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'Desencarnou sereno': no aniversário de Kardec, morre Richard Simonetti

Bauruense teve 65 obras publicadas, inclusive em várias línguas, e era reconhecido internacionalmente por seu trabalho como doutrinador do espiritismo

03/10/18 09:55
Marcele Tonelli - Atualizada às 2h36 de 4/10
Quioshi Goto Quioshi/JC Imagens
Richard escreveu 65 livros e se tornou nome nacional

Morreu nesta quarta-feira (3), aos 82 anos, Richard Simonetti, bauruense reconhecido como sumidade do espiritismo no País. Pesquisador, escritor e doutrinador dos ensinamentos de Allan Kardec, Simonetti estava internado desde 5 de setembro em um hospital particular da cidade em virtude de um câncer no cérebro, descoberto no início do ano. Ele sucumbiu às complicações da doença por volta das 9h desta quarta-feira, data de aniversário de Kardec, seu maior preceptor. 

O enterro ocorre nesta quinta-feira (4), às 9h, no Cemitério Jardim do Ypê, em Bauru. O velório, no Salão 2 do Terra Branca da rua Gerson França, foi marcado por homenagens. Ontem à noite, o coral do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) Amor e Luz se apresentou no local.

Com seis décadas destinadas ao ensinamento da doutrina espírita, Simonetti era membro da Academia Bauruense de Letras (ABLetras) e teve 65 obras literárias publicadas, sendo a última lançada há um mês: "O Melhor é Viver".

Por 36 anos, Simonetti também esteve à frente da presidência do Ceac. Atualmente, ele ocupava a 2.ª vice-presidência da entidade, que possui mais de 1 mil voluntários e presta atendimento assistencial para cerca de 25 mil pessoas.

"Mesmo afastado, ele nunca parou de trabalhar. Dizia que queria morrer trabalhando. Em março, a doença evoluiu, mas ele nunca reclamava de nada. Escreveu e gravou vídeos relacionados à doutrina espírita até pouco antes da internação", comenta a esposa Tânia Regina Moreira de Souza Simonetti, com quem ele era casado há 32 anos. "Era um homem do povo e, em casa, um pai e marido excepcional, sempre muito carinhoso. A despedida do nosso Simon começou há algum tempo. Ele desencarnou sereno", completa.

Filha caçula, Giovana Simonetti ressaltou a simplicidade do pai. "Ele era muito calmo e humilde. Uma roupa ou sapato, por exemplo, eram usados até furar. E nunca falou um palavrão sequer. Era uma lição de amor humana. Dizia sempre que, fora da caridade, não há salvação", lembra a filha.

Presidente do Ceac, Silvio Turini destacou a importância do trabalho de Simonetti tanto pela entidade quanto pelo espiritismo no País. "Não conheço ninguém que entenda mais e que tenha o dom da palavra. Além disso, ele foi um dos responsáveis por todo crescimento do Ceac", observa.

COINCIDÊNCIA

No dia 10 de outubro, Simonetti completaria 83 anos.

No velório, amigos comentavam sobre o fato de a data da morte dele coincidir com a do aniversário de Kardec. "Até para desencarnar ele foi em grande estilo. É uma data simbólica o 3 de outubro, porque o Richard era o maior estudioso de Kardec que o Brasil tinha", comparou Uriel Almeida, amigo e 1.º tesoureiro no Ceac. "A saudade é natural, mas o que fica é a lição de resignação dele. A morte não é tristeza. O corpo morre, mas o espírito continua", finaliza.

TRAJETÓRIA

Filho de pais espíritas, Francisco Simonetti e Adélia Marchioni Simonetti, o escritor e doutrinador passou toda a infância e adolescência em contato com o espiritismo. Questionador, aproximou-se de fato da doutrina e do Ceac aos 20 anos, após ser acometido por uma doença na visão, a qual teria obtido a cura com ajuda de espíritos.

Durante décadas, conciliou a profissão de bancário com a doutrina. Foi casado por duas vezes. Além da esposa Tânia e da filha Giovana, deixa os filhos Carolina, Graziela e Alexandre, e os netos Rafaela, Kian, Rafael e Helena.

De 1990 a 1999, foram 18 obras publicadas sobre temas ligados ao Evangelho, ao cotidiano e aos alicerces da codificação espírita. Em 1997, fundou a editora Ceac juntamente com Laércio Mulati.

Com mais de 300 mil exemplares vendidos do livro "Quem tem medo da morte?", sua sétima obra, Richard se consagrou como um dos mais importantes autores da literatura espírita.

Palestrou nos Estados Unidos, Austrália, Bélgica, Inglaterra, França, Itália, Suíça, Portugal e Itália. Seus livros foram traduzidos nas mais diversas línguas, sendo comercializados até mesmo na Finlândia.

Esposa de Simonetti, Tânia conta que há uma obra de Richard Simonetti não divulgada em Bauru. "Ela foi lançada na Bienal de São Paulo há algumas semanas. Chama ''A Benção da Gratidão' e ele escreve o oferecimento para mim, mas ainda não deu tempo de divulgarmos na cidade".

O Ceac também trabalha na confecção de um material histórico em comemoração aos 100 anos da entidade, em 2019. "Realizamos algumas gravações com o Richard no início deste ano. Ele fala sobre a adequação física para atender maior número de pessoas e na importância da manutenção da pureza doutrinária, fiel à codificação de Allan Kardec", comenta Uriel Almeida.

Samantha Ciuffa
José Silvio Turini e Uriel de Almeida destacam atuação de Simonetti pelo espiritismo

Trajetória

Filho de pais espíritas, Francisco Simonetti e Adélia Marchioni Simonetti, o escritor e doutrinador passou toda a infância e adolescência em contato com o espiritismo. Questionador, aproximou-se de fato da doutrina e do Ceac aos 20 anos, após ser acometido por uma doença na visão, a qual teria obtido a cura com ajuda de espíritos.

Facebook/Divulgação
Richard, ao lado do busto de Allan Kardec: bauruense tinha o médium como seu maior preceptor

Durante décadas conciliou a profissão de bancário com a paixão pelo espiritismo. Foi casado por duas vezes. Além da esposa Tânia e da filha Giovana, deixa os filhos Carolina, Graziela e Alexandre, e os netos Rafaela, Kian, Rafael e Helena.

De 1990 a 1999 foram 18 obras publicadas versando sobre temas ligados ao Evangelho, ao cotidiano e às obras básicas da codificação espírita. Em 1997, fundou a editora Ceac juntamente com Laércio Mulati.

Com mais de 300 mil exemplares vendidos do livro “Quem tem medo da morte?”, sua sétima obra, Richard se consagrou como um dos mais importantes autores da literatura espírita.

Palestrou nos Estados Unidos, em Los Angeles, Califórnia, também na Austrália, na Bélgica, Inglaterra, França, Itália, Suíça, Portugal e Itália. Seus livros foram traduzidos nas mais diversas línguas, sendo comercializados até mesmo na Finlândia.

Esposa de Simonetti, Tânia conta que há uma obra de Richard Simonetti não divulgada em Bauru. "Ela foi lançada na Bienal de São Paulo há algumas semanas. Chama "A Benção da Gratidão" e ele escreve o oferecimento para mim, mas ainda não deu tempo de divulgarmos na cidade", reforça.

O Ceac também trabalha na confecção de um material histórico em comemoração aos 100 anos da entidade, em 2019. "Realizamos algumas gravações com o Richard no início deste ano. Ele fala sobre a adequação física para atender maior número de pessoas e na importância da manutenção da pureza doutrinária, fiel à codificação de Allan Kardec", comenta Uriel Almeida.

Escritor deixou senha para psicografia

Como uma de suas últimas ações, já no hospital, Simonetti, dias antes de morrer, deixou à esposa Tânia um código para fins de atestar possíveis psicografias que possam surgir. Comum no espiritismo, a capacidade é atribuída a médiuns, capazes de escrever mensagens ditadas por espíritos.

Até esta quarta-feira (3), a família não tinha conhecimento sobre uma possível carta.

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Richard produziu uma série de vídeos para seu canal no Youtube, confira:

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