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¿Qué pasa?

17/03/19 07:00
João Jabbour

É uma atrás da outra. Toda semana há uma ou duas péssimas notícias neste malfadado e fatídico 2019. Onde vamos parar desse jeito? Aliás, já são três nesta semana. Acabo de ver o atentado na Nova Zelândia contra muçulmanos. Isso para ficar nas tragédias maiores. Há várias mais.

E tem ainda a ira da natureza atiçada por nós que causa estragos imensos e até mortes, a economia que anda devagar quase parando na expectativa de que o governo faça o que a cartilha liberal apregoa como urgente e irreversível, além de outros assombros menos dignos de registro na imprensa, porque faltam espaços para tanta notícia ruim.

Há uma rebelião cósmica em curso?

¿Qué pasa?, pergunta, diariamente, um inconformado amigo argentino.

Sou uma mente racional, talvez até demais, mas começo a duvidar da lógica dos fatos. Aliás, eu mesmo experimentei, em três dias consecutivos, na semana passada, pequenos incidentes que nunca haviam ocorrido desta forma - em série.

Em um dia, após o banho, derrubei uma pesada banqueta em meu dedão do pé. Doeu muito, mas por sorte não quebrei (a banqueta, porque é a favorita da Fabiana...). No dia seguinte, só não bati o carro por ter experiência ao volante e, novamente, sorte ao desviar de um cidadão saindo com tudo de sua garagem. E no terceiro dia, estava eu em minha cadeira na redação, todo empoderado, quando, de repente, uma peça se quebra e me proporciona uma queda daquelas que os colegas não resistem às gargalhadas depois de verificarem que nada de mais grave aconteceu com o desajustado.

Ufa! Pus-me, então, a pensar. São sinais? Avisos?

Andei pisando em ovos nos dias seguintes e estou acautelado até hoje.

Será tudo coincidência o que anda acontecendo com cada um de nós e com nós todos ao mesmo tempo? Ou de fato a nave mãe está entrando em colapso e seus passageiros enlouquecendo?

Tendo a achar que estou exagerando no olhar e no temor. Tem muita gente feliz da vida por aí. Nos bares, nos cinemas, nos shoppings, no supermercado, na cabeleireira, no sofá de casa vendo streaming. Pelo menos aparentemente...

Aliás, palavras como coincidência, sorte, destino e sina me incomodam. São desanimadoras. Resisto em acreditar no acaso como determinante de nossas vidas. Sou daquela turma que diz que o destino de um homem é construído, sobremaneira, por seu caráter. O filósofo Heráclito (520 Antes de Cristo) era do mesmo time. Parece que é dele esta definição.

Aliás, ele defendia também o conceito do Devir, uma visão filosófica que nos diz: nada é estável, tudo está na metamorfose perpétua das coisas que evoluem, não de modo linear, mas de acordo com um ciclo que realiza a coincidência dos contrários. Outro marcante filósofo, Hegel (século 18), também vê no Devir o fundamento da História.

Mas há os que advogavam o contrário, como Parmênides (530 antes de Cristo), para quem é enganosa a sensação de que tudo muda o tempo todo. Segundo ele, há pura perfeição e eternidade por trás da natureza e esta é a verdade suprema.

Seja lá como for, se a humanidade está passando de um grande estágio para outro e estamos bem no olho do furacão, que venham bons e renovadores momentos, com muito amor, humildade, humor, empatia, generosidade ou predicados que ainda não se inventaram, melhores do que estes.

Porque da forma como está, não dá para ficar.

Friedrich Nietzsche (século 19) dizia, bem depois de Heráclito e Parmênides: "Jamais alguém fez algo totalmente para os outros. Todo amor é amor próprio. Pense naqueles que você ama: cave profundamente e verá que não ama a eles; ama as sensações agradáveis que esse amor produz em você! Você ama o desejo, não o desejado." Será isso mesmo?

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