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Pois é...

03/06/18 07:00
João Jabbour

Aproveitando que a gente não sabe em quem votar em outubro, não sabe como resolver a crise em que o país se meteu, não sabe como classificar o recente movimento que paralisou o país por 10 dias, não sabe mais como criar os filhos, não sente mais firmeza no Supremo, não sabe se o Brasil vai ganhar a Copa do Mundo, não sabe como suportar o sucesso dos amigos, tampouco sabe como ganhar mais dinheiro; não nos sentimos amados nem representados, não confiamos em ninguém com menos de 100 anos, então, que tal olharmos para nós mesmos para ver se o problema não está lá fora, apenas.

Sim, somos o que queremos ser e fazemos o que achamos o 'certo', costumamos bater no peito. Mas e se estivermos errados - defasados, acomodados, alienados, desatualizados, sectários demais, equivocados, pilhados, emotivos, paralisados?

É só uma pergunta despretensiosa. Se não quisermos encarar para valer o que está desenhado no presente momento de nossa gloriosa história, por dentro e por fora, próximo e ao largo, e se o atual estado de coisas, como está, satisfaz, esqueça a indagação. Vamos ao chopinho...

"O Brasil é um monte de gente tentando se dar bem sozinha e se ferrando junta". Essa frase estava ainda ontem no Facebook, na página de alguém. É a sensação do momento para muita gente e guarda estreita semelhança com nossa realidade social. É o espelho para a maioria de nós.

Uma frase lugar comum na já muito comum e mundana rede social é: "O gigante acordou!". Acordou em 2013, nas manifestações de junho daquele ano, agora convulsionou. Estamos a um passo da UTI.

O 'país tropical, abençoado por Deus' foi expulso do paraíso...

Na complexidade da história humana, não há lugar perfeito, há possibilidades. Questão de escolha sobre qual delas queremos para nós, coletiva e individualmente. Hoje, do jeito que as coisas estão, acho que não sabemos quem somos muito menos o que almejamos.

Faz três domingos que publico textos pesados, obstinadamente introspectivos e, por vezes, aborrecidos. Isso não condiz com o espírito de uma crônica que, em geral, traduz algo alegre do cotidiano. É meu estilo preferido. Mas não tenho conseguido descontrair e ando levando a vida muito a sério. Uma vez disseram-me para não exagerar nas preocupações, porque não resolvem os problemas e causam envelhecimento precoce. Pode ser. Estou tentando encontrar motivos para rir à toa.

Dou uma olhada de soslaio para a TV enquanto escrevo e vejo que Pedro Parente se demitiu (ou foi demitido), o dólar subiu e a bolsa caiu por causa disso; vou ao grupo de afinidades no whatsApp e um dos integrantes desanda a falar besteira e causa um estúpido bate-boca virtual; escuto lá fora um motorista buzinando bestamente sem a menor paciência com quem está manobrando mal à sua frente, meu time acaba de perder o técnico para a Arábia etc etc.

Está difícil escrever uma crônica...

Por isso e por muito mais, o melhor a fazer em momentos assim, creio, é buscar um ponto de equilíbrio mental de tal forma que nos mantenhamos firmes e fortes ao que der e vier. Para isso, cada um tem sua receita própria - espiritual, física, em atitudes, gestos, terapias, chás e outras nada recomendadas devido à tentação do excesso - álcool, comida, drogas...

Nesta semana, entendi um pouco mais por que uma pessoa que tenho na mais alta consideração esbanja energia e otimismo com a vida. Fiquei sabendo que, recentemente, ela foi a um casamento em uma igreja e viu que um rapaz se desdobrava em esforços para executar as músicas relativas ao evento em um teclado combalido, num esforço tremendo. Depois que saiu de lá, pegou um teclado em bom estado que tinha em casa e enviou ao rapaz através de terceiros, sem que o mesmo soubesse de quem veio, pois para ela isso não importava, mas sim o fato de que ele poderia, a partir de então, executar sua nobre missão de forma digna. O rapaz agradeceu demais ('Deus ouviu as minhas preces!') e disse que rezará por ela em todas as suas orações.

Generosidade autêntica não precisa ser alardeada e é um ótimo fator para mudanças, ao menos naquilo que emana da alma.

 

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