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A falta que a política faz

18/12/17 07:00
João Jabbour

Final de ano é tempo de fazer listinha com pedidos. Vou tentar imaginar aqui um dos desejos que o prefeito Clodoaldo Gazzetta levou ao Papai Noel, lá na Casinha da Praça Portugal: alguém para fazer sua articulação política, além dele próprio. A arte, a técnica e a ciência da política fizeram falta em 2017, no Palácio das Cerejeiras.

Após quase um ano de governo municipal, é razoável dizer que a coalizão de partidos que comanda os assuntos da cidade tem excelentes intenções, boas ideias e muita disposição, mas parece faltar algo crucial para o equilíbrio da complexa tarefa de governar: o viço da política. Repito sempre o mantra de que gerir a coisa pública sem a arte e a ciência da política é como pilotar um avião sem leme. Até voa, mas com rumo incerto e turbulências.

Inicialmente, como é comum no Brasil, o projeto do grupo que ocupa o poder em Bauru foi eleitoral e não de governo, por uma série de circunstâncias que não vem ao caso agora. Esse 'pequeno ' detalhe faz a diferença para Gazzetta, que certamente não tem com quem refletir de forma aprofundada e problematizada sobre cada passo a ser dado em meio a tantas demandas reprimidas.

O arranjo eleitoral de mais de dez partidos que lhe deu a vitória foi feito nos meses que precederam a eleição de 2016, sem discussão e assimilação de um projeto de governo. E ficou por aí, porque veio a eleição e com ela um 'plano de governo' elaborado às pressas, depois a posse e não deu tempo para mais nada.

Essa tem sido a tônica das eleições no Brasil. Disputa-se o comando do Estado e, logo a seguir, tenta-se governar, muitas vezes improvisando soluções e, acima de tudo, uma linha de atuação, um pensamento para nortear as decisões, que deveriam ser frutos naturais e enraizados em matizes ideológicos e conceituais.

A consequência, por vezes, é a insegurança, o desencontro de informações, o acomodamento de pressões e o excesso de discussão de cada projeto de lei, decreto e decisões executivas. Quando se abre demais o leque de opções em um governo, todos se sentem no direito de 'co' mandar. Instala-se uma espécie de 'Torre de Babel' de interesses e visões múltiplas.

Por isso é consagrada a máxima de que o cargo de líder, no caso o do chefe de governo, é solitário em alguns momentos. É interessante e importante discutir com aliados, e mesmo com a oposição, os grandes assuntos municipais. Mas é a capacidade de análise, de convicção e consolidação de uma visão política que ditará qual é o exato momento de bancar determinada decisão.

E mesmo que ocorram derrotas circunstanciais, muitas vezes é necessário reafirmar decisões tomadas, porque os reveses são pedagógicos e demarcam a personalidade, filosofia e linha de atuação de um governo maduro e de personalidade bem definida.

Muitos eleitos tentam driblar a política, porque o caminho, em tese, fica mais aberto e fluente. Pura ilusão. O ambiente do poder público é permeado pela política, a decisão política divide espaço, meio a meio, com as decisões técnicas, se entrelaçam.

O ar que se respira no espaço público é político. Porque governar é administrar interesses individuais e coletivos, com senso de justiça, responsabilidade. Não é apenas busca de resultado, como na iniciativa privada.

O atual governo parece não ter um gabinete que discuta política. Repete, em outra proporção, uma falha do governo anterior, de Rodrigo Agostinho, que vivia de arranjos e remendos. Será sintoma da era do individualismo, em que o interesse e a visão particular se sobrepõem ao interesse coletivo? Se for, não é conveniente a quem administra o interesse público adotar essa prática.

Falta uma semana para o Natal. Se não foi esse um dos pedidos de Gazzetta a Noel, peço eu.

Como jornalista, observador e palpiteiro, vejo essa necessidade ao governo municipal, pelo qual temos respeito e a expectativa de que vá muito bem e conduza a cidade a novos patamares de desenvolvimento e bem-estar geral a seus cidadãos - quase 400 mil, 66a maior economia (PIB) e 67a maior em população no Brasil de 5.570 municípios.

 

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