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'Agora é outro governo', diz Gazzetta

Prefeito considera que os primeiros dois anos foram para arrumar legislações e que população verá resultados práticos a partir do próximo ano

02/01/19 07:00
Thiago Navarro
Malavolta Jr.
Gazzetta prevê crescimento da cidade nos próximos anos

O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) completa metade de seu governo neste começo de 2019. Eleito no segundo turno em 2016, ele afirma que usou os primeiros dois anos para acertar pendências legais, com a revisão e criação de novas leis, e que nos dois últimos anos a cidade terá mais obras e realizações. Informa que a partir de agora começa a ser projetado o crescimento do município para os próximos anos.

Na sexta-feira passada, último dia útil de seus primeiros dois anos como prefeito, Gazzetta recebeu o JC em seu Gabinete, na prefeitura, e falou sobre o que considera como já concluído e sobre aquilo que ainda falta para a segunda parte do governo. "A partir de agora, será outro governo. Não haverá mudanças de pessoas, mas de atitude e o prefeito estará presente diretamente em algumas decisões. Além disso, muitas coisas que foram desenvolvidas nos primeiros dois anos, o resultado começará a aparecer no final do governo. As pessoas vão ver mais coisas acontecendo", citou. Para 2019, entre os desafios do prefeito, estão a revisão do Plano Diretor, da Lei de Zoneamento, a Parceria Público Privada (PPP) do lixo, a concessão da iluminação pública e a revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos servidores.

JC - O seu governo chega à metade, qual o balanço desses dois anos que já passaram?

Gazzetta - Eu considero o saldo bastante positivo. Nós encontramos uma cidade que tinha uma insegurança jurídica absurda e afastava investimentos, pela dificuldade de fazer uma construção, de instalar empresas. Outra dificuldade era da prefeitura em fazer autoinvestimento. Vinha há mais de 20 anos sem nenhuma renovação praticamente de maquinário. E ainda os maiores indicadores de desemprego da história da cidade. O cenário era desolador, mas a gente já sabia porque discutiu isso na campanha eleitoral. Hoje eu posso dizer com toda a certeza que destravamos Bauru, construímos o alicerce necessário para o desenvolvimento das próximas décadas. E isso não sou eu quem está dizendo, mas os indicadores. Foi a quarta cidade que mais gerou emprego no estado, subimos para a 45ª posição nacional para investimentos. No ano passado, a gente tinha quatro projetos para novos empreendimentos, atualmente são 44, o que mostra que a capacidade de investimento foi reconquistada.

JC - Nessa avaliação, muita coisa vai começar a aparecer agora então?

Gazzetta - As pessoas tinham uma falsa impressão nos primeiros dois anos que o prefeito tinha sumido. Na realidade, foram dois anos de muito trabalho. Eu sabia que ia apanhar muito com isso, mas era necessário para nos últimos dois anos entregar um município totalmente diferente. Hoje, a cidade está apta para receber o desenvolvimento. Nos próximos três anos, são 25 mil casas e apartamentos projetados para construção na cidade, isso gera um investimento de R$ 3,2 bilhões e um recurso de R$ 100 milhões em obras de contrapartida para a cidade. São avenidas, escolas, creches, parques, tudo em contrapartida. A região norte é a que terá mais construções e os recursos acabarão sendo colocados na cidade toda. E além disso, vai permitir a geração de 50 mil empregos, porque para cada unidade, são dois empregos diretos e indiretos. Isso vai desde engenharia, arquitetura, pedreiro, empresas de venda de material, abre uma possibilidade de emprego muito grande. Acho que nunca um governo criou ou modificou tantas leis para o uso e ocupação de solo, como a lei de concessões, alvará provisório, ocupação rural, Código de Obras, Plano de Manejo das Áreas de Proteção Ambiental (APA). Enfim, leis que permitem o crescimento da cidade de maneira sustentável.

JC - Algumas leis ainda precisam de apresentação na Câmara, entre elas a lei de contrapartidas, Plano Diretor e Lei de Zoneamento. Há prazo para o encaminhamento?

Gazzetta - Primeiro a gente precisava construir uma segurança jurídica para os investimentos. Agora, vem o planejamento para crescimento da cidade nos próximos anos, que é onde entram essas leis. A lei de contrapartidas é a mais rápida, a gente deve abrir uma audiência em janeiro e encaminhar para a Câmara em fevereiro, pois é basicamente definir o percentual de contrapartida em cada empreendimento. Já a Lei de Zoneamento deve ser encaminhada durante o ano e a revisão do Plano Diretor é, possivelmente, a última, porque demanda audiências públicas. Leva vários meses. Nos próximos dois anos, a gente pretende fazer com que a cidade tenha mais tecnologia. As pessoas terão acesso aos locais onde tem um medicamento pelo celular; o que o filho vai comer na merenda; até o movimento de cada Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com a possibilidade de escolher onde estiver menos lotado. Tem o controle de frota, o monitoramento dos prédios públicos. A ideia é garantir mais tecnologia para a cidade. Na Educação, já conseguimos uma economia de 30% do valor da merenda com um controle mais rigoroso e isso vai acontecer também na Saúde, com os medicamentos, para não faltar mais. Nesse pacote, vamos colocar a Emdurb, com a identificação pelo celular para ver onde tem vaga disponível de estacionamento de Zona Azul. Vamos ganhar muito em tecnologia.

JC - E o videomonitoramento, tem prazo para começar?

Gazzetta - O que aconteceu é que a gente está esperando a decisão do Tribunal de Justiça, pois uma das empresas entrou com ação. O resultado deve sair já no começo do ano. A sala no Copom da Polícia Militar já está pronta, falta apenas a autorização para a empresa vencedora começar.

JC - A concessão da iluminação e a PPP do lixo vão sair neste ano?

Gazzetta - A empresa que faz a consultoria do modelo de concessão de iluminação deve entregar o resultado agora em janeiro. Se tudo correr bem, já abre a licitação em seguida e até julho a gente deve assinar o contrato. Vamos pedir para que as principais avenidas sejam as primeiras a receber LED. A estimativa é em um ano trocar toda a iluminação da cidade, com investimento em novos pontos, o que daria para acontecer até 2020. Não é só a troca de lâmpadas, é um processo de gerenciamento da cidade, porque permite controlar o gasto de cada poste, e até acesso wi-fi para a população. Já a Parceria Público Privada (PPP) do lixo demora um pouco mais, porque a modelagem vai ficar pronta em agosto, pelo que está previsto. Depois, para licitar é um pouco mais devagar porque precisa definir modelos de tratamento.

JC - A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) fica pronta até o fim do governo?

Gazzetta - Vamos entregar nesses dois anos. Vai demorar um ano e meio para ficar completamente pronta. A partir de agora, o governo toma outro rumo. Ficamos dois meses arrumando a casa e, agora, com as mesmas pessoas, vamos ter novas atitudes. O prefeito cobrará mais diretamente prazos e contratos, como este da ETE. Vamos ser mais rígidos com isso. Será uma postura nova.

JC - Você está satisfeito com o primeiro escalão? Pode ter mudanças?

Gazzetta - Eu estou tranquilo com o primeiro escalão. Acho que na história política da cidade, poucos prefeitos tiveram a liberdade que eu tive para escolher os secretários. Têm poucos filiados a partidos, a maioria é técnica. Alguns demoraram mais para entender como funciona o governo, mas agora todos estão adaptados. E a partir de agora, vamos cobrar metas mensais. Se cumprir, ótimo, se não cumprir, aí pensamos em trocas, mas acredito que todos irão cumprir bem. Como eu disse, não é uma troca de pessoas, mas de atitudes. Foram dois anos apanhando muito, porém a gente sabia que estava fazendo as coisas certas. Agora é uma postura mais agressiva no sentido de mostrar o que vem sendo feito.

JC - E o relacionamento com o Rodrigo Agostinho, continua bom?

Gazzetta - Sim. E quando eu digo que estamos fazendo coisas que outros prefeitos não fizeram, eu não estou falando especificamente dele. A partir do momento que você entra no mandato, tem duas opções. Ou faz uma escolha pirotécnica, ou para tudo e começa de novo o que está errado. O Tuga Angerami fez isso e conseguiu dar outra dinâmica para a cidade, que não conseguia nem pegar recursos federais.

JC - O DAE e a Emdurb, como ficarão nesses dois anos?

Gazzetta - No que diz respeito ao DAE, a estrutura continua a mesma, vamos dar andamento ao Plano de Contingência e à recuperação do Rio Batalha, com a compra de áreas com florestas. Na parte de captação de água, o que vamos fazer é abrir a discussão com a população sobre o que fazer com os recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) que sobrarem. Na Emdurb, abriremos uma discussão do papel dela no governo. Se vai autarquizar, se aproveitaremos com uma cessão os funcionários para a prefeitura. Em até quatro meses vamos definir a situação.

JC - O reparo de buracos sempre gerou reclamações, vai ter alguma novidade?

Gazzetta - Eu tomei uma decisão que a prefeitura não vai mais fazer serviços emergenciais, como tapa-buraco. O DAE vai terceirizar isso e a prefeitura também. A prefeitura vai ficar com ações maiores, como o recape. A gente precisa dar respostas em um tempo mais adequado e precisa ter cobrança. Na limpeza, estou estudando fazer a mesma coisa.

JC - Na saúde e educação, o que deve ser esperado?

Gazzetta - A gente vai entregar a Casa da Mulher e a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Chapadão e abrir licitação para a construção da UBS do Nova Esperança com o dinheiro devolvido pela Câmara. Vamos entregar ainda as novas creches que estão em construção, em várias regiões.

JC - A revisão dos PCCS vai acontecer? E haverá mudanças no plano de saúde dos servidores?

Gazzetta - A empresa que está fazendo a revisão ainda não entregou todos os dados, mas aquilo que for necessário mudar, a gente vai fazer. A gente nunca jogou nada para baixo do tapete e se tiver que mudar algo, vai alterar. O plano de saúde, estamos negociando com a nova empresa que adquiriu a anterior para manter preços parecidos com os atuais. 

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