “Ele encantou tantas plateias com o seu dom... Dos 87 que viveu – muito bem vividos –, 71 foram dedicados à música, que, de todos os assuntos, era sempre o favorito”, comentou. “Ele amou e ensinou muito todos os seus filhos, netos e bisnetos. O legado é imenso, não só pra nós, mas pra todo o Brasil”, destacou.

Júnior também se manifestou pelas redes sociais. “Faleceu um dos meus heróis de infância... E agora o céu está em festa! Tem violeiro da melhor qualidade chegando!!! Dono de uma sensibilidade única, deixou sua marca na história da música brasileira. Ele viveu para a música. Descanse em paz”.

Por aqui

Presidente do Clube da Viola de Bauru, Tião Camargo lembra que Zé do Rancho “foi um dos maiores” e também muito requisitado para gravações de estúdio com dezenas de duplas desde os anos 60.

“Foi produtor, também formou dupla com Serrinha, que era de Botucatu. Todo mundo queria gravar com Zé do Rancho”. Tião acrescenta que ele era muito técnico. “Em resumo: completo”.

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