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Novo ano é um bom momento para colocar a vida financeira 'nos eixos'

Economista detalha estratégia para ajustar hábitos de consumo e reservar, no mínimo, 15% dos rendimentos para realizar sonhos em 2019

05/01/19 07:00
Tisa Moraes
Malavolta Jr.
Fabiana e Everaldo têm esperança de conseguir comprar um terreno para construir a casa própria

A cada ano que começa, resoluções para o novo ciclo são definidas e há quem tenha estabelecido como meta o desafio de colocar a vida financeira nos eixos. Segundo pesquisa divulgada nesta semana pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), as principais metas financeiras do brasileiro para 2019 são poupar recursos e pagar dívidas.

O levantamento feito em todas as regiões do País revela que, sentindo-se mais otimistas com o futuro, 51% dos entrevistados pretendem juntar dinheiro e 37% "sair do vermelho". É este o plano do pedreiro Everaldo Domingos de Lima, 46 anos, e sua esposa, a auxiliar de limpeza Fabiana Aparecida Pereira, 44 anos.

Morando juntos há cinco anos em um imóvel alugado, eles programam reajustar a economia doméstica para guardar mais recursos e, assim, dar entrada em um terreno para construir a casa própria. "Quando era mais jovem, eu ganhei muito dinheiro, mas não tive maturidade para poupar e me arrependo. Agora, mesmo com mais dificuldade, não perco a esperança. A idade está chegando e precisamos ter um lugar nosso", diz Everaldo, que confia na retomada da economia para voltar a ter um volume maior de trabalho e, assim, alcançar seu objetivo.

Fazer serviços extras ou mesmo obter um segundo emprego para ampliar a renda são boas estratégias para garantir alguma sobra no orçamento. Porém, o economista Reinaldo Cafeo explica que, mesmo sem aumentar os ganhos, é possível reorganizar os hábitos de consumo para reservar, no mínimo, 15% dos rendimentos.

O primeiro passo é fazer um levantamento para estabelecer o padrão de vida, que está relacionado à quantidade de bens e serviços que uma família tem capacidade para adquirir. "Se ela ganha R$ 2 mil por mês, precisa adequar o padrão de vida para esta renda. Agora, se incorpora uma série de custos que o dinheiro não alcança, começa a ter um desequilíbrio financeiro e o consequente endividamento", cita.

'50, 15, 35'

Reprodução

Para fugir desta armadilha e alcançar maior estabilidade, o economista ensina a regra que ele denominou de "50, 15, 35". Basicamente, a recomendação é destinar 50% da renda líquida para gastos essenciais, como moradia, transporte, alimentação, saúde e educação; e 15% para as chamadas prioridades financeiras, que são pagar eventuais dívidas existentes e guardar dinheiro.

"A pessoa deve comprometer, no máximo, 15% com dívidas e, na inexistência delas, poupar, no mínimo, 15%, aplicando esse dinheiro em uma previdência privada, caderneta de poupança, no tesouro direto, enfim, em um ativo financeiro que pode ser utilizado para emergências, comprar um bem à vista, fazer uma viagem", ensina.

Já os 35% remanescentes podem ser destinados a gastos com o estilo de vida, que incluem despesas com lazer (cinema, shows, viagens, mensalidades do clube) e aquisição de supérfluos como roupas mais caras, acessórios e produtos de beleza, entre outros. "Se houver a necessidade de consumir mais de 50% da renda com gastos essenciais, são as despesas com o estilo de vida que precisarão ser cortadas", orienta.

Isso significa que, a não ser em caso de emergência, a reserva de 15% da renda deve ser sempre garantida para o pagamento de dívidas ou investimento em aplicações financeiras. Outra dica importante é separar este recurso assim que receber o salário, para evitar a tentação de gastá-lo ao longo do mês.

"A pessoa pode começar com pouco: R$ 10,00, R$ 20,00, R$ 30,00. Vai chegar uma hora em que ela vai pegar gosto e adquirir disciplina e determinação para poupar", completa.

Otimismo 'pé no chão'

A pesquisa também apontou que 72% dos entrevistados estão otimistas com a economia em 2019, porém, 58% acreditam que os efeitos da crise ainda terão impacto neste ano. Em razão disso, disseram que tentarão adotar algumas medidas, como controlar melhor as contas da casa, pesquisar mais os preços, aumentar a renda com trabalho extra e evitar o uso do cartão de crédito.

Segundo o economista Reinaldo Cafeo, o resultado da pesquisa reflete o atual cenário político-econômico do País, que enfrentou dois anos de recessão e outros dois de baixo crescimento, o que levou muitas famílias que perderam poder de compra a se endividar. "Mas, quando um novo governo começa, é normal haver um ciclo de prosperidade. É algo estatístico. Não há dúvidas de que, em 2019, haverá um crescimento mais robusto que o de 2018", comenta.

Apesar da previsão positiva, ele salienta que ainda existem incertezas sobre as medidas que serão adotadas pelo novo presidente, o que coloca certo freio no ânimo dos agentes econômicos. "Outro aspecto é que a retomada forte do emprego não vai acontecer imediatamente. É algo que vai ocorrer aos poucos. Mas as perspectivas para a economia, em geral, são boas", pondera.

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