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Sonho de um dia de verão

06/01/19 07:00
João Jabbour

"A vida é muito curta e não há tempo para brigas e confusões, meu amigo".

A frase é da música 'We Can Work It Out' ('Nós podemos tentar fazer dar certo'), do incrível Paul McCartney. Estava no dia do meu aniversário (4 de janeiro) quando escrevi esta crônica. Alma leve (ao menos por algumas horas), preenchida por tanta energia enviada por amigos e familiares, então resolvi sonhar um pouco ouvindo esta canção que propõe: "Tente ver do meu jeito// Só o tempo dirá se estou certo ou estou errado".

A vida, como Paul, pede leveza, ainda que intercalada, inevitavelmente, com doses de muita força mental e de propósitos para encarar os desafios e desatinos do cotidiano pessoal e coletivo.

De fato, brigas e confusões são um desperdício de nosso tempo. E como há conflito por aí, por aqui, em todo lugar... Um furdúncio irracional que não leva a lugar algum e, na maioria dos casos, apenas encurta preciosas vidas.

Idilicamente, penso que a paz e a harmonia deveriam interessar a todos, afinal o barco (Planeta) é um só e as necessidades, basicamente, são comuns a todos. Na multidão de gente conhecida e desconhecida, é possível encontrar umas poucas pessoas que parecem ter encontrado seu nirvana pessoal. São calmas, tolerantes, suaves, decididas, serenas. As admiro.

Alguém pode dizer que este discurso, neste canto de página, prega de alguma forma a alienação ou indiferença em relação a tanta desordem e injustiça existentes no mundo. Então, como já sugeri, hoje (apenas hoje) peço licença para seguir nesta linha, sem desconsiderar a importância da luta permanente e tenaz de tantos filhos da Terra pelo melhor equilíbrio da espécie e do ecossistema em que vivemos.

Até porque mesmo os grandes ícones das revoluções humanas tiveram seus momentos de introspecção e sempre evidenciaram a paz e o amor ao próximo como objetivo final de seus propósitos de justiça e fraternidade.

"O fim da história será o começo da paz: o reino da inocência recobrada" (Octavio Paz), "A paz exige quatro condições essenciais: verdade, justiça, amor e liberdade" (Papa João Paulo II), "Temos de aprender a viver todos como irmãos ou morreremos todos como loucos" (Martin Luther King), "Hay que endurecerse pero sin perder la ternura jamás!" (Che Guevara) e "Se todos derem as mãos, quem sacará as armas?" (Bob Marley). Frases, sim, apenas frases, mas com as quais o espírito desta crônica se alinha.

Parece estranho falar em paz nestes tempos difíceis e sectários, mas é justamente em épocas assim, tão tempestuosas, que deve ser dito. Ao menos lembrado que há esta opção. E que é um valor universal, talvez o maior de todos...

Neste exato momento, quando completo 58 anos, o pêndulo da história parece se dirigir a uma posição de conflito entre os povos, embalado por líderes estranhos, beligerantes, arrogantes, tanto ao norte quanto ao sul da Linha de Equador.

Mas eles não falam por todos, embora tenham a delegação de representar o todo, e nem serão eternos, ainda que sonhem com isso. O bom da civilização é que ela pode tanto se organizar para a guerra e, assim, excluir, aniquilar uns aos outros, quanto para a paz, e encontrar um caminho de convivência fraterna e solidária, com ternura, carinho, empatia e generosidade nas relações interpessoais.

E, então, me vem à mente e ao coração o grande parceiro de Paul, John, o Lennon, com sua "Imagine": "Você pode dizer que eu sou um sonhador// Mas eu não sou o único// Espero que um dia você se junte a nós. E o mundo será como um só".

Será que é tão difícil assim, mesmo para os que querem ter a supremacia nas relações? Por sinal, os poucos que têm muito (poder e dinheiro) são de uma burrice extrema ao submeter a maioria a uma condição de quase insurreição. E levam a vida enclausurados, fugindo da realidade, escondendo-se atrás de muralhas e fortalezas, fingindo, deixando de experimentar as melhores sensações da adorável e simples condição humana.

Aos belicosos e atormentados por sua confusão mental, meu desejo de sensatez e equilíbrio em 2019. Aos da paz e do amor, força e resiliência para mantermos a serenidade, com uma flor nas mãos, resistindo aos canhões.

 

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