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Recurso do Mondelli tenta evitar leilão

Advogados e acionista da família anunciam ação para retorno do gestor judicial, apontam viabilidade para pagar credores e pedem impugnação

06/12/18 07:00
Nélson Gonçalves
Malavolta Jr.
O leilão judicial do frigorífico Mondelli tem prazo para entrega dos envelopes até a próxima segunda-feira, dia 10 de dezembro

Está na 1ª Vara Cível do Fórum de Bauru um recurso (embargo de declaração) dos advogados em nome dos acionistas da família Mondelli para impugnar o leilão da empresa, marcado para o próximo dia 10 de dezembro. O advogado Alex Libonati, integrante da equipe que atua no caso, informa que o recurso também sustenta a destituição do administrador judicial e defende que os ativos já são suficientes para início do pagamento de credores.       

O leilão do Frigorífico Mondelli tem prazo máximo de entrega dos envelopes pelos interessados estabelecido pelo Judiciário até o dia 10 de dezembro, com o valor do lance mínimo de R$ 270 milhões. Para os advogados, a situação merece ser revertida. "Circulam comentários de que os acionistas da família Mondelli querem a saída do gestor judicial, Charles Marc Henry Légulle, e isso não procede. É o contrário. Os acionistas da família querem é o retorno do gestor Charles Légulle e apontam, em recurso, que ele teve o mérito de em cerca de três anos ter levantado o ativo circulante em R$ 75 milhões, O gestor foi destituído pelo juízo e não vemos motivo", aponta um dos advogados, Alex Libonati.

A defesa contra a falência do frigorífico argumenta que "com o ativo levantado nesse período, o que deveria ter acontecido é o início do pagamento dos credores. Os acionistas da família Mondelli se solidarizam com os funcionários, não concordam com as demissões dos últimos dias, e apoiam o gestor Charles Légulle e pedem ao juízo seu retorno. Ele é quem restabeleceu o ativo e a viabilidade do frigorífico. Aponta-se para sua saída que teria sido pago 13º para empresa e isso é erro de contabilidade, de valor irrisório. E não justifica a medida", acrescenta.       

Para José Mondelli, acionista da família, o leilão não tem sentido. "Não há justificativa jurídica ou financeira para o leilão. Além do levantamento do ativo em R$ 75 milhões até agora, há mais R$ 33 milhões do leilão de uma fazenda, recursos já suficientes para pagar os credores. Estamos falando de uma empresa bauruense com mais de 80 anos de atividade no mercado, uma empresa viável, em franca recuperação e que não deve passar de mãos porque não há razões para essa situação", comenta.

Libonati espera êxito no recurso. "Os embargos de declaração apontam com clareza a real situação financeira e também expõem que se houve conflito entre o gestor judicial e o administrador, quem tem de ser destituído é o administrador judicial e não o gestor Charles Légulle. Quem levantou a empresa e mostrou sua viabilidade é quem deve ficar. Não dá para falar em falência para uma empresa viável e vir outra no lugar", pondera.      

O Mondelli possui em torno de 600 funcionários. No final de outubro passado, a juíza Rossana Teresa Curioni Mergulhão, da 1.ª Vara Cível de Bauru, determinou a saída da gestora Hapi Comércio Alimentício Ltda e nomeou como gestor Alexandre José Mazzuco. Na decisão está que "pelo que consta, a relação entre a Gestora e a Administradora acabou se tornando conflitante, pois, segundo os fatos trazidos pela Administradora Judicial, aquela estaria agindo, tentando usurpar de funções próprias e típicas da Administradora, além de outras irregularidades como pagamento de férias e adicional constitucional a uma pessoa jurídica, contabilização de incorporações ao imobilizado como se despesas fossem e outras, insistência na contratação de terceira avaliação do ativo".

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