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Na 25 de Março, caminho é 'respeitar' policiais, diz ambulante

13/03/18 11:00
Estadão Conteúdo

Um tecido TNT preto cobre uma caixa de papelão de um metro de altura onde por trás se senta em um banquinho de madeira o ambulante Antônio Tadeu Santos, de 35 anos, há 12 anos no comércio da Rua 25 de Março, centro de São Paulo. Sobre a sua "vitrine" estão quatro pendrives e quatro kits de lentes fotográficas para celular, vendida a R$ 10 cada. As pontas do tecido estão amarradas de modo a, se necessário, serem juntadas rapidamente, formando uma trouxa e facilitando a fuga da polícia.

Como a banca de Santos, há outras dezenas que se espalham pela rua de comércio popular mais conhecida do País, com oferta diversificada: de roupas a pequenos eletrônicos, de óculos escuros a utensílios domésticos. Outros optam por grandes lonas azuis abertas e se proliferam sobre a calçada e, em alguns pontos, também sobre a rua. 

Os poucos produtos expostos na sua banca em uma segunda-feira de janeiro passado, diz o ambulante, não é escassez de estoque, mas estratégia para reduzir o prejuízo no caso de não conseguir escapar do "rapa". Ele aprendeu isso depois de perder mais de 30 vezes os produtos, cuja origem e o lucro prefere não detalhar. 

Operação Delegada consiste em um convênio entre a Prefeitura e o Governo do Estado para que policiais militares de folga atuem na patrulha de pontos destacados pela administração municipal e desde a sua criação em 2009 foi mais focada no combate ao comércio ilegal praticado por camelôs, além de patrulhamento em locais como a Rua 25 de Março e na região do Brás.

"Se perder o que tenho aqui são R$ 30 de prejuízo. Não vou deixar a banca cheia sabendo que segunda é baixo o movimento. No sábado, exponho até R$ 100 porque o pessoal compra mesmo", diz Santos à reportagem. Há mais de uma década na região, ele diz que os "rapas" ainda acontecem, mas cada vez com menos frequência e intensidade. O negócio, diz ele, é respeitar. "Se o policial passa na sua frente, você tem que tirar a mercadoria, esconder. Às vezes, eles abrem os braços perguntando se a gente não vai sair. Tem de ter respeito."

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