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Duda Trevizani

16/10/17 07:00
João Jabbour

Joãããão! Era assim, com as sílabas alongadas e braços ligeiramente levantados, que ele me saudava quando eu chegava ao estúdio da TV Preve para mais um bate-papo no Enfoque Regional.

Agora, eu é que exclamo: Duuuuda!, por que assim, tão cedo?

E quis o misterioso e caprichoso destino que fosse no Dia do Professor. Pelo menos isso foi justo. Pois como disse meu amigo Cláudio Ricci, ontem à noite: 'Morreu o professor mais conhecido de Bauru'. O sucesso de seu Grupo Preve, que construiu ao lado do inseparável amigo Zé Luiz, fala por si.

E em seu outro ofício, Duda era um dos poucos comunicadores polemistas da cidade, que não tinha medo de dizer o que pensava. Paramos para ouvir o que tinha a comentar, concordando ou não com suas opiniões. Ultimamente, como quase todos nós, andava indignado com a safadeza que tomou conta da política brasileira, que ele tanto gostava de analisar.

À família, ao Gersinho, Zé Luiz, Samuel, Nádia, Faria, toda turma sempre unida do Preve, acho que posso me dar o direito de falar no plural e reportar o pesar profundo de toda a cidade e região, que certamente vocês vão receber ao longo de toda esta triste segunda-feira.

Tenham a certeza de que ele era muito respeitado como professor, empresário e comunicador. Para se ter uma ideia, no momento em que escrevo este texto, logo após tornarmos a notícia pública, via JCNet e nossa página no Facebook por volta de 21h15, em poucos minutos centenas de comentários foram postados, milhares de visualizações foram feitas e outras centenas de compartilhamento efetuadas. O telefone da redação também ficou agitado de forma anormal para uma noite de domingo.

Os emojis com lágrimas predominaram entre os ideogramas das redes sociais, whatsApp entre elas, e as manifestações de espanto, tristeza e condolências estavam em todos os comentários postados.

Bauru e região começaram a homenagear o professor Duda desde o primeiro momento em que a fatídica notícia começou a andar, na velocidade alucinante desta assombrosa era digital.

Nem é preciso dizer que a educação e a mídia de Bauru e região ficaram com dois enormes vazios. No ano que vem haverá eleição e não teremos Duda para montar aquelas bancadas ecléticas de análises dos resultados ao lado de seu inseparável diretor da TV, o Samuel, bem como os quentes debates com candidatos, marcas registradas do jornalismo da Preve.

Mas Samuel, que é de Ferro, vai levar adiante, certamente, com Zé Luiz Garcia Peres, o que Duda sabia muito bem fazer em prol do interesse coletivo, pela consciência que tinha da importância de lançar luz nos espaços e nos agentes da vida pública.

Duda era um pirajuiense/bauruense preocupado com o bom desenvolvimento da cidade e da região. Antes de começar a entrevista, com todos que recebia manifestava sua visão sobre aquilo que era a pauta do dia - um escândalo em Brasília, uma decisão do prefeito, uma votação na Câmara, um acórdão no Tribunal ou, até mesmo, nos minutos de descontração, a vitória de seu Palmeiras ou das nossas equipes de vôlei, de basquete, futebol, entre outras.

Esta homenagem está sendo escrita nos últimos minutos de que dispomos antes de enviar o jornal Segunda-Feira para a impressão. São 22h22. Uma hora e meia antes, quando recebi um telefonema relatando o ocorrido, avisei aos colegas e, após as reações incrédulas, por alguns minutos trabalhamos no mais absoluto silêncio.

Ficaram para trás as brincadeiras pela derrota do Corinthians e mesmo a correria do fechamento de mais uma edição. O que pairou no ar foram, certamente, em cada um, lembranças e reflexões sobre Duda, alguém de nosso convívio diário, mesmo não estando fisicamente ao nosso lado. Seguirá vivo no legado que deixa.

Agora já são 22h27. Restam 3 minutos para o envio desta página e o tempo de dizer:

'Vá em paz, amigo. Sua missão foi cumprida com muita nobreza neste Planeta'.

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