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A voz soprano profissional de Joice Amador

Criada em Bauru, aos 33 anos a cantora é uma das principais vozes de toda região; nesta entrevista, ela fala sobre como a música lírica a ajudou a superar seus próprios limites

10/02/19 07:00
Marcele Tonelli
Fotos: Arquivo pessoal
Foi na juventude que Joice Amador descobriu a potência de sua voz como profissão
Apaixonada por animais: Joice Amador com sua mascote, a Lucy
Douglas Reis
A cantora lírica Joice Amador é formada em hotelaria e também dá aulas de espanhol
Fotos: Arquivo pessoal
Joice Amador em ação no encontro de coros da Igreja Santa Teresinha, realizado em 2009
Joice canta profissionalmente música lírica, mas também ouve muita música latina e pop
Joice Amador com a maestrina Sônia Berriel, que lhe deu a primeira oportunidade dentro de um coral profissional

Com sobrenome que em nada traduz o que ela é hoje, a bauruense Joice Amador é considerada uma das principais vozes profissionais da cidade e região. Detentora da naipe soprano, a mais aguda e com maior alcance vocal de todos os tipos de vozes, ela cresceu na periferia da cidade e, por meio da música lírica, superou seus próprios limites e dificuldades.

Ainda na infância, sonhava em ter uma banda e decorava e reproduzia propagandas musicais, além de passar horas e horas em um tecladinho de brinquedo, que considera o melhor presente da sua vida. Mas foi com a ajuda de uma vizinha evangélica, que tocava órgão na igreja do bairro em que ela cresceu, a Vila Nova Esperança, que Joice aprendeu o beabá da música clássica, ainda aos 9 anos.

Na juventude, ela se envolveu em um fã-clube da cantora Thalía e, por meio das amizades, conheceu corais em Belo Horizonte, que descobriram o potencial de sua voz.

Em Bauru, Joice foi uma das principais integrantes do Coral Arte Viva, da maestrina Sônia Berriel, que considera uma de suas maiores inspirações. Com o grupo, ela ampliou seus horizontes e viajou Brasil afora mostrando sua voz. Hoje, Joice canta profissionalmente em festas e casamentos com seu próprio grupo, o Conjunto Musical Emoções.

JC - Como você foi introduzida ao erudito?

Joice Amador - Desde criança, eu cantava muito e brincava com meus primos, Ketty e Kemely, que tínhamos uma banda, e eu sempre era a líder. A coisa ficou ainda melhor quando ganhei um tecladinho. Eu adorava reproduzir os sons dele e das propagandas musicais que tinham som de ópera. Meu pai não gostava muito, apesar de ser autodidata no violão. Mas tínhamos uma vizinha, a Zulma, ela tocava órgão e me ensinou a prática e a teoria por uns dois anos. Depois, ela morreu e eu perdi o contato com o erudito por um tempo. Só cantava na sala de aula às vezes.

JC- Você diz que a cantora Thalía foi uma grande inspiração e a inseriu na música de fato, como isso aconteceu?

Joice - Eu era a única em casa que adorava assistir SBT e não perdia a novela Maria Mercedez. Mais tarde descobri que a atriz era a cantora Thalía. Eu era aficcionada nela e apaixonada pelas músicas. Nesta época, fiz até um curso para aprender a língua e também me arrisquei no teatro. Aos 15 anos, entrei para um fã-clube internacional da Thalía e, aos 17, eu já era presidente dele. Fiz inúmeras amizades e viajei a Belo Horizonte para passar férias com amigos do fã-clube, e lá, por meio deles, tive contato com corais profissionais. O maestro Adilson Garcia de Jesus quis classificar a minha voz e me convidou para gravar um CD com o coro. Isso me despertou e, quando eu voltei para Bauru, fui conhecer o Arte Viva.

JC- Foi difícil entrar para o Arte Viva, o que ele te proporcionou?

Joice - Sim, eu mandei vários e-mails pedindo para fazer testes, conheci o grupo e me apaixonei. Nessa época, eu dava aulas de espanhol para me manter e meu pai queria que eu fizesse direito, mas segui firme na proposta de cantar e a Sônia Berriel me chamou. A Sônia foi a música da minha vida. Em pouco tempo, eu ganhei uma bolsa e passei a me apresentar com eles, perdi um pouco da timidez e me tornei voz importante no coro. Como eu não tinha recursos, eles me ajudavam nas viagens para apresentações. Conheci vários Estados do Brasil e a Argentina. Foi uma mudança de paradigmas, aquela menina da periferia frequentando festas chiques de clubes com vestidos maravilhosos.

JC- Em 2011, o Arte Viva acabou. Como sua carreira seguiu daí para frente? Para que tipo de público você se apresenta?

Joice - Eu me mantinha com as aulas particulares de espanhol e, ainda quando estava no coral, participava de um conjunto da Sônia Berriel, que tocava profissionalmente em festas. Em 2015, ela deixou o conjunto e eu passei a assumir a liderança. 90% das nossas apresentações hoje são em casamentos. Canto para um público de classe média alta. 

JC- Com a bagagem da música lírica, você deve tirar de letra outros ritmos musicais, certo?

Joice - Sim, a música erudita surgiu como um presente na minha vida, eu amo cantar, porque é desafiador para a voz. E para mim, quanto mais desafiador melhor. Mas canto de tudo. Nos casamentos, começamos com o clássico e, depois, partimos para MPB e pop, a preferência dos noivos, mas essas canto no mezzo soprano. É até engraçado porque tem muita gente que fala que eu não posso cantar outras coisas, porque acham que posso estragar minha voz. 

JC - Você trabalha com música clássica, mas é um ritmo que você escuta nas suas horas vagas? 

Joice - Não, o clássico se tornou profissão. Eu estudo o erudito, mas ouço outras coisas. Adoro músicas latinas e, no meu carro, você encontra muito pop. Adoro Britney Spears e pop anos 90! 

JC - Já sofreu algum preconceito por causa da música clássica?

Joice - Sim, muita gente me vê como uma pessoa muito séria. O erudito tem muito estigma. Não sou uma pessoa erudita, mas tímida. A Joice veste calça jeans (não só vestidos longos), adora comer, anda de moto, ama animais e fala besteira. Eu acho que perco oportunidades de conhecer pessoas e até de me relacionar por causa disso.

JC - Você pensou em seguir outras carreiras?

Joice - Meu pai sempre quis que eu fizesse direito, mas a minha paixão pela música era muito maior. Fiz hotelaria, mas o diploma está na gaveta. Também fiz curso de fotografia, mas só por gostar. Dou aulas de espanhol também. Mas a música é o que realmente me sustenta, física e emocionalmente.

JC - Qual o espaço da música lírica em Bauru?

Joice - O pouco espaço que a música clássica ocupa hoje na cidade é instrumental. Só temos bandas e orquestras. Não há coros bancados por projetos públicos. Não temos um lugar onde as vozes da cidade possam ser mostradas e temos vozes incríveis aqui. Isso é muito triste, seria lindo se tivéssemos um festival de coros. Os corais e espaços para a voz em Bauru são encontrados apenas em audições de escolas particulares.

JC - Projetos e aspirações futuras?

Joice - Neste ano, iniciei um projeto para dar aulas de canto particulares. Mas tem um plano que um dia gostaria de colocar em prática. Sempre quis ter uma banda de músicas latinas, quem sabe...

PERFIL

Nome: Joice Amador

Idade: 33 anos

Signo: Peixes com ascendente em áries

Mãe/Pai: Sidneia da Silva Amador e Carlos Roberto Amador

Irmãos: Karla

Filme: "Entrevista com Vampiro"

Música: "Dancing Queen", Abba

Ídolo: Thalía

Cor: Vermelha

Palavra preferida: Equilíbrio

Hobby: Ver filmes e séries

Para quem dá nota 0: para a falta de ética profissional

Para quem dá nota 10: protetores independentes de animais em Bauru

Contato: [email protected]

WhatsApp (14) 98806-0025

 

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