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Mão na massa

16/12/18 07:00
Cinthya Nunes*

Como até já sabe quem acompanha meus textos, muito provavelmente por conta de meu avô paterno, já falecido, ter sido padeiro, o assunto panificação é algo que me encanta. Sempre que posso, que consigo me organizar, encaro fazer algum curso e já o fiz tanto de forma presencial quanto à distância.

Nesse ano de 2018, que já quase se finda, eu somente consegui tempo para um curso de um dia todo, no qual aprenderia um pouco mais sobre panificação caseira com fermento natural.

Há cerca de quase dois anos eu comprei um livro sobre pães, de um autor nacional, até bem conhecido. Ele indicava como, passo a passo, fazer o fermento natural, conhecido como levain.

Segui todo o script e consegui meu fermento natural, o qual venho alimentando e cuidando desde então. A bem da verdade eu penso que no último semestre desse ano meu fermento tem passado dias difíceis, o pobre coitado. Como assumi outros compromissos profissionais, quase não tenho conseguido fazer pão.

Fiz muito pouco, inclusive. Até então, para efeito de comparação, a produção era semanal, com direito a distribuição de pães pela vizinhança.

Então, reuni com uma amiga querida, a Natalia, que é minha companheira em diversos cursos de artesanato e que também descobriu o amor pelos pães (ela ainda está na fase de pães semanais, rs) e lá fomos nós para uma renomada escola de panificação em São Paulo.

Levamos as duas os livros do professor que daria o curso, o mesmo lá do meu primeiro levain, para que voltasse autografado.

Um dia antes foi necessário retirar esmalte, brincos, colares e todos os acessórios que praticamente fazem parte do meu dia a dia, pois as normas de higiene da escola determinavam isso, além da vestimenta adequada.

Então, em um sábado, quase morrendo de sono após uma semana louca, seguimos as duas para uma jornada de pães que duraria 9 horas. Embora ambas estivéssemos empolgadas em aprender, foi inevitável o pensamento sobre as razões pelas quais nos colocamos sempre nessas maluquices...

Chegando lá na escola vimos que uma das alunas estava só de unhas feitas, como de maquiagem e brincos e passamos um tempo comentando que realmente há pessoas sem noção, que não seguem as regras estabelecidas.

Algumas horas depois, falando com ela, descobrimos que estava extremamente nervosa com o marido que, tendo feito a inscrição de ambos para o curso, não repassara a ela nenhuma dessas informações, quase inviabilizando que ela participasse.

Eu preciso confessar que me decepcionei um pouco com o professor. Ele era ótimo no que fazia e a aula, nesse sentido, foi sensacional. Mas eu esperava alguém mais simpático, preciso confessar.

Talvez ele fosse tímido, mas eu preferia fazer pão com mais sorrisos e descontração. Enfim, talvez eu que tenha, ao ler o livro, pensado que o escritor era uma espécie de amigo, aquele que me sussurrava os segredos e as delícias dos pães...

Embora eu já tivesse feito alguns (só dois na verdade, rs) cursos de pães, sofri um pouco, pois para fazermos tudo o que o curso propunha era necessário ter atenção e não se demorar brincando com a massa. Em certos momentos eu me senti no Master Chef, programa que adoro, mas com medo de ser eliminada.

Um fato que me fez sentir assim foi por conta de um rapaz que, ao meu lado, corria para ser o mais rápido no preparo e, quando acabava, batia uma estranha palminha. Enfim, há loucos de todo gênero espalhados por aí...

Após longas horas em pé e em um ambiente fechado e extremamente quente em decorrência dos fornos, ver os pães emergindo das assadeiras, dourados, cheirosos, estupendos, foi, sem dúvida, compensador. Nessa hora a Natalia e eu nos lembramos das razões pelas quais havíamos topado essa aventura.

Além das nossas risadas pelas coisas que em uma troca de olhares típica dos muito amigos, identificávamos, eu ainda me sentia abraçada pelo Seu Zé, meu querido Master padeiro, meu primeiro professor dos pães.

E assim, foi mesmo um dia inesquecível e engordativo, rs...

*A autora é advogada, jornalista e professora

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