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Ibovespa encerra em nova máxima histórica; dólar cai

08/01/19 19:35
Estadão Conteúdo

Após uma tarde na qual operou sem se firmar em uma única direção, o Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira, 8, em alta de 0,36%, aos 92.031,86 pontos, atingindo nova máxima histórica no fechamento.

Especialistas em renda variável atribuíram o desempenho instável do principal índice do mercado acionário brasileiro "ao modo de espera" do mercado em relação ao anúncio de ações mais concretas pelo novo governo. Tanto que, quase ao final do pregão, declarações do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, deram fôlego para o novo nível de pontuação.

Segundo o ministro, a proposta de Previdência será apresentada ao presidente Jair Bolsonaro na próxima semana e que a discussão sobre a duração da reforma será feita nesta terça-feira ainda. Lembrou ainda que o Bolsonaro chamou atenção para cumprimento de compromissos de campanha.

Durante o dia, as ordens de venda deram continuidade à realização de lucros - uma vez que os ganhos da carteira persistem acima da marca dos 4% em apenas cinco pregões. Aliado a isso, a ausência dos investidores estrangeiros deixa o fôlego curto. E houve ainda algum desconforto com notícias locais, entre elas, a promoção de Antônio Hamilton Rossell Mourão, para a assessoria especial da presidência do Banco do Brasil, muito embora seja funcionário da instituição há 18 anos. Ele é filho do vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

As ações do BB ficaram em terreno negativo por todo o pregão e, em muitos momentos contaminaram seus pares do bloco financeiro que também sofreram influência negativa de baixas de bancos negociados em NY. Os papéis ordinários do BB encerraram o pregão em baixa de 1,13%. Também em queda fecharam as units do Santander (-0,98%). Já Itaú Unibanco e Bradesco subiram 1,27% e 0,61%, respectivamente. Fabricio Stagliano, analista de investimento, ressalta que as ações do BB chegaram a ser cotadas a R$ 49,00 e o recuo também seria um movimento normal dentro do mercado.

Dólar - O real destoou de outras moedas e teve nesta terça-feira, 8, o melhor desempenho perante o dólar entre as 24 principais divisas mundiais. O dólar à vista fechou em queda de 0,47%, a R$ 3,7174, o menor valor desde 1º de novembro de 2018, quando terminou em R$ 3,6979. Especialistas em câmbio apontam que a queda da divisa americana reflete fatores técnicos, como a tendência de volta neste começo do ano de recursos que deixaram o país no final de 2018, aliados a um clima ainda positivo dos investidores com o governo de Jair Bolsonaro, com perspectiva favorável para a reforma da Previdência, após os recentes desdobramentos, que incluem uma reunião técnica do governo nesta terça para discutir o assunto e uma dos ministros Paulo Guedes, Economia, e Onyx Lorenzoni, Casa Civil. Um dos reflexos é que o risco-país segue em queda, com o Credit Default Swap (CDS) sendo negociado no final da tarde a 183 pontos, menor nível em oito meses.

Entre os fatores técnicos que influenciam o câmbio, operadores ressaltam que a expectativa é de volta agora neste começo de 2019 de parte dos recursos que deixaram o país no final do ano passado. Somente nos dois últimos meses de 2018, saíram US$ 27 bilhões pelo canal financeiro, segundo dados do Banco Central. As últimas semanas do ano costumam ser de fluxo negativo, pois as empresas remetem recursos para as matrizes, fundos realocam carteiras e investidores estrangeiros reduzem posições no real. Da mesma forma, parte desse capital tende historicamente a voltar no começo do ano, destaca o gerente da mesa de câmbio da Tullet Prebon Brasil, Ítalo Abucater. Por isso, o real acaba destoando de outras moedas emergentes, como ocorreu nesta terça.

Para Abucater, há ainda uma boa vontade dos investidores, sobretudo do local, com Bolsonaro, o que ajuda a deixar o câmbio menos pressionado. Ao mesmo tempo, o especialista ressalta que os estrangeiros continuam mais cautelosos com o novo governo. No mercado futuro, eles seguiram elevando as posições compradas em dólar, ainda que em ritmo mais moderado do que no dia anterior. O estoque total da posição comprada aumentou US$ 222 milhões na segunda-feira, para US$ 33,5 bilhões, considerando o dólar futuro e posições em cupom cambial (juro em dólar), segundo dados da B3.

No final da tarde, com o dólar à vista praticamente fechado, e pouco antes de uma reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, Onyx disse que a proposta da Previdência será apresentada ao presidente na semana que vem, mas ressaltou que ainda "está tudo em aberto" sobre o texto.

Taxas de juros - O mercado futuro de juros ajustou as taxas para baixo nesta terça-feira, 8, refletindo um ambiente ainda de perspectivas positivas, apesar das incertezas dos ambientes interno e externo. Com o noticiário bastante escasso, principalmente no período da tarde, o ajuste foi favorecido pela queda do dólar, que ocorreu a despeito do fortalecimento da moeda americana ante divisas de países emergentes.

"O dia foi de viés positivo moderado. O mercado de juros já precificou as sinalizações do novo governo e agora aguarda fatos novos, como melhora do quadro externo, detalhamento de reformas ou novas sinalizações do governo", disse Vladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Indosuez Brasil.

A expectativa por sinalizações acompanhou os negócios desde cedo, com os investidores atentos à reunião ministerial em Brasília, que não trouxe desdobramentos. À tarde, o foco estava na reunião dos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, marcada para as 17h. Onyx falou à imprensa pouco antes do encontro e disse que a proposta de reforma da Previdência ainda está em aberto.

O encontro teve uma série de sinalizações no sentido do entendimento entre os dois ministros. Onyx foi até o Ministério da Economia, numa atitude incomum para o chefe da Casa Civil, que despacha no Palácio do Planalto. O ministro ainda chegou ao encontro portando uma caixa de chocolates. "Nunca tive briga com Paulo Guedes", afirmou. O ministro da Casa Civil disse que a proposta de reforma deve ser apresentada ao presidente Jair Bolsonaro na próxima semana. Onyx reconheceu que a fala do presidente sobre idades mínimas "tem muita força".

As declarações chegaram já no período estendido de negociação e pouco influenciaram as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). Ao final da etapa estendida na B3, o contrato com vencimento em janeiro de 2020 terminou o dia com taxa de 6,57%, na mínima do dia, ante 6,58% do ajuste de segunda-feira. O DI para janeiro de 2021 projetou 7,36%, de 7,40% do ajuste de segunda-feira. Na ponta mais longa da curva a termo, o DI para janeiro de 2023 teve taxa de 8,42% (mínima), ante 8,47%. A do DI para janeiro de 2025 recuou de 9,00% para 8,93%.

Pela manhã, os destaques ficaram com os dados da produção industrial de novembro e a inflação medida pelo IGP-DI em dezembro. O IGP-DI apontou queda de 0,45% no mês passado, ante deflação de 1,14% em novembro. Já a produção industrial subiu 0,1% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal, conforme divulgou o IBGE. O resultado veio abaixo da mediana das estimativas de analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, de 0,20%. Em relação a novembro de 2017, a produção caiu 0,9%. Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de um recuo de 1,20% a avanço de 1,40%, com mediana negativa de 0,37%.

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