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Segundando

Quando o ontem vira hoje

02/12/18 07:00
João Jabbour

O que vou relatar aqui não é novidade para quem trabalha no JC e, certamente, em qualquer outro jornal diário por esse enorme país afora. Mas é algo tão envolvente que, imagino, possa contemplar a sua curiosidade.

De forma genérica, um jornal impresso pode ser definido como um pacote entregue toda manhã com um resumo sobre o que de mais relevante ocorreu nas últimas 24 horas. Para isso, há uma grande mobilização de dezenas de profissionais durante todo o dia, que começa bem cedo e termina no final da noite.

Portanto, o "livro de quase 150 páginas" (se juntadas todas as letras) que você nos dá o prazer de ler todos os dias é produzido em um período de tempo que vai das 8h até 0h, algo em torno de 16 horas. Neste intervalo, temos a missão de descobrir, apurar, checar e escrever histórias de interesse público que, muitas delas, se desenrolam há anos, sem que a opinião pública soubesse. E são complexas.

Esse é o maior desafio do jornalista: ser o mais preciso e fidedigno possível aos fatos no processo produtivo da reportagem e edição, que dispõe de um curtíssimo espaço de tempo e enfrenta todas as adversidades e intempéries imagináveis.

Há jornais que fecham por volta de 21h30, outros às 22h30... O Jornal da Cidade tem, entre suas marcas nestes 51 anos de existência, o término da edição o mais tarde possível, no limite máximo do tempo disponível, para chegar aos assinantes e às bancas o mais 'quente' possível. Não arredamos o pé antes da meia-noite. Os resultados dos esportes disputados à noite estarão no jornal do dia seguinte, entre tantos outros fatos de maior ou menor importância.

Por 'quente' entenda-se atual, não sensacionalista, prática essa apelativa e desrespeitosa com o leitor. Ponderação com muita garra e coragem: esse é o tempero básico de nossa cozinha.

E na edição que circulou na última sexta-feira, algo de muito caro a nós ocorreu. A terminamos quase a uma hora da manhã, já da própria sexta-feira. A partir de então, o ontem se tornou hoje para nós e para os leitores. Conseguimos trazer como manchete a notícia da eleição de um bauruense para a presidência estadual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a maior seccional do País desta importante instituição brasileira. Trata-se de Caio Augusto Silva dos Santos.

Quando o jornal fala em algo que aconteceu no mesmo dia em que está circulando, é o máximo do esforço de reportagem para um órgão impresso. Dá-nos uma enorme satisfação entregar a você, logo muito cedo, uma conexão atualíssima com o que de mais importante acontece aqui e no mundo.

Ao término de uma edição com essa, com o deadline (prazo final) prorrogado e pressionando a cada minuto, porque a sagrada entrega não pode atrasar, a redação se transforma em um 'caos organizado' entre os 4 ou 5 jornalistas/editores que finalizam os trabalhos.

Ligações telefônicas e mensagens trafegando freneticamente entre repórteres e fontes, correria, monta e desmonta a página, atualiza o lead (primeiro parágrafo da matéria), buscam-se as melhores fotos, o relógio rompendo a hora zero, revisão do texto a mil, manchete quase pronta... a gráfica cobrando o envio das páginas, os entregadores chegando ao pátio com suas motos... suor e, por vezes, lágrimas. Lágrimas, em geral, de felicidade pelo dever cumprido, sem direito ao erro. É mais ou menos assim que experimentamos o êxtase do chamado 'furo de reportagem'. É assim que nos satisfazemos plenamente, bem mais do que no momento de receber o fundamental salário ao final do mês.

Jornalismo fascina, entre tantas características, também pela imprevisibilidade dos fatos que leva a este frenesi. É uma profissão especial, por este e por outros bons momentos, nos quais não importa o nível de estresse e cansaço físico e mental, o que interessa é lançar luz aos acontecimentos no tempo mais real possível para um veículo que não é instantâneo nem imediato como a mídia eletrônica/digital.

Ao lado de Sarah, Cris, Márcia, Dulce, João Pedro e Renato Zaiden (ao telefone nas orientações), saímos do jornal por volta de 1h25 da madrugada na última sexta-feira. Não dormi naquela noite, porque ficamos acompanhando a apuração da eleição da OAB através de nosso site, com o Chico a postos no JCNet.

Amanheci escrevendo esta crônica.

Quando tudo isso acontece, dormir não é preciso.

Bom dia!

 

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