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Férias!!!

13/01/19 07:00
João Jabbour

As férias são sempre bem-vindas, mesmo para quem não está de férias, como eu, por exemplo, porque é interessante sentir o clima mais cordial e descontraído nas ruas, entre os humanos.

Esse recesso pós Ano Novo embasado na ausência de aulas para a garotada é a fase mais tranquila do ano na cidade - astral mais leve das pessoas, trânsito menos nervoso (a não ser quando a prefeitura resolve fazer obras no centro da cidade em horário diurno), visitas inesperadas de parentes queridos que não vemos ao longo do ano, happy hour concorrido com cadeiras nas calçadas, onde se encontram todas as tribos, o calor do verão, a bermuda, a saia justa, o top, a regata e a Havaiana, o porre...

Este é o janeiro na cidade. Os políticos não interferem tanto na vida alheia, porque a maioria também está de férias (alguns usando verbas públicas e cartões corporativos na viagem). O Judiciário não manda prender nem soltar tanta gente, aliás, parece que até a bandidagem dá um tempo, embora seja bom não relaxar a vigilância quando se anda por aí nem sair de casa sem trancar a porta da sala.

Os religiosos também saem de férias. Teve até um problema enfrentado por um pastor que recebeu advertência de um irmão porque viajou em janeiro. "Ouvi um irmão dizendo que, visto que o diabo não tira férias, eu não tinha direito de descansar também". É verdade! Deu no JM Notícias, um site informativo do Estado de Tocantins.

E os padres, podem tirar férias? Sacerdócio é para ser exercido 24 horas, durante toda a vida. Nunca ouvi falar de um padre em férias, nem as igrejas afixam avisos nas portas com algo do tipo: "Estamos em férias. Retornaremos dia 28 de janeiro. Agradecemos a compreensão". Por sinal, estes avisos são uma das poucas coisas que me tiram do sério nesta época quando chego a um estabelecimento e me deparo com eles impedindo o meu intento. Dar com a placa na cara é chato...

Voltando aos padres e falando mais sério, os serviços ministeriais não podem ser interrompidos pelas férias dos padres. Assim, o Código de Direito Canônico prevê a devida e necessária substituição do sacerdote titular.

Neste primeiro e preguiçoso mês do ano, as praias, resorts, hotéis fazendas, parques aquáticos, entre outros destinos muito procurados, vivem um frenesi de entra e sai de gente de todo lugar em busca das melhores sensações (e fotos no Facebook).

De Olímpia a Canoa Quebrada, de Brotas ao Caribe, não importa, "férias!!!, finalmente chegaram, a vida é linda, bora beber, comer e curtir...". E dá-lhe fotos no Facebook, para inveja, escárnio e maldizer de quem está na rede social acessando de casa ou do trabalho...

Parece até que a gente passa o ano trabalhando não porque o trabalho enobrece o homem, mas porque lá no final (ou começo) tem as férias. Seria o homem um ser cujo grande objetivo é estar em férias? A morte seria uma forma das férias prolongadas? Melhor não pensar nisso em janeiro...

Aliás, me surge outra dúvida: de férias ou em férias?

Rápida consulta a dicionários me põe mais confuso ainda... Parece que as duas formas estão certas, dependendo do verbo que se usa antes (entrarei em férias..., estou de férias...). Mas, afinal, importa a preposição para quem passa o dia curtindo o mar, o rio, a montanha, a piscina ou a rede preguiçosa? Alguém lá na Ilha do Cardoso ou na praia do Zé Menino parou para pensar nisso?

Ahhh, como é bom ir ao Centro da cidade e encontrar uma vaga para estacionar nesta época. Fiz isso na última semana. Que sensação indizível! E trafegar pela Duque de Caxias sem parecer que está em um cortejo fúnebre? A sensação é de estar na rodovia Bauru-Itirapina, considerada em 2018 a 3ª melhor rodovia do Brasil.

O que dizer então de ir ao banco e não enfrentar filas, ainda que seja para pagar o IPVA que jamais retorna em forma de serviços?! Janeiro é ótimo, mesmo com o triplo de contas para pagar...

O curioso é que a palavra féria (sem o 's' no final) significa "Dia da semana", "Salário diário do operário". Ainda: receber a féria é contar o dinheiro apurado ao fim do dia numa casa comercial. Acrescentando o 's', vira algo oposto. O saudoso e querido professor Darvino Concer certamente alertaria para esta confusão em seu "Diálogo do Português".

Bom, chega de escrever. Muito dos que estão lendo estão em férias e sem paciência para pretensos textos engraçadinhos como este. E eu vou me poupar um pouco para quando o carnaval chegar...

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