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Balanço da bossa

14/10/18 07:00
João Jabbour

Louve-se, sem dúvida nenhuma, a eleição de Rodrigo Agostinho para a Câmara Federal. É uma liderança bauruense que se reafirma, principalmente porque havia deixado o governo em meio a uma certa desconfiança sobre o desempenho de seu segundo mandato à frente do Palácio das Cerejeiras.

Inclusive com críticas nos meses seguintes, até mesmo de gente da atual gestão municipal, em tese seus aliados. Desconfiava-se que sua popularidade poderia não ser mais a mesma, fato desmentido de forma categórica pelas urnas no último domingo. Seu carisma é inquestionável.

Porém, no balanço de perdas e danos, ainda temos muito o que chorar quando falamos da representação política de Bauru internamente e também País afora. Além de a cidade ficar sem deputado estadual a partir de 2019 (Pedro Tobias não se candidatou à reeleição), o que mais chama a atenção é a dispersão política de nossa ordeira e progressista comunidade.

Fato, aliás, que é marca registrada dos novos tempos e se cristalizou nesta eleição no Brasil. A Câmara Federal, por exemplo, terá nada mais nada menos do que 30 partidos com cadeiras na próxima legislatura. Uma aberração sem igual em democracias mundo afora.

Nem tanto pela quantidade em si, mas pelo que esse amontado de siglas espelha quanto à falta de ideias, princípios e linhas de pensamento para as soluções que o país precisa. Sem a mínima coesão para um possível projeto de unidade nacional. Trata-se meramente de um ajuntamento disforme de interesses com o único intuito de eleger deputados e senadores varejistas.

Justamente num momento em que o Congresso Nacional terá de exercer um papel de extrema relevância e responsabilidade para o equilíbrio de forças da República a partir do ano que vem, seja quem for o vencedor. Algo que, aliás, tem ocorrido em Bauru com a Câmara Municipal, que tem desempenhado bem seu papel na correlação de freios e contrapesos entre os poderes.

O anterior e o atual prefeito entenderam que o diálogo entre Legislativo e Executivo era o melhor caminho para manter o poder público minimamente fortalecido para absorver as enormes e sensíveis demandas da população por saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Até mesmo porque a era dos tradicionais caciques que mandavam na política está nos estertores, notadamente em centros mais avançados política, social e economicamente.

Apesar de não termos eleito deputado estadual e termos feito apenas um federal, se analisarmos o quadro de 25 candidaturas locais nesta eleição veremos que muito mais setores da sociedade se fizeram representar - empresários, profissionais liberais, pessoas com deficiência, índios, negros, transexuais, gente que é da política, gente que não é da política. Essa é a boa notícia.

Aos trancos e barrancos, com motivações ainda muito difusas e dispersas, estamos começando a oxigenar novamente a vida política e os bons frutos podem vir com o tempo, principalmente se uma reforma partidária moralizar e dinamizar o sistema de representação política. E um grande pacto nacional nascer a partir de nossas próprias necessidades, que são grandes.

Se não entendermos o dínamo deste novo momento, do realinhamento de forças e interesses que está em curso para projetarmos uma unidade em prol da cidade e da nação, continuaremos patinando na história.

O momento é ruim, a discussão política é de baixo nível, os extremos afloraram, o dinheiro é curto, mas a realidade é essa. Deve ser entendida e trabalhada por pessoas, da política ou de fora dela, que têm desprendimento e capacidade de agregar valores em prol da vida pública e coletiva.

Já passou da hora de as lideranças políticas de Bauru terem algum tipo de sintonia. Isso não quer dizer pensamento único nem, monopólio de nada. Apenas clareza da situação e sinergia em busca de interesses convergentes para o bem da cidade, com desprendimento e espírito público.

A eleição de 2020 já começou.

Voltando à música de Ivan Lins, "acho que chegou a hora// de fazer valer// o dito popular// desesperar jamais...

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