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Segundando

O número 2

12/08/18 07:00
João Jabbour

Não há a menor sombra de dúvida de que, em geral, a primeira pessoa para uma filha ou filho é a mãe. A gênese da vida dita essa ordem desde sempre. E tudo o que vem depois da gestação e do parto confirma a primazia da genitora. Não que a mãe seja mais importante que o pai, mas ela é o primeiro porto seguro dos filhos... E nós, pais, não nos opomos a isso. "Tamo junto", diria alguém da turma.

Mas hoje é o nosso dia, o Dia do Número 2.

Então, peço licença a vossa alteza, a mamãe, para falar de nós um pouquinho. Até porque precisamos de atenção, estamos meio atordoados, sem saber como lidar com as novas imposições da paternidade. Precisamos saber separar o que é fundamental do que é modismo ou comodismo, e ainda dar conta de tantas outras tarefas que a existência e os usos e costumes delegam aos machos provedores.

Não existe modelo pronto e acabado de pai (nem de mãe), mas de uma coisa sabemos: as crianças precisam das melhores referências que pudermos dar a elas, além da proteção física e emocional. Então, entre tantas coisas que discutimos com afinco no dia a dia - futebol, política, negócios, fofocas, fatos e boatos, precisamos colocar na pauta de nossas reflexões a tarefa primordial, a de ser pai. E nos fazermos presentes!

Pai herói, "paitrocinador", pai durão, pai molenga, pai ausente, pai presente, "pãe", companheiro, protetor, confidente, pai babão, espelho, workaholic, pai legal, em algum destes tipos quase todos nos enquadramos. Não importa qual seja, vale mesmo, imagino, é o afeto amplo e sincero e o total discernimento quanto ao exercício da paternidade com zelo e responsabilidade.

Bom, mas nem tudo é tão sisudo e desafiador assim. Temos o nosso charme especial. Certo, mamães e esposas?!

Cada um de nós, com seu jeitão, personalidade, defeitos, acertos e equívocos, se constitui em figura por vezes difusa, desconexa, engraçada, forte, fraca, decidida, mas cheia de amor e de uma sensibilidade nem sempre (quase nunca) aflorada, em nome, claro, do machismo que nos mantêm ligados ao papel de fortes e inabaláveis.

De vez em quando, sucumbimos e apelamos. Nos vitimamos pelos cantos da casa (mamães também fazem isso...). Reclamamos da sobrecarga de responsabilidades, do tempo que nos falta para cuidarmos de nós mesmos, principalmente quando chega um zap dos amigos que estão fazendo um happy hour para lá de animado. E dá-lhe "mimimi" e lembranças do tempo de solteiro...

Pessoalmente, procuro ser um pai muito sério, como manda o figurino, centrado, orientador, exemplar, mas num instante fico babando em cima das crias quando Lívia e Anabella me mostram ou relatam algo que fizeram. Pode ser a coisa mais banal, mas ela se torna a mais incrível do mundo. "Ah, essas minhas meninas... puxaram a inteligência do pai..."

Às vezes me pego sendo um tanto quanto chato e pegajoso, principalmente quando começo a distribuir conselhos extemporâneos sem que haja motivos concretos para isso. E dá-lhe blá, blá, blá... Com paciência de monjas tibetanas, elas fazem cara de que estão acatando, mas é por puro respeito e consideração ao velhinho...

E quando invento de fazer graça quando estamos em família?! De vez em quando a piada tem alguma inspiração, mas em geral é a repetição do repertório, e se torna motivo para caras e bocas (rsrsrsrs). Mas tenho uma vantagem: percebo com rapidez e me recomponho com algum assunto minimamente interessante e comum a todos.

Mas seja como for, ao final de cada dia tudo o que aconteceu entre eu e minhas filhas valeu demais a pena, deu força para o dia seguinte e para todos os que virão, fixou novos pilares nas vidas delas, na minha e da família também.

É indescritível a emoção de receber de um filho qualquer palavra ou gesto de carinho. Já contei aqui, mas este 'remember' é adequado e deve haver muita gente que não leu. Estava eu, todo faceiro, aguardando Anabella na saída da escola quando uma amiguinha se surpreendeu com meus cabelos estilo Richard Gere e exclamou: - Nossa, seu pai é velho! E Bella, então, rapidamente, encontrou a resposta ideal: - Meu pai não é velho, só o cabelo dele é que é velho!

Chorei secretamente, e agora publicamente...

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