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Acelerar ou cadenciar?

25/11/18 07:00
Joo Jabbour

Acho que todos, em alguns momentos na vida, nos fazemos a pergunta acima. Lembrei-me dela porque a fiz a mim mesmo nesta semana, como resultado de dias com muita queima de fosfato e glucose para encontrar respostas e horizontes.

Para manter nosso equilíbrio biológico/físico-químico, somos feitos mesmo para não desligar, inclusive quando dormimos (só a morte pode fazer isso).

Mas será que devemos manter nossos corpos e mentes em alta rotação o tempo todo, consumindo mais energia, negligenciando o modo descanso? Vale a pena pisar a fundo no acelerador 24 horas ao dia por alguns milhares de reais a mais, por algumas posições acima na escala social ou para dar vazão a ambições que não sabemos ao certo aonde nos levam?

Claro que nos tempos modernos precisamos estar conectados a todo instante para não ficarmos desatualizados e não perdermos oportunidades. É certo que podemos ter sonhos e metas e precisamos nos empenhar para alcançá-los. Sim, é preciso trabalhar muito para ter sorte na vida, pelo menos quem tenta viver com alguma dignidade, em uma competição altamente desigual com os oportunistas, antiéticos, desonestos e canalhas desavergonhados.

Mas, pensando em escala planetária, onde tudo isso vai dar? Em um artigo publicado em julho do ano passado, na página 2 do JC ("Mistério e beleza"), o professor Paulo Cesar Razuk nos disse: "A vida tem propósitos, significados, orientações e metas, os compostos orgânicos não têm nada disso". Ele se referia à dicotomia entre o espetáculo da consciência humana e sua inexplicabilidade pelas leis da física e da química, estas que compõem, inclusive, o cérebro, fonte da mais complexa das explosões de energia que é o raciocínio.

Naquele texto, e em outros também, Razuk se vale do conceito de entropia para seus questionamentos sobre nossos modos de vida e da organização social global, que podem caminhar para um colapso.

De acordo com a Lei da Termodinâmica, quanto maior for a desordem de um sistema, maior será a sua entropia. Por exemplo, quando alguém entra na cozinha encontra todos os utensílios e ingredientes organizados, conforme vai cozinhando, as coisas começam a se desorganizar. Da mesma forma seria o sistema da entropia, ou seja, quanto maior o processo de alteração de um estado, maior será a sua desordem.

Um exemplo clássico de entropia é quando você coloca um cubo de gelo em um copo com água. A ação do tempo e o calor fornecido pelo ambiente alteram a ligação das moléculas e faz com que o gelo se transforme em água. Para mantê-lo no estado inicial, é preciso aplicar mais energia até que ele alcance a temperatura ideal.

Então, voltamos à pergunta do título (Acelerar ou cadenciar?). Se não podemos evitar a desordem natural e permanente da vida, talvez possamos moderá-la em nós mesmos, sem alterar a sua essência enquanto fenômeno, singelamente, em busca de um equilíbrio que nos propicie a serenidade, esta, em meus parcos conhecimentos, a fonte da felicidade que tanto buscamos e que nunca encontramos, de fato e perenemente.

Não estou imaginando aqui que devamos parar nossas vidas no tempo e no espaço para não termos mais problemas. Isso é fuga da realidade. Como vimos acima, nem haveria como, apodreceríamos sentados em um sofá, mas mudaríamos de um estado a outro.

A sensação que tenho é que estamos por demais acelerados, usando energia em demasia e em descompasso em relação ao que precisamos para viver bem conosco mesmos e com os outros à nossa volta.

A entropia e a termodinâmica do professor Razuk podem nos ajudar em muitas situações. Porque quando está tudo em ordem e no lugar não fazemos muito esforço para evoluir, não é mesmo? Quando estamos em situação de desarranjo insuportável, é a senha para buscarmos um novo patamar na vida. Assim, criamos um fluxo de energia que aponta para uma superação e, enfim, para o reequilíbrio em nossos planos de voo.

E vamos nós em busca da próxima crise e calmaria...

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