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O mesmo filme...

20/05/18 07:00
João Jabbour

Há sinais alentadores de mudanças no Brasil após os seguidos vendavais e furacões que assolaram a vida nacional nos últimos anos. Mas há uma, entre outras situações, que ainda vai levar mais tempo: as eleições, vendidas como tábua de salvação. O período pré-eleitoral começou no final do ano passado. O eleitoral propriamente dito vai ter início em 16 de agosto, data a partir da qual os candidatos e partidos poderão pedir votos publicamente. E, pelo que vemos, não há nada de novo nas práticas nem no cenário como um todo, independentemente de nomes.

Imagine um grande teatro, do tamanho do Brasil, com os atores em cena, cada qual seguindo um enredo preparado, na maior parte ou quase totalmente, por gente ou regras do marketing e não da política verdadeira e autêntica.

Imagine um palco com comédia, drama, musical e stand-up, tudo junto e misturado, sem coerência alguma do começo ao fim. Aliás, se fosse apenas um stand-up seria mais natural. O candidato se apresentaria em stand-up (em pé), sem fantasia nem cenário, apenas com criatividade. Ficaria menos ruim de se ver.

Bem, não há nada de novo...

Candidatos, assessores e partidos, salvo exceções, honrosas exceções, seguirão um script velho, desbotado e alguns até mofados. Por isso não se pode culpar apenas o povo pelo desinteresse latente no que ocorre no espaço político, embora sejamos cúmplices, em grande medida, dessa opereta do faz-de-conta.

Ao invés de fazer propaganda (esse termo deveria ser banido até da legislação que regra as eleições), os partidos e candidatos deveriam promover uma grande e aprofundada discussão sobre a vida coletiva municipal, estadual e federal e o papel que a política e o Estado deveriam desempenhar no cotidiano das pessoas.

Mas o que veremos de hoje até os dias 7 de outubro (primeiro turno) e 28 de outubro (segundo turno), mais uma vez, via de regra, será um amontoado de 'mágicos', 'malabaristas' e 'ilusionistas' afoitos com caras 'photoshopizadas' para ficar 10, 20 anos mais novos, tentando nos inebriar, hipnotizar e encantar com técnicas surradas de comunicação e neurolinguística, as quais ninguém precisa, a não ser quando procuramos, de livre e espontânea vontade, pelos autênticos profissionais destas áreas para nos ajudar.

Se surgir algo de novo neste cenário desalentador, farei outra crônica para me penitenciar, prometo. Fico, de certa forma, penalizado com alguns bons nomes que se arriscam corajosa e generosamente no mundo da política e têm que tocar as mesmas notas desafinadas, nas mesmas bandas, sob pena de serem literalmente excluídos do processo. Talvez por isso também os eleitores não consigam enxergar alternativas no rol de candidatos.

Há, é verdade, algumas mudanças em curso, o que nos faz manter a confiança de que, ao menos vagarosamente, a realidade vai se redesenhando no horizonte. A Lei da Ficha Limpa talvez seja o maior exemplo disso. Vários 'tubarões' e outras 'sardinhas' menores estarão fora do jogo deste ano por conta dela.

Um dia, certamente, descobriremos um sistema que impeça ou penalize as famosas 'promessas de campanha', as palavras ao vento que vêm acompanhadas de vozes empoladas e trejeitos de seriedade daqueles que as vociferam. Falou, não comprovou ou não sustentou o que disse e depois não aplicou caso eleito, perde-se o cargo, entre outras sanções. Seria esta apenas uma das medidas para sanear o processo eleitoral e aproximá-lo da veracidade ou ao menos da verossimilhança com a sofrida realidade da maioria do povo.

Porém, contudo, ademais.... Tudo o que pudermos fazer na legislação para tornar as eleições mais limpas e verdadeiras de nada valerão, na prática, se não mudarmos nossa postura de meros expectadores, agentes passivos deste jogo. E isso começaria bem antes do ano eleitoral.

Já pensou, em algum momento de sua vida, em filiar-se a um partido político, nem que seja, de início, apenas para participar das reuniões na qualidade de observador? A maioria dirá que não. Donde se conclui que, embora não sejamos obrigados a participar de partidos, a aversão à prática política revela o final do filme.

Pior, de um filme que se repete a cada dois anos. Afinal, para a maioria dos atores e diretores da política, o cachê vem, por dentro (nas 'bilheterias') ou por fora (nas 'coxias e bastidores').

Para que eles quereriam mudar o enredo? Então, que tal sermos os protagonistas desses longa-metragens que incidem com tanto vigor na vida da gente?

"Uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave." - Carlos Drummond de Andrade.

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