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Nos últimos dez anos, dor nas costas lidera causa de afastamentos

Segundo dados mais recentes divulgados pela Secretaria da Previdência, 83,8 mil receberam auxílio-doença por este motivo em todo o País

11/01/19 07:00
Ana Beatriz Garcia
Internet/Reprodução

Nos últimos dez anos, a dor nas costas tem liderado a lista de motivos mais frequentes entre os auxílios-doença concedidos pelo INSS. Segundo os últimos dados divulgados pela Secretaria da Previdência, foram, em todo o País, 83,3 mil casos de afastamento por lombalgia (dor da região lombar, que vai da cintura para as nádegas), dorsalgia (dor no segmento alto das costas) e cervicalgia (dores no pescoço), em 2017.

Os afastamentos podem ser classificados em dois: previdenciários ou acidentários. O primeiro significa que a doença não tem relação alguma com a função exercida pelo empregado no trabalho. Já o segundo caso é quando há relação com a atividade e, desta forma, a Previdência Social precisa arcar com todas as despesas do segurado.

Para o presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR), o reumatologista e professor da PUC de Campinas, Rubens Bonfiglioli, a maioria dos afastamentos são causados pela sobrecarga da coluna para exercer determinadas ocupações. Como é o caso de obesos ou pessoas com flacidez muscular que exerçam esforços repetitivos.

"A estatística do INSS provavelmente leva em conta todas as causas de dores na região da coluna vertebral, colocado genericamente como dorsalgia, e que afastaram as pessoas do trabalho. Muito se deve à postura inadequada, falta de atividades físicas, tensão e estresse no ambiente de trabalho, ausência de médicos do trabalho para observar os problemas e antecipar as correções e a não valorização dos sintomas por parte dos pacientes, tendo como consequência a não detecção precoce do problema", revela o presidente da SPR.

NEGADO

Com fortes dores na lombar e fibromialgia, Fabiana Valle, de 35 anos, que sofre de obesidade mórbida, teve de deixar suas funções como recursos humanos e passou a trabalhar em casa, desde 2013.

"Eu pedi o afastamento pelo INSS e, no meu caso, foi negado o auxílio. Eu ainda recorri, mas foi indeferido novamente, sem justificativas. Mesmo assim, tive de deixar o trabalho por conta das dores nas costas. Eu usava muito salto e o trabalho em frente ao computador também exigia uma postura correta, o que sempre foi bastante complicado", relata. "Trabalhei como confeiteira em casa, mas tive de deixar a atividade também, porque não consegui ficar muito tempo em pé. Hoje, faço artesanato para vender porque posso trabalhar sentada, na postura correta, com almofada nas costas", explica.

OUTRAS DOENÇAS

Ainda segundo o reumatologista Rubens Bonfiglioli, destacam-se casos de pessoas com doenças reumáticas como espondilite aquilosante, desvios ou alterações nas vértebras, fibromialgia - como no caso de Fabiana -, osteoporose e defeitos congênitos na coluna, que podem originar dor quando submetido a esforços físicos. As chamadas Doenças Ocupacionais relacionadas ao Trabalho são um nome genérico que abrange essas condições citadas além de outras menos frequentes. "Isso nos remete a reforçar as indicações de uma avaliação clínica do aparelho locomotor com o reumatologista para não ocorrer erro de diagnóstico", finaliza.

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